Guariba (SP) passa ter fábrica de biogás, combustível que pode ser usado em ônibus

Publicado em: 16 de outubro de 2020

O presidente Jair Bolsonaro inaugura uma fábrica de biogás da empresa Raízen

Ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque diz que espera aprovação de novo marco regulatório do gás no Brasil e destaca possibilidades para o transporte coletivo

ADAMO BAZANI

A empresa Raízen inaugurou nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2020, em Guariba, interior de São Paulo, uma fábrica de biogás, combustível que pode ser usado em ônibus.

De acordo com a companhia, a unidade será a primeira em escala comercial no mundo a utilizar a conversão da torta de filtro e da vinhaça, subprodutos da produção de etanol e cana-de-açúcar, voltada para geração de energia elétrica.

Estiveram presentes na inauguração, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

A planta tem um potencial instalado de 21 mega-watts e capacidade de geração de 138 mil mega-watts/hora por ano. A nova fábrica pode abastecer 62 mil domicílios com energia elétrica.

À EBC – Empresa Brasileira de Comunicação, do Governo Federal, Albuquerque destacou que o potencial de produção de biogás no Brasil, somente a partir da vinhaça, pode atingir em 2030 até 45 milhões de metros cúbicos por dia, o que corresponde a mais de duas vezes o volume médio de gás natural importado da Bolívia em 2019.

O ministro disse ainda que espera a conclusão da tramitação no Congresso do Projeto de Lei 6407/13, que cria um novo marco regulatório do setor de gás natural, de acordo com a EBC.

Pelo projeto, o regime de exploração de gasodutos no Brasil passará de concessão para autorização. A proposta também quebra o monopólio dos estados na distribuição do gás natural.

Bento Albuquerque também destacou que o biogás pode ser promissor para o abastecimento de frotas de veículos pesados, como ônibus.

“O biogás e biometano, além de serem utilizados para geração de energia elétrica, podem também substituir o óleo diesel nos ônibus, caminhões e máquinas agrícolas. Ou mesmo, no caso do biometano, ser injetado na rede de gasodutos, sendo consumido como substituto do gás natural. Temos aí a aprovação, em breve, do novo marco do gás  e não tenho dúvida que essa nova indústria também vai se associar a isso, o que vai ser importantíssimo para a reindustrialização do país”, disse Albuquerque.

O ministro ainda destacou que os derivados de cana-de-açúcar respondem atualmente por mais de 17% da matriz energética brasileira e para 2030 será mais de 19%.

No Brasil, a fabricante Scania possui um modelo de ônibus que pode ser abastecido com Gás Natural Veicular ou Biometano a ser produzido na unidade de São Bernardo do Campo.

Em algumas regiões do mundo, como Colômbia, Estados Unidos ou Suécia, o uso de GNV e/ou biogás nos ônibus do transporte urbano e metropolitano é comum.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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