BNDES aprova possibilidade de suspensão de pagamentos, o que pode beneficiar o transporte metroferroviário de passageiros

Publicado em: 15 de outubro de 2020

Setor metroviário do Rio de Janeiro, explorado ao setor provado, amarga altas prejuízos devido à pandemia. Metrô Rio / Divulgação

Objetivo é promover alívio econômico aos negócios mais afetados pela crise provocada pela pandemia

ALEXANDRE PELEGI

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, na última semana, uma nova rodada de suspensão de pagamentos de parcelas de empréstimos contraídos junto à instituição estatal.

A primeira rodada da medida emergencial aliviou o caixa de 29 mil empresas e de 56 estados e municípios.

Com isso, abre-se a possibilidade de o Banco suspender temporariamente pagamentos de empréstimos contratados por empresas de setores econômicos específicos e microempreendedores em operações de microcrédito que possuem operações automáticas realizadas por meio de instituições financeiras parceiras.

A medida favoreceria ainda estados e municípios.

O objetivo é promover alívio econômico aos negócios mais afetados pela crise provocada pela pandemia, com o valor total das parcelas suspensas podendo superar R$ 2 bilhões.

A aprovação da nova rodada do standstill (como é conhecida a suspensão de pagamentos no mercado) atualiza a que já foi realizada pelo BNDES neste ano.

Na ocasião foram suspensos R$ 12,4 bilhões em pagamentos, beneficiando 29 mil empresas onde trabalham quase 2 milhões de pessoas.

Nesta primeira ação beneficiou-se ainda 56 entes públicos (estados e munícipios) que tiveram seus pagamentos de financiamentos suspensos no valor de R$ 3,9 bilhões.

NOVA RODADA

Segundo comunicado do BNDES, a nova medida possibilitará a suspensão das prestações tanto em operações contratadas diretamente com o BNDES quanto em indiretas, realizadas por meio de instituições financeiras credenciadas.

Desta vez, os clientes do setor público que possuem operações indiretas automáticas com o Banco poderão solicitar a suspensão dos pagamentos de amortização e juros que seriam realizados de outubro a dezembro de 2020.

Já os microempreendedores que possuem operações do BNDES Microcrédito poderão suspender seus pagamentos por seis meses.

As empresas que possuem operações diretas ou indiretas não automáticas também poderão suspender pagamentos por seis meses.

Estão elegíveis para a suspensão do pagamento o transporte metroferroviário de passageiros, além de aeroportos e navegação de apoio, dentre outros.

Esses segmentos foram selecionados com base na lista de setores mais impactados pela pandemia da Covid-19 elaborada pelo Ministério da Economia, na análise de dados mais recentes da variação da arrecadação dos setores e na análise setorial do BNDES.

Completam a lista de setores econômicos: atividades esportivas e de recreação e lazer; audiovisual; edição; hotéis; fabricação de peças e acessórios para veículos automotores; construção de embarcações e estruturas flutuantes; tecidos, artigos de armarinho, vestuário e calçados; confecção de artefatos do vestuário e acessórios; impressão e reprodução de gravações; fabricação de móveis e indústrias diversas; e comércio de outros produtos em lojas especializadas.

As empresas passíveis de obter o benefício poderão solicitá-lo até o dia 30 de novembro de 2020. Nas operações diretas, o pedido de suspensão deve ser encaminhado ao BNDES. Em operações indiretas, a interrupção deverá ser negociada com o agente financeiro que concedeu o financiamento. O prazo total do crédito será mantido e não haverá a incidência de juros de mora durante o período de suspensão“, informa o BNDES.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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