Frota de ônibus da capital paulista terá redução de cerca de 25% coletivos a partir desta quinta-feira (25), diz sindicato dos motoristas

Publicado em: 24 de junho de 2020

Ônibus municipal na capital paulista.

Segundo entidade, corte pode lotar transporte

ADAMO BAZANI

A cidade de São Paulo terá em torno 25% dos ônibus a menos em circulação a partir desta quinta-feira, 25 de junho de 2020. A informação é do Sindmotoristas, sindicato que representa os motoristas e cobradores de ônibus da capital.

Segundo nota da entidade, ” informações extraoficiais, checadas individualmente em algumas empresas, os números são alarmantes e podem tornar a situação ainda mais catastrófica – não apenas entre motoristas e cobradores, mas em toda a sociedade paulistana – uma vez que com a flexibilização da quarentena, os veículos já circulam lotados.”

“Isso é inadmissível. Na semana passada, o secretário Edson Caram foi exonerado por não encontrar uma solução para a superlotação dos veículos e como pode redzir, ainda mais, a frota de ônibus? O compromisso firmado publicamente não foi aumentar a frota?”, questionou o presidente da entidade, Valdevan Noventa, em nota, na qual ainda diz que recebeu mensagens de trabalhadores sobre eventuais novas escalas.

SPTRANS DIZ QUE SERÃO 988 ÔNIBUS A MENOS, O QUE DÁ 8,39% DA FROTA

A SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema de ônibus da cidade de São Paulo informou ao Diário do Transporte, que a partir desta quinta-feira, 25 de junho de 2020, vai “readequar” a frota de ônibus municipais em “8,39% dos veículos que circulam atualmente”.

Com isso, o total de ônibus em operação vai ser reduzido dos atuais 11.779 coletivos (92,31% da frota de antes da pandemia) para 10.791, ou seja, 988 ônibus a menos, ficando 84% da frota de antes da pandemia.

Mais cedo, o Sindmotoristas, sindicato que representa os motoristas e cobradores de ônibus da capital, informou que a redução seria de 25% da frota, o que resultaria em quase 2,8 mil veículos.

A gerenciadora classificou de irresponsável a divulgação da entidade trabalhista.

“É totalmente improcedente, portanto, a informação de que 25% da frota será reduzida nesta quinta-feira, conforme divulgado de forma irresponsável pelo Sindicato dos Motoristas (Sindmotoristas), o que só contribui para desinformar a população.”

Na nota, a SPTrans informou ainda que o número de 1,3 milhão de passageiros por dia vem se mantendo (antes da pandemia eram 3,3 milhões), que a medida será adotada em linhas que estão com oferta superior à demanda existente e que vai priorizar o atendimento em bairros mais afastados do centro, onde está maior concentração de casos Covid 19 e síndromes respiratórias.

Confira a nota na íntegra:

A Prefeitura, por meio da SPTrans, informa que a frota de ônibus da cidade será readequada em menos de 9% nesta quinta-feira, 25 de junho, e vai priorizar o atendimento em bairros mais afastados do centro, onde está maior concentração de casos Covid 19 e síndromes respiratórias. A readequação corresponde a 8,39% dos veículos que circulam atualmente. Com a mudança, 10.791 coletivos seguirão operando em São Paulo,  ou 84% da frota total antes da quarentena. É totalmente improcedente, portanto,  a informação de que 25% da frota será reduzida nesta quinta-feira, conforme divulgado de forma irresponsável pelo Sindicato dos Motoristas (Sindmotoristas), o que só contribui para desinformar a população.

Antes da pandemia, 3,3 milhões de passageiros eram transportados nos ônibus municipais diariamente. Esse número caiu para 1,3 milhão de pessoas por dia e vem se mantendo estável nas últimas semanas. Desde o início da quarentena, a SPTrans manteve a frota de veículos bem acima da demanda,  monitora constantemente as linhas e esses dados podem ser conferidos em Boletim divulgado diariamente com total transparência.

A medida será adotada em linhas que estão com oferta superior à demanda existente.

A decisão foi tomada levando-se em conta os índices de lotação de veículos,  a estabilidade da demanda de passageiros, que não acompanhou o crescimento da frota, e a sustentabilidade do sistema municipal de transportes.

Para se ter um exemplo, enquanto a frota de ônibus teve um acréscimo de 40% no mês de junho, com a inclusão de 3.385  veículos, chegando a 92% do cenário pré-quarentena, a demanda de passageiros se manteve sempre próxima a 40%.

