ENTREVISTA: Andrea Matarazzo fala em “Uber-Ônibus”, propõe ampliar faixas e aumento da tarifa somente se for inevitável

Andrea Matarazzo fala com jornalistas em agenda de campanha

De acordo com o candidato, caso for preciso aumentar a tarifa do transporte coletivo, o percentual será pequeno Ações de melhoria na logística de todo o serviço também estão entre promessas

WILLIAN MOREIRA

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O candidato a prefeitura de São Paulo, Andrea Matarazzo, concedeu entrevista exclusiva para o Diário do Transporte no sábado 17 de outubro de 2020, junto ao Terminal Bandeira na região central, enquanto realizava campanha eleitoral.

Matarazzo falou um pouco sobre seus planos voltados para o setor de mobilidade urbana e transportes, caso seja eleito.

O primeiro ponto abordado pelo pretendente ao cargo de prefeito da maior cidade do país, foi a questão dos contratos de prestação de serviço entre as empresas de ônibus e o município. De acordo com Andrea, alterar ou modificar estes contratos é difícil pelo fato do poder municipal ficar “engessado” nestas alterações. Entretanto, intervenções deverão ser feitas para o transporte coletivo funcionar em prol da população e não em “conveniência das empresas”.

Uma ação na logística de todas as linhas de coletivos na cidade seria realizada com o objetivo de evitar, segundo o exemplo de Matarazzo, o que acontece na Avenida Rebouças que conta em parte com uma linha do Metrô logo abaixo e tem períodos em que os coletivos circulam vazios, gerando transito e aumentando a poluição.

“É importante lembrar que essa administração assinou um contrato por 15 anos com as atuais empresas de transportes, então você fica um pouco engessado nas mudanças, mas sem duvida nenhuma dá para melhorar muito. Definição dos pontos onde eles estarão tem que ser a conveniência da população e não a conveniência das empresas, a mesma coisa os roteiros [itinerários].” – disse

“Ao mesmo tempo quando você vê a cidade, você fica às 15h na Avenida Rebouças, você vai ver a quantidade de ônibus vazios que passam. Em meu ver isto é incoerente, custa em subsídios e são ônibus causando transito e poluição. Temos que acertar a logística, menos ônibus fora do horário de pico para não andarem vazios e mais ônibus nos horários de pico”, explicou o candidato.

A ampliação de faixas exclusivas de ônibus nas vias da cidade também está em seus planos, mas de uma maneira mais participativa, com a opinião de comerciantes das ruas e avenidas que receberiam as novas faixas, sendo levada em consideração na elaboração do projeto.

“Ampliar também as faixas de ônibus que foi uma solução bastante interessante, custa pouco e você faz isto de forma rápida, mas claro conversando com o comércio das ruas onde elas vão passar”, disse Andrea Matarazzo.

Responsabilidade da próxima gestão que se iniciará em 2021, o Plano Diretor que trata a maneira como a qual São Paulo pode se desenvolver em transporte, construção civil, áreas verdes, entre outras, foi comentado por Matarazzo.

O candidato avalia na regularização fundiária a possibilidade de levar mais empregos para as regiões afastadas, instalando nestes locais empresas e gerando novos postos de trabalho. Com isso, o trabalhador passaria menos tempo por dia no transporte público.

Com essa regularização, o planejamento estaria já aberto ao surgimento de novos meios de transporte ou a melhoria e ampliação do uso dos existentes, dentre eles patinetes e bicicletas.

“O meu plano principal é levar os empregos próximos das pessoas, para que não precisem fazer tantos deslocamentos. Hoje a cidade tem 50% da população morando na periferia, mas somente 10% dos empregos estão lá Então temos que criar as novas centralidades, fazer a regularização fundiária da cidade para que as empresas possam se instalar mais perto de onde as pessoas estão morando.” – disse

“Com a regularização fundiária, podemos criar as novas centralidades no entorno dos terminais de forma que passe a ter atividade econômica nestas novas centralidades, valorizando o comércio de bairro e fazendo que as pessoas possam ficar perto de onde elas moram, não precisando se deslocar tanto. E quando você fizer as novas centralidades, a própria geometria de ruas e calçadas, já fazer dentro de um sistema mais moderno prevendo a bicicleta, pedestre que hoje 20% dos trajetos já são feitos a pé, o patinete e outras eventuais tecnologias que venham pelo futuro”, detalhou Matarazzo.

Não menos importante, a tarifa não ficou de fora do assunto, e, apesar de ser um tema muito abordado em todas as eleições, o candidato afirmou que nesta época o assunto é recorrente e é usado para fazer “pegadinhas”.

Para Andrea Matarazzo, é preciso analisar os custos que levam a um valor da passagem e que se for possível diminuir os custos desta operação, o subsídio também será menor. Juntamente com a melhoria das linhas e atendimento ao passageiro, o preço final da tarifa pode ser reajustado para baixo ou se ainda sim sofrer aumento, em um valor menor que a média.

“A questão da tarifa em eleição é sempre para fazer a pegadinha, a tarifa é uma coisa que você vai ter que analisar a possibilidade. Eu acho que existe [a possibilidade de] você reduzir custos das empresas de ônibus, justamente reduzir o subsídio. Eu acho que com essa racionalização da logística, com a melhoria das rotas, dos pontos e outros ajustes você consegue reduzir custos e eventualmente manter ou subir pouco essas tarifas, se necessário.”

Por fim o assunto foi os aplicativos de transporte individual, com o candidato ressaltando a importância deste serviço e que espera no futuro o surgimento de novas tecnologias que vão facilitar ainda mais a vida das pessoas, entretanto, terão que ser regulamentadas, diminuindo assim os custos para os paulistanos.

“Eu acho que surgirão novas tecnologias para isso como o Uber-Ônibus que a gente já viu que existe e você não pode ancorar a cidade no passado, vai ter que regulamentar essas tecnologias facilitando a vida do cidadão e reduzindo os custos para o cidadão e para a cidade”, concluiu.

O Diário do Transporte tem realizado entrevistas com os candidatos, sendo que algumas foram publicadas e outras ainda irão ao ar

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. o que se tem de fazer é barrar aplicativos que carregam 1 passageiros, e detrimentos do coletivo…Eles é que aumenta o trânsito na cidade, à torto e à direita despejam carros,(com placas licenciadas fora de SP- não agregando arrecadação à cidade), com intenção de abrir vagas de empregos (isso é desculpa).

    1. Alfredo disse:

      Concordo plenamente, aplicativos são meros atravessadores, enchem as ruas de novos veículos e só aumentam seus lucros, uma baderna apoiada por alguns vereadores que não se importam com os problemas da cidade

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