História

HISTÓRIA EM RETRATOS: O ônibus que anda de trem entre Londres e Paris

No Eurotúnel, uma composição transporta os veículos num passeio diferente e agradável

ADAMO BAZANI/MARIO CUSTÓDIO

Você já imaginou poder andar de ônibus e trem ao mesmo tempo? Não, não é integração pela bilhetagem eletrônica. É estar no ônibus e na composição exatamente no mesmo instante.

O pesquisador e consultor em transportes, Mario dos Santos Custódio, divide com o leitor do Diário do Transporte esta experiência.

Em maio de 2013, Custódio realizou um sonho: ir de Londres a Paris de ônibus.

No trecho do “Eurotúnel”, os ônibus e carros literalmente viram passageiros de trens.

Cada ônibus ocupa um vagão e somente neste pedaço do caminho, são 20 minutos de um passeio especial.

Mas a viagem, de pouco mais de oito horas, revela ainda muitas outras curiosidades, que você acompanha agora:

As fotos desta terceira edição da coluna “História em Retratos” no Diário do Transporte nos remeterão a Londres e Paris, mas não para falar de turismo nas maravilhosas cidades nem para ver os ônibus londrinos e parisienses, que operam uma excelente rede de transportes. Precisamente iremos à Victoria Station (Londres) e à Gare Routière Gallieni (Paris), que são Terminais Rodoviários, para uma viagem interessantíssima em ônibus de linha regular (Londres – Paris). Contarei meu breve relato a respeito da agradável viagem nessa linha, feita pela Eurolines. Eu queria fazê-la há muito tempo e, quando tive a oportunidade, não a deixei passar.

Na época, 05 de maio de 2013, a passagem custou 33 Libras cada, bem mais barata que a do Eurostar, o trem rápido que nos trouxe em 01-06-2013 na linha Paris – Londres e que custou 105 Euros cada. Portanto, feita a taxa de câmbio, o ônibus é bem mais barato. Porém, o trem levou 2h20min e o ônibus 08h30min, com direito a 20 minutos por dentro do Eurotúnel, pelo que percebi num comboio de trem especial só para ônibus e outros veículos (a viagem se dá totalmente no escuro). Pelas fotos dá pra ver como foi a entrada no trem e o momento do fechamento da barreira, sendo que cada ônibus ocupou um vagão. Enfim, nosso ônibus sairia às 10 horas da Victoria Station, a Estação Rodoviária ao nível do solo, ao lado das Estações de metrô e trem, com chegada prevista às 16h30min na Gare Routière Gallieni, Estação Rodoviária embaixo de uma Estação de Metrô. Quando chegamos à Victoria Station, embora já a conhecesse, imaginamos que, por ser uma rota internacional, haveria alguma segregação de passageiros, mas nada ocorreu, até porque há outras rotas internacionais, além das nacionais. E não era a primeira vez que chamava-me a atenção que não havia plataformas de embarque e desembarque como as que existem nas diversas rodoviárias mundo afora. O embarque seria efetuado ao nível do chão, junto aos demais ônibus. Não que isso fosse um problema, mas era diferente daquilo que estávamos acostumados nas diversas viagens de ônibus rodoviários (vejam as fotos). Uma lembrança importante é que não houve marcação de poltronas e, portanto, quem quisesse um bom lugar teria que entrar antes. Pensando nisso, no momento da compra, antecipada, ainda no Brasil, no dia 21 de março de 2013, pela internet (tudo muito prático e rápido), aproveitamos a passagem especial oferecida e, por 4 Libras a mais cada, compramos ingresso para embarque preferencial que, se não tivéssemos ido ao guichê da companhia no dia do embarque, nada teria acontecido.

Observei inclusive surpresa nos atendentes com a compra do ingresso preferencial, parecendo-me que eles não estavam acostumados com essa prática. Após isso tudo, devidamente postados, malas no bagageiro do ônibus, seguimos para o coletivo, passando pelos demais passageiros (isso nos desconfortou um pouco, pois nos olhavam com surpresa do tipo: “quem são esses? Por que estão a passar na frente?”).

