CSN entra na Justiça para encerrar contrato de concessão do transporte público em Salvador
Publicado em: 20 de junho de 2020
Rodoviários da empresa ameaçam paralisar operações neste domingo se empresa não pagar salário e vale-alimentação
ALEXANDRE PELEGI
O Consórcio Salvador Norte (CSN), concessionária responsável pela concessão do transporte público do trecho Orla/Centro da Cidade na capital baiana, deu entrada na Justiça nesta sexta-feira, 19 de junho de 2020, para encerrar o contrato com a prefeitura. A empresa pede ainda a devolução de R$ 27,6 milhões referente à Outorga Onerosa já paga pela empresa ao Município.
O motivo, segundo a empresa, é o desequilíbrio econômico provocado pela situação de medidas restritivas impostas pela prefeitura de Salvador como forma de enfrentamento ao Covid-19.
Com a forte queda na demanda, e a necessidade de uma frota mínima em operação, o déficit tem aumentado em todas as empresas de transporte do país, em que o sistema é mantido apenas pelo pagamento da tarifa.
A CSN quer ainda a intervenção da prefeitura na empresa, para evitar a paralisação da operação do transporte. Outra alternativa proposta pela concessionária é que a prefeitura assuma a operação dos veículos e arque com os custos da operação.
A CSN possui cerca de 850 carros, e é a maior alimentadora da linha 2 do metrô de Salvador.
Recentemente a empresa recebeu 132 carros zero km Caio/Mercedes-Benz. Os veículos nem começaram a rodar ainda.
A empresa era a única das 3 SPEs que operam o transporte da capital que estava com frota acima da idade permitida e não tinha 100% de acessibilidade.
Para piorar a situação, os rodoviários da CSN ameaçam entrar em greve neste domingo, 21.
Sem receber o ticket-alimentação desde o dia 1º deste mês, o presidente em exercício do Sindicato dos Rodoviários de Salvador, Fábio Primo, em vídeo divulgado para os trabalhadores, lembrou que a data limite para pagamento dos salários é hoje. “A data do nosso pagamento é dia 20. A empresa está nos devendo o ticket-alimentação que deveria pagar no dia 16 e não pagou”.
“Se não pagar, no dia 21 vamos parar. Fique em casa até que a empresa deposite o seu salário. Vamos parar e só vamos voltar quando o salário for pago”, afirmou o presidente Fábio Primo.



Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



