Empresas de ônibus rodoviários demitem 22 mil trabalhadores e acreditam em normalidade do setor só no primeiro semestre de 2021

Publicado em: 18 de setembro de 2020

Ônibus rodoviários regulares prejudicados, mas protocolos de higiene podem garantir mais confiança do passageiro.

Companhias dizem que atualmente, maior entrave é o transporte clandestino, que cresceu 30% com a proibição de destinos por causa da pandemia de Covid-19.

ADAMO BAZANI

O segmento de ônibus rodoviários interestaduais só deve começar a registrar no primeiro semestre de 2021 uma recuperação de fato dos efeitos da crise econômica gerada pela Covid-19.

A estimativa é da Abrati – Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros.

As companhias de ônibus, de acordo com a associação, tiveram de demitir neste ano de 2020 mais de 22 mil trabalhadores dos cerca de 70 mil que empregava antes da pandemia.

Uma reação positiva já está sendo sentida pelo setor neste mês de setembro, com a retomada gradativa das atividades econômicas, mas de acordo com a conselheira da entidade, Letícia Pineschi, o reflexo das perdas econômicas para o setor vai perdurar até o fim do ano.

Para reagir e reconquistar os passageiros, a executiva diz que as companhias estrão atuando em diversas frentes, como aumento da segurança sanitária para reduzir o risco de contágio pela Covid-19 nas viagens; promoções com descontos nos valores das passagens e parceiras com outros setores, como de hotelaria.

Recentemente, o Diário do Transporte noticiou uma parceria de descontos de valores de passagens e estadias entre o Grupo Guanabara, de empresas como UTIL, Sampaio, Real Expresso, Expresso Guanabara e Brisa, e a rede de hotéis Intercity.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/08/31/grupo-guanabara-faz-parceria-com-rede-de-hoteis-intercity-e-espera-crescimento-na-retomada-do-turismo/

Quanto à segurança sanitária, as companhias de ônibus dizem que estão investindo em pesquisas de novos produtos para sanitização dos veículos e em campanhas de conscientização dos passageiros sobre uso de máscaras e outros cuidados, como disponibilização de álcool em gel e medição de temperatura de funcionários e usuários.

Em relação às promoções, a executiva disse que, além de colaborar para a recuperação das empresas, as passagens com preço reduzido podem ser uma oportunidade para quem precisa se deslocar, mas teve a renda afetada pela Covid-19

“Estamos nos esforçando para mesmo num contexto de faturamento já reduzido, mantermos um lote de passagens em promoções, visando acolher a população economicamente abalada pela pandemia”

TRANSPORTE CLANDESTINO:

A Abrati estima que com a pandemia de Covid-19 e as proibições de viagens regulares, o transporte com ônibus clandestinos cresceu 30% neste ano.

“Infelizmente, a maioria das pessoas desconhece a diferença entre o transporte regular e o clandestino. E nem sempre o veículo irregular é um ônibus velho, caindo aos pedaços. Há organizações que têm investido robustamente no transporte clandestino, em detrimento da arrecadação fiscal e de postos formais de emprego”, alerta e dá dicas para que o passageiro não se engane. “Todo ônibus regular só parte de terminais rodoviários e são os únicos que garantem a partida, independente da frequência mínima”, reforça a conselheira em nota.

O Diário do Transporte tem mostrado que a ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres tem realizado uma série de bloqueios e apreensões com a Operação Pascal.

Somente neste ano, quase 800 ônibus irregulares foram apreendidos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Joao Luís Garcia disse:

    Muito triste vermos um setor como o Transporte Rodoviário de Passageiros chegar a essa constatação, afinal trata-se de um setor extremamente bem avaliado pelos usuários mas que infelizmente vem sofrendo com o transporte clandestino há anos e que agora juntou-se à Pandemia para tornar a situação muitos mais crítica, os órgãos gestores sempre não deram a devida importância no combate ao transporte irregular e clandestino e as empresas foram obrigadas a assumirem todos os custos da falta de regulação do setor que vemos atualmente.

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