Doria diz que em nenhuma cidade do mundo é possível pensar só em pessoas sentadas nos ônibus

O governador afirmou que acredita foi acertada a decisão da prefeitura em voltar atrás na recomendação de que os coletivos não trafegassem com passageiros em pé

ADAMO BAZANI/WILLIAN MOREIRA

O governador de São Paulo, João Doria, disse em entrevista coletiva no início da tarde desta sexta-feira, 19 de junho de 2020, que em nenhuma cidade do mundo é possível pensar só em pessoas sentadas nos ônibus urbanos e metropolitanos.

O governador disse ainda que foi acertada a decisão da prefeitura em voltar atrás na recomendação de que os coletivos não trafegassem com passageiros em pé.

Doria relatou que chegou a usar transporte coletivo em Milão, Londres e Nova Iorque e que, por melhor que seja o sistema de ônibus urbanos, eles são projetados para passageiros em pé.

Sobre a rede de trilhos, de gestão estadual, o governador disse que o sistema  está com toda a a frota em uso.

“Independentemente de variação maior ou menor de passageiros. Toda estrutura metropolitana operando no limite máximo para oferecer mais conforto e o distanciamento minimo possível” 

Doria falou ainda que os deslocamentos de bicicletas são recomendáveis para quem pode e que, se fosse o prefeito de São Paulo, não mudaria o rodízio de veículos.

A gerenciadora dos transportes da cidade de São Paulo, SPTrans, revogou a recomendação para que os passageiros devem ser transportados apenas sentados nos ônibus municipais. Apesar disso, o protocolo sobre a prevenção à Covid-19 no transporte público com a orientação ainda estava no site da gestora na manhã desta sexta-feira, 19 de junho de 2020.

A medida gerou polêmica pela difícil viabilização, nunca foi cumprida integralmente e resultou no pedido de demissão do secretário Edson Caram depois de ameaça do prefeito Bruno Covas.

No dia 08 de junho de 2020, ao lado do governador João Doria, Covas fez a ameaça publicamente em entrevista coletiva.

“Os escritórios e concessionárias já puderam ser reabertos. Nós tivemos 1,206 milhão de passageiros no transporte público municipal, que não é um número muito diferente do que a gente tinha observado. O número estava entre 1,1 milhão e 1,2 milhão ao longo as últimas quatro semanas.  O secretário municipal de transportes havia me dito que  garantia que nessa semana não haveria passageiro em pé. Hoje pela manhã os números que a gente tem é que 5% das linhas nós tínhamos passageiros em pé. O secretário tem até sexta-feira para conseguir fazer isso [pessoas somente sentadas].Se até sexta-feira ele conseguir fazer isso, a partir de segunda-feira, é outro secretário que vai tentar fazer isso” – disse Bruno Covas no dia.

Em 12 de junho, Caram pediu demissão.

Apesar de em alguns dias as viagens, em sua maioria estarem só com passageiros sentados, nunca foi conseguido isso na totalidade.

Diário do Transporte pediu detalhes para a SPTrans que, em nota, informou que a mudança ocorreu depois de uma consulta à Vigilância Sanitária que determinou que mais importante que o fato de os passageiros estarem sentados ou em pé são medidas como de higiene e distanciamento.

A Prefeitura, por meio da SPTrans, informa que a circular tem o objetivo de esclarecer, após consulta à Vigilância Sanitária,  que a posição em que o passageiro é transportado não é o fator mais importante na transmissibilidade do coronavírus, mas, sim, o distanciamento, aliado a hábitos de higiene como lavar as mãos com água e sabão, usar álcool em gel e o uso permanente de máscaras.

Diante dessas orientações, a circular deixa claro que as empresas devem evitar a superlotação dos ônibus, transportando passageiros com distância segura, independentemente de estarem sentados ou em pé.

A equipe técnica da SPTrans monitora, diariamente, o comportamento de locomoção do usuários para verificar a possibilidade de reprogramação da oferta, de acordo com as orientações da OMS. E reitera que, desde o início da pandemia, manteve a frota acima da média de pessoas transportadas, justamente para evitar a superlotação dos ônibus.

É importante lembrar que a SPTrans tem adotado diversas medidas, como as relacionadas abaixo, no combate à Covid-19, em especial no que diz respeito à higienização dos ônibus e terminais:

– Uso obrigatório de máscaras nos ônibus e terminais;

– Marcação no solo nos terminais para sinalizar a distância de um metro entre os usuários nas filas;

– Higienização dos ônibus entre as viagens, principalmente nos locais onde há contato dos passageiros como balaústres, corrimãos e assentos;

– Higienização do ar-condicionado;

– Limpeza dos terminais, plataformas e banheiros;

– Autorização do uso de cortina em “L” para proteção do motorista;

– Ações de orientação e conscientização sobre cuidados e higiene pessoal por meio de mensagens sonoras e cartazes nos terminais, redes sociais e no Jornal do Ônibus;

– Monitoramento diário para ampliação e remanejamento da frota, se necessário.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. transporte90 disse:

    O Óbvio finalmente foi reconhecido né? Infelizmente, esta determinação só serviu para produzir humilhação, e por fim, a demissão do secretário do transporte Edson Caran. Exigir dele uma missão tão difícil, foi no minimo constrangedor!

  2. Senhor Governador. Podemos resolver usando de algumas estratregias de logistica. Posso lhe dar um exemplo de um exercicio de Geografia. O foco é mapear o trajeto de localização dos passageiros. Exemplo 100 passageiros por minuto que mora na região sul e usa tansporte para regial leste. ; Qual o destino final. Vamos marcar uma reunião posso lhe apresentar uma mapa e uma solução . Estou a sua disposição. cris.gon1069@gmail.com

  3. Rogerio Belda disse:

    Quem sou eu para responder a tantas eminências. Mas lembro que no monotrilho da Austrália havia vigilância para que não houvesse passageiros em pé. Em Paris havia ônibus com uma balcão traseiro, como se fosse uma varanda, onde era permitido viajar em pé: “Se
    fosse fácil captar e adaptar as soluções, como diria o conselheiro acácio, então não seria difícil !” ( Nos dois casos citados, havia razões
    para adoção da regra.

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