Lucro líquido da Marcopolo cai 98,6% no segundo trimestre. Recuperação a partir de outubro

Publicado em: 3 de agosto de 2020

Ônibus urbano Marcopolo. Categoria representou 704 unidades produzidas no segundo trimestre. Foro Arquivo – Ilustrativa

Números são resultados da pandemia da Covid-19 que afetou o mercado de transportes. Produção caiu 45,7%

ADAMO BAZANI

Colaborou Jessica Marques

A fabricante de carrocerias de ônibus Marcopolo registrou queda de 98,6% no lucro líquido do segundo trimestre de 2020 em comparação ao mesmo período de 2019.

O dado que foi divulgado a investidores nesta segunda-feira, 03 de agosto de 2020, refletem a crise gerada pela pandemia da Covid-19 no setor de transportes.

Enquanto que no segundo trimestre do ano passado o lucro líquido foi de R$ 90,9 milhões, neste ano, o intervalo entre março e junho registrou lucro líquido de R$ 1,3 milhão.

Já a Receita Líquida teve queda de 30,1% no segundo trimestre de 2020, com R$ 798,5 milhões no período. No segundo trimestre de 2019, a Receita Líquida foi de R$ 1,14 bilhão. O Ebtida, que é o lucro antes de contabilizar os impostos, juros, depreciações e amortizações, foi de R$ 40,9 milhões no segundo trimestre de 2020, resultado 61,3% menor que os R$ 105,5 milhões  do primeiro trimestre de 2019.

A Produção Total da Marcopolo atingiu 2.335 unidades no segundo trimestre de 2020, o que significa que caiu 45,7% inferior em relação aos 4.302 veículos de transportes coletivos fabricados no segundo trimestre de 2019.

Do total produzido pela Marcopolo, 1.742 unidades foram para o mercado interno; 336 exportadas montadas; 36 em CKD (desmontadas). Assim, as plantas da Marcopolo no Brasil fabricaram 2.042 ônibus. No exterior, as plantas produziram 293 unidades, sendo 161 no México; 93 na Austrália; 24 na África do Sul e 15 na China.

Das 1742 unidades feitas para o mercado interno, 704 foram carrocerias urbanas; 356 para micro-ônibus; 244 rodoviários; além de 438 unidades do miniônibus Volare.

CAMINHO DA ESCOLA E FRETAMENTO:

No comunicado aos investidores, a Marcopolo enfatiza que foram os segmentos de fretamento e do Caminho da Escola que sustentaram a maior parte das vendas neste período de pandemia.

No mercado interno, a demanda por novos ônibus vem sendo impactada principalmente nos setores de turismo, linhas rodoviárias interestaduais e internacionais, transporte escolar e transporte público urbano, com desdobramentos em todos os segmentos de produto da Companhia. As atividades de fretamento, linhas rodoviárias intermunicipais e vendas públicas, principalmente no âmbito do programa federal Caminho da Escola, seguem sustentando vendas de rodoviários leves, urbanos, Volares e micros. No trimestre, a Companhia entregou 724 unidades vinculadas ao programa Caminho da Escola, destes 271 micros, 380 urbanos e 73 modelos Volare, e o ritmo de entregas deve se acelerar no 3T20. As exportações vêm mostrando um melhor desempenho na comparação com o mercado brasileiro em função da desvalorização cambial e do bom momento nas entregas ao continente africano. O menor volume de unidades segue sendo parcialmente compensado pela maior rentabilidade das operações, considerando o atual patamar do câmbio. A Companhia observa que as exportações devem aumentar novamente a partir do 4T20, tendo em conta a sazonalidade do período e novas entregas para a África. Nesse contexto, as duas plantas localizadas em Caxias do Sul (Ana Rech e San Marino) seguem trabalhando com aproximadamente 50% da mão-de-obra, enquanto a planta de São Mateus, ES, consolida-se como fabricante de ônibus urbanos, com entrega de 281 unidades no 2T20 (versus 138 no 2T19). Para compensar o menor volume de rodoviários destinados ao mercado interno a unidade de Ana Rech segue produzindo urbanos para exportação.

