Santa Catarina institui grupo de trabalho para integrar sistemas de ônibus do Médio Vale

Publicado em: 5 de setembro de 2020

Ônibus em Brusque, um dos municípios da região

Entre os objetivos estão bilhetagem única e complementariedade entre as linhas

ADAMO BAZANI

A Agir – Agência Intermunicipal de Regulação do Estado de Santa Catarina publicou nesta semana uma resolução para criar um grupo de trabalho com o objetivo de integrar os sistemas de ônibus das cidades do Médio Vale do Itajaí.

A proposta de integração é antiga e, entre os objetivos, está a criação de uma bilhetagem única que possa ser usada em todas as cidades participantes.

Além disso, uma gestão integrada dos sistemas de transportes pode criar uma rede de linhas que se complementam.

Há ainda muitas sobreposições de linhas em algumas regiões e ao mesmo tempo, “buracos” na rede de transportes, sem a possibilidade de conexão entre os itinerários.

Apiúna, Blumenau, Brusque, Gaspar, Guabiruba, Indaial, Pomerode, Rio dos Cedros e Timbó são cidades que demonstraram interesse na integração, mas outros municípios também podem fazer parte dos estudos se quiserem.

Os estudos preliminares deste grupo de trabalho devem ficar prontos até o fim deste ano de 2020.

A integração do gerenciamento e operação dos sistemas municipais e metropolitanos é apontada por especialistas como a solução mais eficaz para que as tarifas sejam mais baixas e as redes de linhas atendam de uma maneira mais ampla a população.

O barateamento das tarifas viria pela racionalização dos sistemas, eliminado sobreposições, mas desde que os ajustes das linhas não representem longas e cansativas trocas de ônibus e a necessidade de pagar mais de um passagem nestas baldeações.

É o que ocorre, por exemplo, na Grande São Paulo. Como não há uma gestão integrada entre SPTrans – São Paulo Transporte (capital paulista) e EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (linhas metropolitanas), na maior parte das vezes em que há cortes de linhas sob a alegação de “racionalização”, sobra para o passageiro, que em vários casos, tem de trocar de ônibus no meio da viagem sem uma estrutura física básica para isso e tendo de pagar mais de uma tarifa.

SPTrans usa uma bilhetagem (Bilhete Único) e a EMTU outra totalmente diferente (Cartão BOM).

As duas não se “conversam”.

Em alguns outros locais do País, a integração regional de transportes avançou, como é o caso do Transcol da Grande Vitória, no Espírito Santo.

A bilhetagem eletrônica foi unificada iniciando com Vila Velha e a capital Vitória.

Um trabalho como mais de 40 especialistas do IE – Instituto de Engenharia de São Paulo apontou como caminho para melhorar a prestação de serviços em áreas urbanas a criação de uma Autoridade ou Governança Metropolitana de Transportes para que as linhas se complementem e não haja decisões conflitantes entre diferentes prefeitos e empresários de ônibus que possam atrapalhar os avanços das integrações.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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