Metrô anuncia corte de 10% de salários e metroviários de São Paulo podem entrar em greve na terça-feira (28)

Publicado em: 24 de julho de 2020

Segundo entidade, comunicado chegou por mensagem eletrônica aos funcionários quase à meia noite de quinta-feira

ADAMO BAZANI/WILLIAN MOREIRA

A cidade de São Paulo corre o risco de ficar sem metrô na próxima terça-feira, 28 de julho de 2020.

Em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira, 24, o Sindicato dos Metroviários, que já estava ameaçando uma paralisação desde junho contra cortes em direitos trabalhistas, disse que a “gota d’agua” foi uma mensagem que a companhia do Metrô de São Paulo enviou a cada um dos trabalhadores relatando corte de 10% de salários.

“Não avançaram as negociações. O Metrô manteve intransigência e companhia nos pegou de surpresa anunciando reduzir 10% salários de todos os metroviários. Além disso, o Metrô não está fazendo propostas para o Sindicato, mas ou no Tribunal do Trabalho ou direto da categoria.” – disse o coordenador da entidade trabalhista, Wagner Fajardo.

“Os trabalhadores foram avisados por e-mail ontem [quinta-feira, 23 de julho de 2020] às 23h35. Não houve nenhuma informação sobre redução de jornada de trabalho proporcional e tem quanto tempo duraria essa redução” – completou a também coordenadora do sindicato, Camila Lisboa.

Na segunda-feira, 27 de julho, deve ocorrer uma audiência no TRT – Tribunal Regional do Trabalho para tentativa de um acordo, podendo haver pelo juízo dissídio de greve ou dissídio econômico.

Entre 19h e 21h, o Sindicato deve realizar uma assembleia virtual com base no que for discutido no TRT para decidir se haverá greve ou não.

Segundo Wagner Fajardo, a MP 936, do Governo Federal, que prevê redução de salário proporcional à redução de jornada de trabalho, não se aplica aos metroviários das linhas estatais pelo fato de o Metrô de São Paulo ser de economia mista, não privada.

O coordenador Altino dos Prazeres defendeu um subsídio ao Metrô pelo fato de os transportes serem serviços essenciais.

“Não se deve depender somente da tarifa. Em capitais, os ônibus, que são privados, são subsidiados. O metrô deve ser também” – disse.

Uma das alternativas de “protesto” é de, no dia previsto para a greve, abrir as catracas, sem cobrar tarifas, de acordo com Fajardo.

O Sindicato pede ainda o corte dos “superssalários” da companhia, principalmente da diretoria. Seriam em torno de 400 funcionários nesta situação;

A entidade sindical diz que vem buscando negociar com o Metrô e o Governo do Estado de São Paulo para que sejam revistas alterações em direitos trabalhistas, alterados durante a pandemia, dentre os quais:

* redução da hora extra de 100% para 50%;

* fim do adicional de periculosidade dos Operadores de Trem e Agentes de Segurança;

* redução do adicional noturno de 50% para 20%;

* fim do auxílio-transporte da complementação salarial, entre outros.

Durante uma “ live” realizada em 14 de julho, os líderes sindicais afirmaram que a proposta apresentada pelo Metrô, é pior que a anterior, não mostrando uma intenção de negociar os pontos questionados.

A categoria chegou a propor em vez de uma paralisação, trabalhar com as catracas livres sem a cobrança de tarifa, o que foi recusado pela companhia e governo.

Em nota, o Metrô de São Paulo informou ao Diário do Transporte que teve queda do número de passageiros e que os 10% serão repostos assim que houver receita, mas não deu previsão.

Mesmo com a crise econômica provocada pela pandemia do novo Coronavírus, e transportando cerca de 35% da demanda comum de passageiros, o Metrô consegue manter a oferta de trens em até 100%, de acordo com a demanda, e honrou o salários e benefícios dos funcionários integralmente ao longo destes 4 meses. Diversas medidas de ajustes financeiros foram tomadas, com a renegociação e suspensão de novos contratos e a adoção de Home Office definitivo em setores onde é possível. No entanto, com a baixa arrecadação por um longo período, o Metrô vai pagar 90% do salário de julho dos funcionários, com o restante sendo pago assim que houver receita. Todos os esforços do Metrô continuam em prol da manutenção dos empregos.

 

Mensagem acessada pelos metroviários

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Melhor cortar 50% dos poupudos salários e aposentadoria dos políticos do Barsil; isso sim.

    E não dos metroviários.

    Tem de cortar gordura aonde a gordura está.

    LAMENTÁVEL!

    MUDA E SIMPLIFICA BARSILei.

    SAÚDE A TODOS!

    Att,

    Paulo Gil

  2. Roberson disse:

    Não está bem claro diminuir os salários dos empregados, quanto o metrô fatura com espaços alugados para comércio nas estações , food, farmácias, quiosques de tudo que se pode comercializar, fora os anúncios e propagandas nos paíneis luminosos, onde tem espaços disponível o metrô aluga

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