Diário no Sul

Canasvieiras Transportes demite 200 trabalhadores em Florianópolis

Ônibus da Canasvieiras que presta serviço no transporte coletivo de Florianópolis. Foto: Eduardo Souto Maia/Ônibus Brasil

Em carta enviada aos colaboradores a empresa justifica os desligamentos em razão da pandemia que diminuiu a demanda drasticamente, impactando nas receitas

WILLIAN MOREIRA/ALEXANDRE PELEGI

A empresa Canasvieiras Transportes, que atua no transporte coletivo em Florianópolis, Santa Catarina, anunciou a demissão nessa segunda-feira, 19 de outubro de 2020, de duzentos funcionários.

Segundo a empresa de transportes, os impactos da crise causada pelo coronavírus estão na raiz da decisão.

Em carta aberta aos trabalhadores, a empresa explica os problemas que vem passando, com uma retomada bem abaixo do normal e as paralisações da operação dos ônibus por meses, conforme decisões do poder público que acabam por refletir nas finanças.

“Vocês são testemunhas de que o problema só vem se agravando: é salário que não sai, pagos em datas diferentes das acordadas com a categoria, pagos aos poucos, vale alimentação saindo com atrasos, mesmo com seu valor diminuído, etc., coisas estas que nunca haviam ocorrido na história da Canasvieiras, apesar de outras crises pelas quais já passamos”, cita parte da nota.

A empresa ainda fala diz que não “se vê luz no fim do túnel” e não existe milagre para fechar as contas. Desta forma, as demissões vão dar um fôlego com a redução de custos fixos, garantindo a continuidade da prestação do serviço e a manutenção de 515 postos de trabalho mantidos.

Na nota, a empresa afirma que a decisão de demitir “já deveria ter ocorrido meses atrás”. Isso só não feito por causa de medidas paliativas, como a MP 936 do Governo Federal, “além do esforço do Sintraturb em negociar cláusulas que possibilitaram a continuidade dos postos de trabalho”.

O Sintraturb (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Urbano, Rodoviário, Turismo, Fretamento e Escolar de Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis) é a entidade que representa os empregados do setor.

Ainda segundo a nota, as demissões são necessárias, pois se trata de “uma atitude que poderá fazer a diferença entre permanecer vivo ou falecer de vez”.

No final, a empresa afirma que “não se trata de encerramento de postos de trabalho em definitivo”, e promete que assim que as coisas estiverem melhorando as mesmas pessoas que hoje estão saindo da empresa serão convidadas a retornar.



Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes e Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. Pedeo disse:

    Isso é manipulação política não tem outra razão os terminais estão cheios, acredito que se não fosse época de eleição não estariam demitindo.

Deixe uma resposta