Empresários de ônibus e Associação Comercial reagem a decreto que suspendeu transporte coletivo por 14 dias em cidades de Santa Catarina

Publicado em: 18 de julho de 2020

Foto: João Antonio Müller Muller

SETUF considera decisão um equívoco e uma injustiça contra o setor e a população. Acif fala em “golpe no setor produtivo”

ALEXANDRE PELEGI

O setor de transporte coletivo e a Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, capital de Santa Catarina, reagiram com irritação ao decreto do governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, que nesta sexta-feira, 17 de julho de 2020 determinou a adoção de novas medidas para combater a Covid-19 em sete regiões catarinenses que estão na fase vermelha.

Dentre as medidas, o transporte intermunicipal e coletivo municipal de passageiros em 111 municípios destas regiões será suspenso por 14 dias a partir de segunda-feira, 20 de julho.

Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros da Grande Florianópolis (SETUF) afirmou que a decisão de Carlos Moisés é “um equívoco e uma injustiça”.

No comunicado, disparado também nesta sexta-feira, 17, o setor lembra que enfrentou três meses de paralisação, “sem quaisquer medidas compensatórias”. Para retornar à atividade, as empresas cumpriram as rigorosas medidas sanitárias impostas pelas autoridades sanitárias estaduais e municipais – “num esforço operacional e financeiro sem precedentes, com milhares de testagens de colaboradores, sanitização dos veículos, sinalização e informação aos usuários etc. Neste período, não houve qualquer situação capaz de relacionar as atividades do transporte coletivo ao aumento do contágio do novo coronavírus”.

A diretoria do SETUF destaca que o retorno do transporte coletivo foi reivindicado por todas as entidades do setor produtivo da Grande Florianópolis, “porque completaria a cadeia produtiva e garantiria o deslocamento seguro e com baixo custo de milhares de pessoas que já estavam trabalhando”. E lembra que a Assembleia Legislativa sancionou a lei 17.950/2020, que reconheceu o transporte coletivo urbano e intermunicipal como serviço essencial em Santa Catarina, mesmo em períodos de calamidade, emergência, epidemia ou pandemia.

A suspensão, neste momento, sem qualquer diálogo prévio ou medidas que garantam os empregos dos milhares de colaboradores do setor, é descabida e fora do contexto”, finaliza a entidade sindical, afirmando aguardar “uma reação pautada pelo bom senso e pelo respeito aos serviços que prestamos”.

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL

Também em nota divulgada nesta sexta-feira, 17, a ACIF – Associação Comercial e Industrial de Florianópolis também se manifestou contrária à medida, considerando a suspensão do transporte coletivo em Florianópolis como um golpe no setor produtivo.

A medida não traz em si qualquer embasamento e critério, considerando que o sistema de monitoramento dos usuários dos ônibus identificou apenas uma pessoa contaminada em um mês de circulação”, afirma a Associação.

Ao mesmo tempo em que o Estado e os municípios empenham esforços no acolhimento precoce dos pacientes, a dicotomia de conduta prevalece nas imposições e na queda de braços entre governador e prefeitos, com os efeitos recaindo sobre toda a atividade econômica”, continua a nota.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Raimunda Custódia disse:

    Nojo desta política que não oferece nenhum apoio ao empregados e a população que PRECISA trabalhar. Até quando vamos assistir calados este LIXO de imposições que estão fazendo conosco?

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