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ÁUDIO: Atila diz que pode multar Suzantur de Mauá, critica PDV da empresa e ainda fala que estuda quebra de monopólio dos transportes

Prefeito diz que equipe apura possíveis descumprimentos de contrato por parte da Suzantur

Decisão judicial determina frota integral da empresa nas ruas. Prefeito de Mauá não descarta romper contrato com a Suzantur. Atila ainda disse que se houver um novo processo de licitação e se a Leblon Transporte quiser, poderá concorrer

ADAMO BAZANI

OUÇA: – Sobre possibilidade da volta da Leblon e quebra do Monopólio dos Transportes:

https://diariodotransporte.com.br/wp-content/uploads/2020/09/ADAMO-ATILA.mp3?_=1

OUÇA: Sobre lotação, frota e atrasos:

https://diariodotransporte.com.br/wp-content/uploads/2020/09/2adamo-atila-LEBLON-ABC.mp3?_=2

O prefeito de Mauá, Atila Jacomussi, disse na tarde desta quinta-feira, 03 de setembro de 2020, em entrevista coletiva acompanhada pelo Diário do Transporte, que a Suzantur será multada pela gestão caso não cumpra a decisão judicial de colocar 100% da frota.

A companhia de ônibus tem até 23h59 de sexta-feira, 04, para cumprir a decisão.

“No dia 05 vamos acompanhar toda a operação e se a Suzantur não cumprir a decisão, vai ser multada. É decisão judicial e terá de cumprir” – disse o prefeito.

Como mostrou o Diário do Transporte, a empresa de ônibus entrou na Justiça contra a determinação de 100% da frota por parte da prefeitura, mas o juiz Rodrigo Soares, da 5ª Vara Cível negou a ação da empresa de ônibus.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2020/09/01/justica-determina-retorno-de-100-da-frota-dos-onibus-em-maua/

A gestão justifica a necessidade de 100% da frota para evitar a disseminação da Covid-19, uma vez que os ônibus, segundo Atila, estão lotados.

O prefeito disse que não será dado nenhum tipo de subsídio à operação do transporte. A empresa alega que a demanda ainda está abaixo do habitual e que haveria desequilíbrio financeiro do sistema com a integralidade da frota.

“Eles (Suzantur) já receberam subsídio do Governo Federal. E a prefeitura foi fiadora deles na compra de 150 ônibus novos” – disse Átila.

O subsídio a que se referiu o prefeito é um financiamento pelo Refrota, um programa do Governo Federal, para compra de ônibus novos e não para operação das linhas.  Foram adquiridos 153 veículos novos com o programa sendo contratado em 2018.

PDV:
Atila Jacomussi criticou também um PDV – Programa de Demissão Voluntária aberto pela empresa.

Para Jacomussi, o programa seria uma espécie de justificativa da Suzantur para não cumprir a determinação de 100% da frota, passando uma ideia de dificuldades financeiras.

“Vemos com tristeza o PDV da Suzantur. E eu falo para os motoristas e outros funcionários:não aceitem o PDV. A Suzantur está colocando em risco a vida dos seus funcionários em ônibus lotados. Não aceitamos o PDV como artifício para justificar não colocar 100% da frota” – disse o prefeito.

“A Suzantur não tem dificuldade. Ela tem um lucro alto por quilômetro rodado. O trabalhador paga e paga alto”

QUEBRA DE MONOPÓLIO:

Atila Jacomussi estuda quebrar o monopólio dos transportes de Mauá.

Entre 2010 e 2014, operavam duas empresas: a VCM – Viação Cidade de Mauá, de Baltazar José de Sousa, e a Leblon Transporte, da família Isaak, do Paraná.

Durante a gestão do ex-prefeito Donisete Braga, ambas as empresas foram descredenciadas por supostas consultas não autorizadas pela prefeitura do sistema de bilhetagem eletrônica. Não foram comprovadas fraudes e a então corregedora do município, Thais de Almeida Miana, recomendou uma melhor investigação antes de qualquer atitude, o que não foi acatado por Donisete Braga que continuou o processo de descredenciamento. O caso ainda está na Justiça.

A Leblon Transporte chegou a ter 95% de aprovação dos passageiros de acordo com uma pesquisa de 2012 da própria prefeitura.

 “A Suzantur é uma empresa que o povo tem desconfiança. A população dormiu com a Leblon e acordou com a Suzantur. A Suzantur entrou pela porta dos fundos, começou com ônibus sucateados e só renovou depois. Foi muito estranha toda aquela situação. As fraudes não foram comprovadas

O prefeito não descarta quebrar o monopólio da empresa Suzantur e afirmou que há indícios de descumprimento de contrato que, uma vez comprovados e não corrigidos, podem justificar o rompimento da concessão da Suzantur.

O prefeito não detalhou quais seriam essas irregularidades, mas disse que toda a equipe técnica da Secretaria Municipal de Transportes já está com as apurações em andamento.

VOLTA DA LEBLON:

Leblon operava linha mais movimentada com ônibus articulados

Sobre uma possível volta da empresa Leblon Transporte à cidade de Mauá, Atila Jacomussi disse que se caso houver uma nova licitação do sistema e a companhia paranaense quiser, poderá disputar como qualquer outra.

O prefeito, entretanto, ressaltou que uma possível nova concessão vai prever duas ou mais empresas de ônibus em lotes operacionais diferentes.

OUTRO LADO:

O Diário do Transporte entrou em contato com o proprietário da Suzantur, Claudinei Brogliato, que disse que o PDV não possui nenhuma relação com a determinação de quantidade de frota.

“Isso é uma possibilidade para aqueles que não querem retornar, como os que formam grupo de risco para o coronavírus, aposentados entre outros. Várias empresas então fazendo. Não tem relação com frota” – disse Claudinei.

Sobre as outras declarações de Atila, o empresário não quis comentar, mas afirmou que ainda a demanda de passageiros está abaixo do total de antes da pandemia de Covid-19.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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