ENTREVISTA – ÁUDIO: Márcio França promete uso do saldo do Bilhete Único para Uber, 99 e táxi

Publicado em: 6 de outubro de 2020

Candidato Marcio França em campanha na manhã desta terça-feira (06)

Proposta do candidato à Prefeitura de São Paulo é permitir que o valor remanescente dos cartões possa também ser utilizado no transporte individual. Tarifa zero aos domingos seria bancada por publicidade Candidato vai manter contratos atuais com viações, mas vai cobrar melhoria. Outra proposta é criar aplicativo integrado entre SPTrans e transportes metropolitanos

WILLIAN MOREIRA

Ouça:

O candidato à Prefeitura de São Paulo, Márcio França (PSB), em entrevista para o Diário do Transporte nesta terça-feira, 06 de outubro de 2020, falou sobre plano de governo para a área de mobilidade, caso seja eleito.

França propõe que o passageiro utilize o saldo do seu Bilhete Único, seja nas modalidades Vale-Transporte, Comum ou Estudante, por exemplo, para efetuar o pagamento de viagens em transporte individual por táxi ou aplicativos como Uber e 99.

Para o candidato é uma forma de incentivar o uso de outros meios de transporte e evitar a comercialização dos saldos remanescentes do Bilhete Único.

“Nós queremos que o saldo deste cartão [Bilhete Único], as pessoas possam utilizar tanto no ônibus como no Uber, no taxi, hoje ele não usa. Quando acaba ele [passageiro] quer vender em ponto de ônibus e queremos que ele use em Uber e táxi. Se ele economizar e quiser dois dias por mês pegar um taxi que pegue com o cartão dele”, explicou.

TARIFA ZERO AOS DOMINGOS:

Ainda sobre a tarifa, Márcio França disse como funcionará seu programa de tarifa zero aos domingos, chamado de “Domingo Legal”.

Por meio de propagandas vinculadas em monitores de TV dentro dos coletivos, as receitas desta publicidade custeariam a tarifa grátis dominicais, permitindo deslocamentos para compromissos familiares, estudos, atendimento em unidades de saúde, entre outros.

“As empresas vão arcar e subsidiar todo o domingo para todo mundo. É uma maneira simples, em um momento deste onde as pessoas tem dificuldade, elas possam visitar seus parentes, amigos, ir para aula já que teremos aulas aos sábados e domingos, para o pronto socorro, unidade de saúde”, detalhou.

CONTRATOS COM VIAÇÕES SERÃO MANTIDOS:

Já quanto aos contratos atuais das empresas que atuam no município, Marcio França não tem a intenção de rompê-los devido aos altos custos que seriam gerados por indenizações, mas pretende cobrar as adaptações já previstas nos veículos como instalar pontos de Wi-Fi, ar- condicionado e acessibilidade, itens, segundo o candidato, presentes em linhas mais centrais e não em ônibus que operam em regiões mais da periferia.

APLICATIVO INTEGRADO:

Outra proposta é a criação de um aplicativo integrado com Metrô e CPTM, mas voltado principalmente para o transporte municipal, informando localizações, lotação interna e que reembolse o passageiro quando forem efetuadas compras em estabelecimentos parceiros.

“A gente quer montar um aplicativo. Com esse aplicativo a SPTrans já tem todos os dados dos ônibus, lotação, fluxo, trem e Metrô. Porque estes dados não estão disponíveis no aplicativo para você saber da sua casa o horário que o ônibus está passando e você pode pegar ele um pouco antes dele passar, quer dizer este dado já existe é só disponibilizar, não é uma coisa tão complicada. E a gente quer com esse aplicativo criar um mecanismo que a pessoa possa ser reembolsada se ela adquirir coisas, produtos em São Paulo no caminho que ela for parando no ônibus, uma parte do que ela comprar ela reembolsa como credito para utilizar no transporte.”

CONTRATOS COM VIAÇÕES:

Sobre os contratos atuais com as empresas de ônibus, Marcio França disse que vai mantê-los porque rompimentos causariam impactos nos cofres públicos em razões de eventuais indenizações, mas disse que vai cobrar melhorias dos serviços, ainda mais nas periferias.

