O secretário disse ainda que as empresas de ônibus estão sendo orientadas a não baixar os coletivos mais antigos quando forem chegando os novos para ampliar a frota e atender este novo modelo de transportes imposto pela Covid-19
ADAMO BAZANI
A SMT – Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes da capital paulista vai determinar que ônibus saiam vazios dos principais terminais da cidade para evitar que haja superlotação na reabertura gradual.
De acordo com o secretário Edson Caram, será publicado um protocolo de transportes, determinando que as empresas de ônibus só trafeguem com passageiros sentados.
A obrigatoriedade valerá a partir desta segunda-feira, 08 de junho de 2020, e foi confirmada pelo secretário em entrevista ao Diário do Transporte na manhã desta sexta-feira, 05.
Quando perguntado se os ônibus serão proibidos de transportar pessoas em pé na cidade, Caram respondeu:
“Neste primeiro momento sim. Com o que a Prefeitura está trabalhando? Primeiro deixar claro que nada disto que estamos propondo irá funcionar se não houver um escalonamento de horário, especialmente no comércio. É fundamental que este escalonamento aconteça”, ressaltou.
“Se você não tiver escalonamento, você vai fazer aquela demanda de 9 milhões de viagens por dias, todas elas no horário de pico, com certeza o sistema não vai funcionar, ele irá funcionar como antigamente. Então a idéia do escalonamento é dividir a utilização do sistema em horários distintos para que você estenda o horário de pico durante até seis horas, fazendo que haja essa diluição dos passageiros”, explicou o titular da pasta.
“Isso acontecendo, você pode ter a obrigatoriedade dos passageiros ficarem sentados mesmo porque você vai fazer reforços adicionais nas linhas mais importantes, onde a demanda é maior, saindo com onibus vazios seja dos terminais ou de suas garagens para que o ônibus que vá com sua capacidade completa não pare no ponto, mas que o usuário do sistema saiba que logo na sequência outro ônibus na condição de recolhe-lo [irá passar]”, completou.
Caram explicou ainda ao Diário do Transporte que a SPTrans está fazendo os estudos das linhas e vendo quais são as que necessitarão de reforços de carros adicionais. Isso, “para que eles saiam vazios, ou seja, no terminal ele já não pegue ninguém e fique na linha dele para ir recolhendo os passageiros que estão pelo meio do caminho. Este é o estudo que a SPTrans está fazendo e pretende implantar a partir de segunda-feira”, detalhou.
“Se você tem um ponto de ônibus em um determinado bairro e essa linha no meio do caminho vai ter a lotação, ao invés de circular com um ônibus, você passa a circular com dois ônibus. Se dois ônibus não forem suficientes, você coloca três”, garantiu. “Não esqueça que nós temos contratualmente limites e estes limites tem de ser cumpridos.”
“Nós temos uma capacidade de ônibus em condições de circular e hoje, não pode ser descumprido. Tudo dentro do limite da capacidade que a SPTrans e as concessionárias tem condição de atender a demanda de São Paulo”.
Caram ressaltou que não haverá multas às operadoras nesta fase.
“Voce tem os fiscais de linha da SPTrans e estes fiscais e a própria fiscalização que fica circulando pela cidade de São Paulo, ela vai estar a atenta a este tipo de situação. Se houver um ônibus lotado, com certeza essa empresa será notificada do que está acontecendo para que isto não se repita, para que ela siga fielmente a determinação que a Secretaria está impondo”, explicou Caram.
“Não ainda estamos falando em multa, mas em protocolo e com certeza os empresários de ônibus que tem nos ajudado e muito neste momento, eles vão entender e ajudar o sistema como vem fazendo”, concluiu.
O secretário disse ainda que as empresas de ônibus estão sendo orientadas a não baixar os coletivos mais antigos quando forem chegando os novos para ampliar a frota e atender este novo modelo de transportes imposto pela Covid-19.
“Os ônibus mais antigos estão circulando hoje, então o critério de utilização deles será o mesmo aplicado hoje. Eu espero não ter que chegar neste ponto, porque, primeiro que os ônibus demorarão a chegar e caso a cidade de São Paulo efetivamente cumpra o escalonamento de horário, dividindo em três picos de 3 milhões de viagens com a demanda e a frota que tem hoje, você atende tranquilamente. Agora, se o número de usuários aumentar de forma substancial e passar aquilo que temos hoje, vamos ter que sentar com as empresas e falar: o que chegar novo [ônibus], você põe em circulação e os antigos vamos fiscalizar, verificar e ver se tem condições de rodar; tendo condição vamos implementar, mas espero não ter de chegar a este ponto”, detalhou.
Finalizando, o secretário Edson Caram destacou que o sstema está com aproximadamente 3,3 milhões de viagens por dia, com uma média de 1,2 milhão de passageiros por dia. “Se eu conseguir escalonar os horários de pico a cada duas horas mantendo este 1,2 milhão para cada horário de pico, o sistema da cidade de São Paulo, com certeza vai funcionar de forma saudável”,
Ouça a entrevista na íntegra:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaboraram Alexandre Pelegi e Willian Moreira
