Encontro Internacional Governadores pelo Clima destaca eletrificação da mobilidade com carta de compromisso

Trólebus
Estado de São Paulo possui apenas um corredor de transportes sobre pneus parcialmente eletrificado, que liga o ABC Paulista e à cidade de São Paulo

Medida foi um dos pontos que integram metas discutidas no evento realizado nesta quinta-feira (29). Doria e outros governadores defenderam uma aliança nacional pelo clima, mesmo que independente do Governo Federal

ADAMO BAZANI

Foi realizado nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2020, de maneira virtual, o I Encontro Internacional Governadores pelo Clima, evento virtual promovido pelo Centro Brasil no Clima (CBC).

O CBC é um laboratório de ideias fundado em 2012 pelo escritor e ambientalista Alfredo Sirkis, que morreu em 10 de julho deste ano em um acidente de carro no Rio de Janeiro.

Govenadores brasileiros participaram do evento e assinaram uma carta de intenções, como Waldez Góes (AP), Renato Casagrande (ES), Flávio Dino (MA); Romeu Zema (MG), Helder Barbalho (PA), Paulo Câmara (PE) e João Doria (SP). Também participaram Yvon Slingenberg, da Comissão Europeia, e Jerry Brown, ex-governador da Califórnia (EUA).

O objetivo é alinhar as políticas dos estados com o Acordo de Paris, que entre as metas está reduzir as emissões de poluição para manter o aumento da temperatura do planeta abaixo dos 2ºC.

Entre as ações destacadas está a eletrificação da mobilidade.

Para isso, foram consensos a necessidade de estímulos à expansão dos transportes sobre trilhos em todo o País e a implantação de frotas de ônibus elétricos nos sistemas urbanos e metropolitanos, dois pontos nos quais o Brasil, apesar de avanços, ainda deixa muito a desejar.

Com exceção da capital paulista e algumas outras cidades que preveem a possibilidade de frotas de coletivos elétricos, não há na maior parte do País legislações municipais e estaduais para ônibus não poluentes.

E mesmo com uma legislação e com contratos de concessão de transportes prevendo a troca de modelos a diesel por alternativas menos poluentes, a cidade de São Paulo ainda registra avanços muito tímidos: são ainda 200 trólebus que circulam entre a zona Leste e região central e 19 ônibus elétricos a bateria numa frota de 13 mil coletivos aproximadamente.

Os compromissos assumidos pelos governadores foram:

– combate firme ao desmatamento e queimadas ilegais,

– promoção de energias limpas,

-redução da queima de combustíveis fósseis,

– aumento do uso de biocombustíveis,

– eletrificação da mobilidade,

– incentivo à agricultura de baixo carbono.

Por meio de nota, o governador de São Paulo, João Doria, cutucou a gestão do presidente Jair Bolsonaro e disse que o protagonismo dos estados é que vai fazer a diferença.

“Os governadores, na sua maioria, possuem políticas muito claras de defesa ambiental, diferentemente da política do governo federal. Estamos cumprindo a nossa obrigação. E hoje em dia os estados estão tomando a vanguarda do processo climático no Brasil como agenda construtiva, para preservar o meio ambiente e a qualidade de vida das pessoas”, disse Doria.

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, também criticou o que chamou de ausência do Governo Federal no debate ambiental.

“Agora, mais do que nunca, estou alinhado com esse esforço dos governadores pelo clima para fazermos uma compensação da ausência de política do Governo Federal devido à importância do Brasil pelo tema” – disse na nota.

O governador do Pará, Helder Barbalho, disse que a questão ambiental também passa por uma mudança cultural, de como as pessoas encarem a preservação dos recursos naturais.

“Recentemente, o Pará passou por conflitos culturais na preservação da Amazônia com mensagens antagônicas. O Governo desenvolveu, tecnicamente e fazendo uso da ciência, uma política estadual transversal para uma nova concepção para realidade do desenvolvimento sustentável do Pará.”

Outros encontros devem ocorrer para trocas de experiências entre os chefes dos poderes executivos estaduais.

O evento faz parte de uma mobilização internacional para articulação dos governadores com movimentos de lideranças de outros países e regiões, como os Estados Unidos, a Argentina e a União Europeia.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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