“Com relação aos contratos, foram feitos por muitos anos e qualquer rompimento de contrato significa indenizar as empresas e, portanto, isso não tem nenhum sentido. Teríamos que tirar bilhões de reais para isso. O que temos que fazer é exigir que o contrato seja cumprido pelas empresas. Muitas empresas não fizeram as adaptações dos ônibus com wi-fi, com acessibilidade, com ar-condicionado. Os ônibus centrais estão com isso, mas na periferia muitos ônibus antigos trabalhando do mesmo jeito.” – explicou

Por fim o candidato disse que tanto o Governo do Estado como Federal, poderiam zerar o ICMS de combustíveis, o que poderia causar uma redução dos custos operacionais do transporte entre 15 a 20%, impactando nos custos da tarifa.

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:

Comentários

  1. vagligeiro disse:

    Olha, me lembro que quando iniciou as discussões sobre o “Uber / 99 vs transporte público”, sempre se falou que “Uber não era transporte público, mas privado”.

    Acho que já 5 anos se passaram desde a bagunça. O Uber, 99 e similares transmutaram e tentam copiar a ideia de “ser parte do transporte público”. Isso, ao meu ver, já pegaria qualquer decisão antiga da justiça sobre eles e colocaria sob nova análise.

    Eu vou ser sincero: eu sou muito mais a favor de criar um sistema único de pagamentos para o transporte público brasileiro, de forma que os créditos no transporte sejam usados em QUALQUER CIDADE. E o máximo de modal “particular” permitido seria os táxis, devido a eles ainda estarem sobre regras antigas, e por tal, sob o cunho do mantra “transporte – dever do estado”.

    No caso de saldo remanescente do Bilhete, acharia interessante também se fosse possível a migração do crédito para outro tipo de bilhete, caso ainda se mantenha na teimosia dos bilhetes serem de função municipal, ao invés de ao menos regional ou estadual. Por exemplo, migra-se o saldo para o BOM ou para uma cidade na qual a pessoa vai residir. Bilhetes subsidiados (Estudantes e Idosos), por sua vez, não teriam direito a migração de crédito. Vale Transporte acho que deveria ser caso a parte – o saldo remanescente deveria ser devolvido ao usuário ou a empresa em caso de desligamento ou excesso de créditos.

    O mal do Bilhete Ùnico (ou de sistemas similares) é que geralmente eles são centrados no município de operação. A ideia do BOM, abrangida pela EMTU, ao meu ver, foi melhor elaborada pois permite o uso do bilhete em cidades da região e com isso priorizar o uso do transporte público. Com isso, o uso do bilhete seria mais constante, e permitiria um sistema unificado e mais abrangente de pagamentos, dado que no modo atual, a rede de pagamentos acaba enxuta demais, defasando a possibilidade de recarga nas Regiões Metropolitanas.

    1. Marcos disse:

      Concordo!
      A Uber conseguiu na justiça liminar exatamente pelo fato de se dizer carona, e não transporte remunerado!
      Essa papagaida de plataforma de tecnologia, é tudo mentira!
      Se fosse para autorizar transporte qualquer tipo de transporte por plataforma de tecnologia ,já existia empresas nacionais!
      Eu fui taxista muitos anos e lembro que já existia varias pequenas empresas que ofereciam esse serviço desde o telefone, Bip, radio ou isso não é plataforma de tecnologia? e nunca nem um juiz deu qualquer liminar favorável, e sempre foram tratados como clandestinos e apreendidos!
      Se essas empresas aceitarem participar ativamente do sistema de transporte, (caso aceitem receber pelo bilhete eletrônico) vai descaracterizar totalmente aquela liminar que permitiu que eles atuassem no Brasil!
      Agora quanto ao saldo dos bilhetes, acho impossível dar outra destinação visto que esse dinheiro já está vinculado ao transporte coletivo da cidade, se tirar esse dinheiro, teria de aumentar o subsidio!
      Se sobra credito no cartão, o funcionário é que teria de informar ao empregador para não colocar mais, talvez negociando o desconto em folha, sei lá!
      Mas não cabe devolução, pois o transporte publico oferecido é calculado sob demanda, e o ônibus deve que dar as partidas, então não tem como, o custo já houve!

Deixe uma resposta