BISAFE E CORTE DE CUSTOS PARA RECONQUISTAR MERCADO:

A Marcopolo disse ainda no comunicado que atua em duas frentes para recuperar parte do mercado.

Uma delas é reduzir custos adequando a demanda à produção.

A outra é investir no pacote BioSafe para as empresas de ônibus que querem retomar a demanda convencendo os passageiros que estão investindo para que haja maior segurança no transporte contra a Covid-19.

Como resposta a esse cenário, a Companhia rapidamente concentrou esforços em duas grandes frentes: adequação de custos e preservação de caixa, e desenvolvimento de alternativas que viabilizem a seus clientes voltarem a operar com segurança. Na ponta das despesas, a Marcopolo vem mantendo aproximadamente 50% de seus colaboradores no Brasil em regime de suspensão do contrato de trabalho e ou redução de jornada. Nas operações internacionais, a mão-de-obra vem sendo ajustada para refletir as atuais condições de mercado. A Companhia segue reduzindo despesas não obrigatórias e revendo processos que permitam economias. No que tange ao caixa, metas agressivas de redução de capital de giro foram adotadas, e o pagamento de proventos e a realização de investimentos para novos projetos seguem contingenciados, permitindo estimar eventual reversão da atual condição de consumo de caixa nos próximos trimestres. Quanto à recuperação da demanda, a Companhia vem sendo pioneira no desenvolvimento de soluções inovadoras, alcançando aos seus clientes a oportunidade de voltarem a operar com segurança e propiciando aos usuários finais dos serviços de transporte coletivo a confiança de que ao viajarem terão condições sanitárias adequadas. Entre os produtos lançados pela Companhia no 2T20 destacamos a nova configuração de poltronas 1x1x1, com maior distanciamento entre os passageiros, lâmpadas ultravioletas para desinfecção dos sanitários e do ar, através da circulação no ar-condicionado, acionamento de luzes de leitura sem necessidade do toque, revestimentos em tecidos apropriados para desinfecção, proteções para motoristas e cobradores, entre outros. Essas iniciativas vêm sendo bem recepcionadas pelo mercado, com parte das carrocerias produzidas a partir de junho sendo equipadas com componentes da Marcopolo Biosafe. A Companhia passou também a oferecer serviços de biossegurança via tecnologia Fog in Place, que aplica uma névoa atóxica no interior do ônibus desinfetando o ambiente sem deixar poltronas úmidas e não interferindo no funcionamento de equipamentos eletroeletrônicos internos.

OUTUBRO DEVE HAVER RECUPERAÇÃO:

A Marcopolo estima para outubro o início mais efetivo da recuperação dos volumes de vendas, a começar pelas exportações, já que em diversos países, a abertura econômica tem ocorrido antes que no Brasil.

Esse conjunto de ações, associado ao alongamento da carteira pela redução da produção diária, vem permitindo à Companhia atravessar o período mais crítico da crise com equilíbrio de resultados mesmo com a queda acentuada de novos pedidos. A demanda vem se recuperando desde maio e, mantido o ritmo atual de produção, temos entregas previstas até a primeira quinzena de setembro. A partir de outubro espera-se uma recuperação de volumes por conta de encomendas já efetivadas, especialmente em exportações, bem como em função do arrefecimento da pandemia e reabertura gradual das cidades, já iniciada na grande maioria dos países. Todos os dias, milhões de pessoas utilizam o ônibus como principal meio de transporte entre suas residências e o trabalho, em pouco tempo o turismo, especialmente regional, retornará, juntamente com o transporte escolar e viagens interestaduais e internacionais. Pensando nisso, a Marcopolo segue adotando uma postura propositiva, como protagonista no desenvolvimento de tecnologias que possam priorizar e garantir a segurança dos usuários e respaldem a volta de nossos clientes ao novo normal.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Jessica Marques

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