Decisão judicial determina frota integral da empresa nas ruas. Prefeito de Mauá não descarta romper contrato com a Suzantur. Atila ainda disse que se houver um novo processo de licitação e se a Leblon Transporte quiser, poderá concorrer
ADAMO BAZANI
OUÇA: – Sobre possibilidade da volta da Leblon e quebra do Monopólio dos Transportes:
OUÇA: Sobre lotação, frota e atrasos:
O prefeito de Mauá, Atila Jacomussi, disse na tarde desta quinta-feira, 03 de setembro de 2020, em entrevista coletiva acompanhada pelo Diário do Transporte, que a Suzantur será multada pela gestão caso não cumpra a decisão judicial de colocar 100% da frota.
A companhia de ônibus tem até 23h59 de sexta-feira, 04, para cumprir a decisão.
“No dia 05 vamos acompanhar toda a operação e se a Suzantur não cumprir a decisão, vai ser multada. É decisão judicial e terá de cumprir” – disse o prefeito.
Como mostrou o Diário do Transporte, a empresa de ônibus entrou na Justiça contra a determinação de 100% da frota por parte da prefeitura, mas o juiz Rodrigo Soares, da 5ª Vara Cível negou a ação da empresa de ônibus.
A gestão justifica a necessidade de 100% da frota para evitar a disseminação da Covid-19, uma vez que os ônibus, segundo Atila, estão lotados.
O prefeito disse que não será dado nenhum tipo de subsídio à operação do transporte. A empresa alega que a demanda ainda está abaixo do habitual e que haveria desequilíbrio financeiro do sistema com a integralidade da frota.
“Eles (Suzantur) já receberam subsídio do Governo Federal. E a prefeitura foi fiadora deles na compra de 150 ônibus novos” – disse Átila.
O subsídio a que se referiu o prefeito é um financiamento pelo Refrota, um programa do Governo Federal, para compra de ônibus novos e não para operação das linhas. Foram adquiridos 153 veículos novos com o programa sendo contratado em 2018.
PDV:
Atila Jacomussi criticou também um PDV – Programa de Demissão Voluntária aberto pela empresa.
Para Jacomussi, o programa seria uma espécie de justificativa da Suzantur para não cumprir a determinação de 100% da frota, passando uma ideia de dificuldades financeiras.
“Vemos com tristeza o PDV da Suzantur. E eu falo para os motoristas e outros funcionários:não aceitem o PDV. A Suzantur está colocando em risco a vida dos seus funcionários em ônibus lotados. Não aceitamos o PDV como artifício para justificar não colocar 100% da frota” – disse o prefeito.
“A Suzantur não tem dificuldade. Ela tem um lucro alto por quilômetro rodado. O trabalhador paga e paga alto”
QUEBRA DE MONOPÓLIO:
Atila Jacomussi estuda quebrar o monopólio dos transportes de Mauá.
Entre 2010 e 2014, operavam duas empresas: a VCM – Viação Cidade de Mauá, de Baltazar José de Sousa, e a Leblon Transporte, da família Isaak, do Paraná.
Durante a gestão do ex-prefeito Donisete Braga, ambas as empresas foram descredenciadas por supostas consultas não autorizadas pela prefeitura do sistema de bilhetagem eletrônica. Não foram comprovadas fraudes e a então corregedora do município, Thais de Almeida Miana, recomendou uma melhor investigação antes de qualquer atitude, o que não foi acatado por Donisete Braga que continuou o processo de descredenciamento. O caso ainda está na Justiça.
A Leblon Transporte chegou a ter 95% de aprovação dos passageiros de acordo com uma pesquisa de 2012 da própria prefeitura.
“A Suzantur é uma empresa que o povo tem desconfiança. A população dormiu com a Leblon e acordou com a Suzantur. A Suzantur entrou pela porta dos fundos, começou com ônibus sucateados e só renovou depois. Foi muito estranha toda aquela situação. As fraudes não foram comprovadas”
O prefeito não descarta quebrar o monopólio da empresa Suzantur e afirmou que há indícios de descumprimento de contrato que, uma vez comprovados e não corrigidos, podem justificar o rompimento da concessão da Suzantur.
O prefeito não detalhou quais seriam essas irregularidades, mas disse que toda a equipe técnica da Secretaria Municipal de Transportes já está com as apurações em andamento.
VOLTA DA LEBLON:
Sobre uma possível volta da empresa Leblon Transporte à cidade de Mauá, Atila Jacomussi disse que se caso houver uma nova licitação do sistema e a companhia paranaense quiser, poderá disputar como qualquer outra.
O prefeito, entretanto, ressaltou que uma possível nova concessão vai prever duas ou mais empresas de ônibus em lotes operacionais diferentes.
OUTRO LADO:
O Diário do Transporte entrou em contato com o proprietário da Suzantur, Claudinei Brogliato, que disse que o PDV não possui nenhuma relação com a determinação de quantidade de frota.
“Isso é uma possibilidade para aqueles que não querem retornar, como os que formam grupo de risco para o coronavírus, aposentados entre outros. Várias empresas então fazendo. Não tem relação com frota” – disse Claudinei.
Sobre as outras declarações de Atila, o empresário não quis comentar, mas afirmou que ainda a demanda de passageiros está abaixo do total de antes da pandemia de Covid-19.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
