Entidades do setor metroferroviário lançam manifesto reivindicando sistema de VLTs em São Paulo

VLT do Rio é citado como exemplo de intervenção que sistemas que está revolucionando as regiões onde opera.

Carta é dirigida aos candidatos a Prefeito da capital, e pontua que o VLT é a ferramenta indutora para requalificar áreas degradadas pelo trânsito e congestionamentos

ALEXANDRE PELEGI

Um grupo formado pelas principais entidades do setor metroferroviário, incluindo a AEAMESP, a ABIFER, o Instituto de Engenharia, a ALAF, a ANTP, o SIMEFRE, o SEESP e a UITP, apresentou uma Carta Manifesto direcionada aos candidatos a prefeito de São Paulo.

No documento, as entidades reforçam a importância da implantação de sistemas VLT – Veículo Leve sobre Trilhos na capital como ferramenta para uma melhor qualidade de vida a todos os seus cidadãos.

A Carta destaca que à exceção das viagens realizadas pelos modos sobre trilhos, operados pela CPTM e pelo Metrô, as viagens realizadas por transporte coletivo baseiam-se essencialmente na rede de ônibus, constituída por centenas de linhas que utilizam o sistema viário da cidade, em geral sem nenhum tratamento preferencial para sua circulação, retidos nos congestionamentos e por isso, com intervalos e tempos de viagem, imprevisíveis.

Além das deseconomias causadas pelas horas paradas nos congestionamentos, como o desperdício de combustível, o aumento das emissões de poluentes, os riscos de acidentes, fatores que tiram a competitividade da economia paulistana, o documento ressalta os impactos de ordem urbanística.

Dezenas de avenidas da cidade em regiões consolidadas apresentam degradação em sua ocupação devido aos impactos dos congestionamentos e das emissões ambientais (gases e ruídos), com deterioração dos imóveis, usos e ociosidades indesejadas, resultando em perdas econômicas injustificáveis”, descreve a Carta Manifesto.

É nesse contexto que, destaca o documento, diversas cidades em todos os continentes implantaram políticas de revitalização urbana e de mobilidade para aumentar a competitividade do transporte coletivo sobre o transporte individual, melhorar a qualidade ambiental e requalificar áreas urbanas degradadas ou em processo de degradação.

A ferramenta indutora desses processos foram os sistemas de Veículos Leves Sobre Trilhos – VLT.

Desde o ano 2000, foram implantados mais de 200 sistemas de VLTs no mundo, com esse objetivo”, descreve o documento, que alerta, no entanto, que tais sistemas devem estar associados às políticas de renovação urbanística, “devendo ser a espinha dorsal da mobilidade em todas as operações urbanas do município, elevando a qualidade do serviço e eliminando as emissões ambientais”.

Como diferencial, tais sistemas têm suas características metroferroviárias, que permitem o controle automatizado da operação, dando preferência nos cruzamentos.

Isso garante a regularidade e os baixos intervalos entre os veículos nos horários de pico, entre outras qualidades.

Como exemplos da experiência que o Brasil já possui em todas as etapas que envolvem sistemas de VLTs, como projeto, implantação, operação e manutenção, o documento cita dois importantes sistemas que estão revolucionando as regiões onde operam, como o centro do Rio de Janeiro, transportando diariamente quase 100 mil usuários (antes da pandemia) e o da Baixada Santista, atualmente em fase de implantação de novo trecho de expansão, que ligará São Vicente ao centro histórico de Santos.

Destacando que a capital precisa recuperar dezenas de corredores e regiões degradadas pelo excesso de trânsito e pela baixa qualidade do transporte público, a Carta Manifesto propõe trocar essa situação pela renovação e valorização urbana, baseada na mobilidade de qualidade oferecida pelos sistemas de Veículos Leves Sobre Trilhos.

A Carta cita como exemplos de locais que sofrem com problemas de congestionamento e degradação urbana na capital, avenidas como Celso Garcia, Rangel Pestana, São João, Consolação/Rebouças, Nove de Julho/Santo Amaro, Cupecê, Teotônio Vilela, M’Boi Mirim e Aricanduva.

São locais que devido às condições atuais penalizam os moradores e usuários diários desses corredores.

Finalizando, as entidades que assinam o documento desejam que o prefeito eleito em 15 de novembro faça São Paulo se unir à rede de cidades que reconstruíram sua mobilidade e seu desenvolvimento urbano, “implantando sistemas de VLT como ferramenta para uma melhor qualidade de vida a todos os seus cidadãos”.



Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Alberto Alecio disse:

    Impressionante como tantas entidades respeitáveis no setor coloca como prioridade um transporte caro e demorado para implantação. Enquanto isto os usuários continuam usufruindo da má qualidade construída nas vãs promessas dos eleitos. Por que não investir na infraestrutura existente com uso de tecnologia e prioridade para os ônibus?? Fizeram as contas do tamanho do investimento necessário nesta proposta??

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