Biguaçu Transportes entra em processo de recuperação judicial

Publicado em: 30 de julho de 2020

Devido à crise, 160 funcionários da empresa foram demitidos. Foto: João Santana / Ônibus Brasil.

Empresa de ônibus opera 72 linhas na Região Metropolitana de Florianópolis

JESSICA MARQUES

A Biguaçu Transportes entrou em processo de recuperação judicial. A empresa de ônibus opera 72 linhas na Região Metropolitana de Florianópolis, em Santa Catarina.

Em entrevista ao Diário do Transporte nesta quinta-feira, 30 de julho de 2020, o diretor da empresa, Léo Xavier, afirmou que a decisão foi tomada por conta da crise resultante da pandemia de Covid-19.

“Se não fosse a pandemia, a empresa não tomaria essa medida e estamos tomando exclusivamente para nossa proteção e para que a gente possa buscar a perpetuidade de nossa atividade”, afirmou.

De acordo com Xavier, a operação não será afetada pela decisão. Assim, os ônibus devem circular normalmente quando autorizados pelo Governo do Estado.

Atualmente, a circulação do transporte coletivo está suspensa por decreto estadual, conforme noticiado pelo Diário do Transporte.

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DIFICULDADE FINANCEIRA

Ainda segundo Xavier, a recuperação judicial é uma ferramenta para a negociação de dívidas com credores. O objetivo é priorizar encargos trabalhistas em vez de financiamentos e outros compromissos financeiros.

“A ferramenta serve como uma espécie de blindagem para a empresa, dentro dos créditos que outros stakeholders possam ter. De março a julho, ficamos sem pagar bancos e fornecedores. Temos blindagem por seis meses a um ano para o não pagamento em tais situações, como financiamento, por exemplo”, explicou.

“Há um mito de que a empresa está falindo e os diretores vão sair, mas não tem nada disso. A recuperação judicial é para a proteção da empresa“, afirmou também.

O pedido de recuperação judicial foi feito pela empresa em 07 de julho de 2020. No dia 13, a empresa recebeu a confirmação do juiz da Vara Regional de Recuperações Judiciais, Falências e Concordatas, Luiz Hennrique Bonatelli. Ainda segundo o diretor, os credores estão sendo notificados da decisão.

“É uma dificuldade que não atinge só a empresa Biguaçu, mas todas. Existe uma negociação entre os sindicatos patronal e dos trabalhadores para adequações dentro dos custos, especialmente relacionados à parte trabalhista. Mais do que tudo, essa questão de estarmos parados esse tempo todo dificulta ter uma perspectiva de quando e quanto vai se pagar”, afirmou o diretor da empresa.

DEMISSÕES

Em 06 de julho, a empresa demitiu 160 funcionários. Atualmente, são 590 rodoviários prestando serviços para a Biguaçu.

Por conta das demissões, um protesto impediu a circulação dos ônibus da empresa por uma semana.

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“Vi em muitos lugares o poder público dando um apoio mínimo às empresas e aqui isso não existiu e não existe de forma alguma. Se houvesse esse apoio, a gente não demitiria as pessoas e não entraria com esse pedido. Talvez seja uma tendência das outras empresas a solicitar recuperação judicial também”, afirmou também o diretor da empresa.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

 

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Comentários

  1. MARIA DE LOURDES DA SILVA BITTENCOURT disse:

    Super APOIO…Quando fazíamos greve,qualquer juiz mandava voltar ao trabalho,porque se tratava de serviço ESSENCIAL…E agora não é mais????….MUITAS FAMILIAS PREJUDICADAS…MUITASSSSS….DE TODAS AS EMPRESAS DE TRANSPORTE…VERGONHA…E NEGLIGÊNCIA DO GOVERNO E ÓRGÃOS RESPONSÁVEIS, UMA VEZ QUE AA FAMÍLIAS DOS COLABORADORES DAS EMPRESAS EATAO SENDO PREJUDICADOS.

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