Prefeitura de SP autoriza uso de Fundo Municipal em corredores de ônibus e ciclovias para deixar deslocamentos mais seguros em época de Covid-19

Além disso, secretaria de Mobilidade e Transportes alega que medida pode gerar empregos e movimentar economia

ADAMO BAZANI/ALEXANDRE PELEGI

A requalificação de corredores de ônibus e novas ciclovias deve receber mais atenção da prefeitura de São Paulo para reduzir os riscos de contágio pela Covid-19 nos deslocamentos pela cidade.

A SMT – Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes autorizou o uso de recursos do FMD – Fundo Municipal de Desenvolvimento Social para estes dois fins.

A publicação oficial com a autorização ocorreu neste sábado, 15 de agosto de 2020.

Diversas cidades pelo mundo já tomaram iniciativas semelhantes.

Quanto aos corredores, a lógica é provar que os ônibus não são os vilões da pandemia e que podem oferecer transporte seguro do ponto de vista das contaminações, desde que, além de medidas como higienização intensa, seja oferecida uma infraestrutura melhor para que as viagens sejam mais rápidas e menos lotadas.  Em grande parte das vezes, a lotação não tem relação apenas com a quantidade de ônibus nas linhas, mas com a fluidez das viagens. Em muitos casos, os coletivos ficam presos nos congestionamentos e não conseguem cumprir os intervalos programados por falta de espaços exclusivos ou, ao menos, preferenciais.

Como mostrou o Diário do Transporte, em Nova Iorque, mesmo antes da gratuidade nos ônibus oferecida pela prefeitura aos cidadãos para desafogar o metrô, o sistema sobre pneus já estava ganhando mais passageiros porque o poder público investiu em prioridade ao transporte coletivo com criação de faixas e preferência nos cruzamentos com ajustes nos semáforos inteligentes.

Relembre:

Ônibus tem atraído mais passageiros que metrô em Nova Iorque e é visto como solução na retomada em meio à pandemia

Já quanto às ciclovias, o intuito das cidades é reduzir a lotação do transporte público e até mesmo o uso de carros nos pequenos e médios deslocamentos. A lógica não é tirar passageiro dos ônibus, trólebus, trens, metrôs e VLTs, mas distribuir melhor a demanda.

Há exemplos de expansão das malhas cicloviárias em meio à pandemia em cidades como Bogotá (Colômbia), que permitiu que 117 quilômetros de ciclovias de lazer, que funcionavam somente aos domingos, também abrissem durante a semana. A prefeita de Bogotá, Claudia Lopez, criou 84 novos quilômetros de ciclovias para compensar a restrição de passageiros nos ônibus do TransMilenio. E ela promete aumentar o total de faixas para ciclistas em 50% até o fim do mandato.

Ainda na América do Sul, Buenos Aires (Argentina), Lima (Peru), Belo Horizonte (Brasil) e Vitória (Brasil) também anunciaram ampliação nos espaços para ciclistas. Na Europa, há investimentos em ciclovias ocorrendo em Milão (Itália), que foi um dos epicentros da doença; Paris (França), Berlim (Alemanha), Barcelona (Espanha) e Londres (Inglaterra), onde mais do que esvaziar o transporte coletivo, o objetivo principal é evitar o uso excessivo do automóvel, impedindo altos níveis de poluição.

A SMT justifica ainda o uso de parte dos recursos dos fundos à possibilidade de geração de empregos e movimentação econômica com as ações de reforma dos corredores e criação das ciclovias.

Já sobre as ciclovias, a prefeitura também aponta a necessidade do distanciamento social.



Adamo Bazani e Alexandre Pelegi, jornalistas especializados em transportes

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