Todas as linhas circulando atualmente serão mantidas. Nas linhas do subsistema local de distribuição, que opera nos bairros, não haverá readequação.

A SPTrans seguirá monitorando a demanda de passageiros e a oferta, para realizar os ajustes operacionais quando constatada a necessidade.

Ações da SPTrans

Vale lembrar que a SPTrans adotou medidas para que diversas práticas novas fossem incorporadas na rotina do sistema. Além da limpeza mais pesada já realizada diariamente nas garagens em todos nos veículos, a higienização passou a ser feita também entre as viagens,nos terminais, principalmente nos locais onde há contato mais frequente dos passageiros, como balaústres, corrimãos e assentos.

O uso de máscara passou a ser obrigatório para todos e a SPTrans autorizou as empresas concessionárias a isolarem seus motoristas com cortina em “L”. Os terminais de ônibus também passaram a ser higienizados com mais frequência e ganharam marcação no solo.

Ações de orientação e conscientização sobre cuidados e higiene pessoal também continuam sendo realizadas com todos os operadores, por meio das concessionárias, e com os passageiros, por meio de mensagens sonoras e cartazes nos terminais, redes sociais e no Jornal do Ônibus.

De acordo com os mais recentes dados veiculados pela própria SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema, estavam em circulação 92,31% da frota habitual de antes da pandemia, o que representa 11.779 ônibus.

Segundo o  mais recente boletim de trânsito e mobilidade da cidade, a média diária dos passageiros tem se mantido em 1,3 milhão de pessoas por dia (em torno de 3,5 milhões de viagens) nos últimos dias. Antes da pandemia, a média em dia útil era de 3,5 milhões de pessoas (em torno de 9 milhões de viagens).

A questão da frota, lotação e passageiros em pé foi alvo de uma polêmica que resultou em troca no comando da pasta da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes da capital paulista.

No sábado, 20 de junho de 2020, foi oficializado o nome da então diretora de planejamento Elisabete França no lugar de Edson Caram, que estava no cargo desde dezembro de 2018 e pediu demissão em 12 de junho de 2020, na mesma semana que o prefeito Bruno Covas ameaçou dispensá-lo dizendo, em entrevista coletiva no dia 08 de junho de 2020, que iria trocar de secretário caso os ônibus na cidade de São Paulo anda trafegassem com pessoas em pé.

A circulação dos ônibus municipais somente com passageiros sentados foi uma recomendação da SMT – Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes para evitar lotação e reduzir o risco de contágio pela Covid-19. Porém, nesta sexta-feira, 19 de junho de 2020, a SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora dos coletivos, confirmou que revogou a orientação.

Já Edsom Caram foi nomeado oficialmente agora para o cargo de Secretário Executivo, do Gabinete do Prefeito.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/06/20/em-primeira-mao-elisabete-franca-e-a-nova-secretaria-de-transportes-da-cidade-de-sao-paulo-no-lugar-de-caram/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:

Comentários

  1. Alfredo disse:

    Onibus lotado, Terminais ocupados por ambulantes e passadores de cartões clonados ou de terceiros, veículos velhos, a incompetência desta prefeitura é absurda, o Terminal Carrão teve as plataformas estreitadas para construir quiosques, o acesso a estação tomada por camelôs, cadê os vereadores e deputados que não vêem esse descalabro das gestões Doria e Covas?

  2. Pedro disse:

    Ontem já tinha linhas de ônibus no metro Carrão prolongando os intervalos para encher os ônibus, esse Bruno Covas como o nome já diz vai enterrar muito mais gente, e aquela maxima do quanto menos ao povo mais aos empresários, e por isso que vive levando pau do Datena.

  3. Pedro disse:

    Alfredo não so no Metro Carrão no Tatuape também ta um desastre, todos os passageiros tem que passar num corredor polonês para pegar as escadas, os camelos tomaram conta de tudo e aquele tapumes e um inferno, o Bruno Covas e Doria sepultura são ruins de serviços, nas próximas eleições vão ser banidos de São paulo, alem dos seguranças do Metro linha vermelha que so pensam em comer coxinhas, não fazem absolutamente nada tem que privatizar o mais rápido possível, que diferença na linha amarela, você não ve essa bagunça e nem gente com o pé nos bancos, isso so acontece na linha vermelha.

  4. Divaldo Fonseca Benfica disse:

    Falta de responsabilidade da sptrans pois os ônibus estão rodando cheio já. Com a redução vai rodar lotado.A transmissão do vírus vai aumentar. Quem vai ser o responsável pelos trabalhadores e os passageiros?

Deixe uma resposta