Mas nós estávamos exercendo apenas um direito que nos havia sido proposto pela própria companhia, nada mais. Inicia-se então a viagem dos ônibus das 10 horas para os mais diversos destinos (vejam as fotos da saída da Rodoviária), com o tráfego ao contrário, pela esquerda, como é o sistema de direção inglês, até Folkestone, próxima a Dover, no local onde se cruzará o Canal da Mancha.

A viagem passa pelo interior sudeste da Inglaterra, muito interessante por sinal, com paisagens lindíssimas e casas dignas de filme, até chegar à parada onde iríamos descer, e na sequência passar pela inspeção, posto que houve controle de fronteiras entre a Inglaterra e a França. Todos fomos brevemente entrevistados e com a documentação conferida. Na parada, para minha surpresa, havia vários ônibus com destinos europeus, conforme podem ver na foto da Megabus, que segundo me informaram estava na linha Liverpool – Amsterdam (Holanda).

Há também a foto do ônibus com carroceria Sunsundegui que nos trouxe a Paris. Daí o ônibus aguardou a autorização para ingressar no trem, conforme já informei acima e, após 20 minutos no escuro, chegamos do outro lado do Canal da Mancha, em Coquelles, próxima a Calais, já no lado francês.

A partir daí o motorista instantaneamente passou a dirigir pelo lado direito, conforme o sistema francês. Levou o ônibus pelos lindíssimos campos franceses, no sentido Noroeste – Centro da França, sem paradas, até Paris. Chegamos lá no horário previsto, porém o desembarque foi numa Estação Rodoviária (que eles lá chamam Gare Routière) embaixo da Estação do Metrô Gallieni que, sinceramente, por ser uma estação de ônibus internacionais poderia ser mais acolhedora e organizada.

Fomos deixados lá e tivemos que nos virar para descobrir como sai e como iríamos para o hotel. Pelas fotos é possível identificar a forma da rodoviária, inclusive por sua posição escura. E vejam que há um ônibus da linha Paris – Varna, que fica na Bulgária, há 2.500 km dali, e outro da linha Paris – Berlim, com duplo eixo traseiro, que fica a cerca de 1.000 km.

Voltando à viagem, podem estar a se perguntar. E a viagem no conjunto? Eu afirmo que a viagem foi muito boa e a volta de trem também foi muito agradável. Ambos são meios interessantes para viajar.

E se alguém pensa que os ônibus estavam vazios, engana-se. Todos lotados, tanto os de linhas nacionais quanto os de linhas internacionais. Assim como o trem.

Pelas fotos poderão observar e se algum dia desejarem fazer tal viagem, recomendo.

Vale a pena. Quanto à Eurolines e à Eurostar, todas nos atenderam adequadamente, exatamente como fazem quase todos os operadores de transporte. Sem reclamações. Tudo correu bem.

Até a próxima!

Veja as fotos da viagem de Mario Custódio e em seguida, vídeos de internet

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Mario dos Santos Custódio, pesquisador e consultor em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Vcm disse:

    Muito parabéns Adamo pela matéria!
    Parabéns Sr. Mario tbm pela sua viagem..
    E realmente e muito bom poder desfrutar dos sistema de transportes europeus.
    Hj a flixbus e quem está fazendo a maioria dos trechos europeus rodoviários, e como ela comprou a eurolines e a megabus, então agora resta poucos trechos operados pela eurolines e megabus, já que a maioria das linhas foram absorvidas pela flixbus.
    Em Londres, tem a scotish city link que liga Londres ao país escocês com seus belos veículos plaxton elite e panther com chassis volvo, e tbm oferece o serviço executivo de 1 classe chamado de GOLD.
    Abcs a todos e parabéns pela matéria!

  2. Rogerio Belda disse:

    Já fiz esta viagem e não reclamei não ter visto a paisagem na maior parte do trajeto…. Rogerio Belda S.P.

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