Guarulhos vai definir plano de reabertura entre segunda e terça, diz Guti

Publicado em: 30 de maio de 2020

Ônibus em Guarulhos. Movimento na capital também influencia nos ônibus municipais que alimentam o transporte metropolitano

Prefeito afirmou também que decisão depende do quer vai ocorrer na cidade de São Paulo

ADAMO BAZANI

O prefeito de Guarulhos, na Grande São Paulo, Gustavo Henric Costa (Gustavo Guti), disse em transmissão pela internet na tarde deste sábado, 30 de maio de 2020, que entre segunda-feira (1) e terça-feira (2), vai definir regras de reabertura gradativa das atividades econômicas.

“Na segunda-feira, nós teremos aí praticamente um decreto todo discutido com vários setores produtivos da sociedade e aí sim, a gente vai ter todos os diálogos feitos e vamos ter o nosso decreto para a gente conseguir planejar junto com esses setores produtivos da sociedade, lembrando que tudo depende também do que a capital irá fazer” – disse Guti na transmissão.

O prefeito relatou que teme haver um descompasso de datas e de decisões em relação à capital devido ao fluxo intenso entre Guarulhos e São Paulo.

O transporte coletivo é uma preocupação neste aspecto.

Por ser territorialmente e economicamente ligada à capital, o fluxo de pessoas entre Guarulhos e a cidade de São Paulo é grande, o que interfere na mobilidade, inclusive nos ônibus municipais. Isso porque muitas pessoas usam os ônibus municipais até o transporte metropolitano na região, seja a linha 13-Jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) ou ônibus gerenciados pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos.

“Na segunda ou terça-feira, estamos dialogando, exaurindo todos os diálogos, com vários segmentos da economia local para que a gente tome a melhor decisão. E o mais ‘bacana” de tudo isso é que todos os segmentos, desde o pessoal das academias até a associação comercial e empresarial, Ciesp, os comerciantes de Cumbica, a OAB de Guarulhos, todos estão entendendo o momento que estamos passando e contribuindo com ideias, querendo fazer a retomada, mas de uma forma sensata” – explicou.

Na terça-feira, 02, o Governo do Estado de São Paulo vai avaliar os dados de Saúde de todas as 38 cidades da região metropolitana que tinham sido colocadas na fase vermelha da classificação estadual, não permitindo nenhum tipo de abertura. Após as manifestações de prefeitos, o governo dividiu a Grande São Paulo em cinco sub-regiões. Os chefes dos executivos municipais querem, no mínimo, a mesma classificação da capital paulista, na faixa laranja, na qual é permitida a abertura de shoppings centers (com proibição das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podendo funcionar com capacidade limitada a 20% com horário reduzido para quatro horas seguidas e também com a adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos.  Nesta fase, permanece ainda proibida a abertura de bares e restaurantes para consumo local, salões de beleza e barbearias, academias de esportes em todas as modalidades e outras atividades que gerem aglomeração. (Veja detalhes abaixo)

O governador João Doria deve anunciar as cidades que terão mudança de faixa na quarta-feira (03)

Entre os critérios para permitir que os municípios mudem de faixa, estão a capacidade de resposta do sistema de saúde (como por exemplo, vagas em UTI) e evolução da epidemia (taxas de contágio, novos casos e óbitos).

A prefeitura de Guarulhos informou que o número de casos do novo coronavírus na cidade chegou a 2.736 neste sábado (30).

“As mortes em decorrência da Covid-19 agora somam 271, segundo o Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde.  As quatro mortes contabilizadas neste sábado são de três mulheres, com idades de 53 (2) e 67 anos, além de um homem de 80 anos. Além dos 271 óbitos confirmados há ainda 115 em investigação cuja causa pode ser a Covid-19. A taxa de ocupação de leitos de UTI no município melhorou. Depois de chegar a 100% há uma semana, neste sábado está em 84,9%. Nos hospitais municipais, a ocupação é de 87,8%, enquanto que nos estaduais chega a 82,5%. Em leitos de enfermaria para Covid-19, a taxa é de 85,4% na média geral.” – detalhou a prefeitura, em nota.

No hospital de campanha de Guarulhos, que funciona desde 27 de março na cidade.

“Destes, 37 em enfermaria, dez na UTI, três na sala vermelha e outros três em leitos de observação. Um óbito foi registrado neste sábado, que será investigado.”

DEPOIS DE DIFERENCIAR CAPITAL, DORIA CEDE A PREFEITOS DA GRANDE SÃO PAULO:

Como também mostrou o Diário do Transporte, no início da tarde desta sexta-feira, 29, o Governo do Estado de São Paulo anunciou a mudança na divisão das cidades da Grande São Paulo para classificação de fases para que a quarentena seja relaxada nos municípios que circundam a capital paulista.

A região metropolitana foi dividida em cinco sub-regiões.

Norte: Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha, Mairporã;

Leste: Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Salesópolis, Santa Isabel, Suzano

Sudeste: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul;

Sudoeste: Cotia, Embu,Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra, Vargem Grande Paulista;

Oeste: Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba

DECRETO:

Diário do Transporte mostrou também que ainda na sexta-feira, 29, a gestão João Doria publicou o decreto 64.994, em edição extraordinária do Diário Oficial do Estado de São Paulo, com as regras para as mudanças de fases nas cidades.

São cinco fases. No decreto, a equipe de Doria também detalha quais as atividades permitidas em cada uma destas fases:

Fase 1 (Vermelha): Alerta Máximo – Fase de contaminação, com liberação apenas para serviços essenciais)

Na fase vermelha, ficam liberadas apenas as atividades consideradas essenciais

– Saúde: hospitais, clínicas, farmácias, clínicas odontológicas, lavanderias e estabelecimentos de saúde animal.

– Alimentação: supermercados, hipermercados, açougues e padarias, lojas de suplemento, feiras livres. É vedado o consumo no local.

– Bares, lanchonetes e restaurantes: permitido serviços de entrega (delivery) e que permitem a compra sem sair do carro (drive thru). Válido também para estabelecimentos em postos de combustíveis.

– Abastecimento: cadeia de abastecimento e logística, produção agropecuária e agroindústria, transportadoras, armazéns, postos de combustíveis e lojas de materiais de construção.

– Logística: estabelecimentos e empresas de locação de veículos, oficinas de veículos automotores, transporte público coletivo, táxis, aplicativos de transporte, serviços de entrega e estacionamentos.

– Serviços gerais: lavanderias, serviços de limpeza, hotéis, manutenção e zeladoria, serviços bancários (incluindo lotéricas), serviços de call center, assistência técnica de produtos eletroeletrônicos e bancas de jornais.

– Segurança: serviços de segurança pública e privada.

– Comunicação social: meios de comunicação social, inclusive eletrônica, executada por empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens.

– Construção civil, agronegócios e indústria: sem restrições.

Fase 2 (Laranja): Controle – Fase de atenção, com eventuais liberações.

Na fase laranja, shoppings centers (com proibição de abertura das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podem funcionar com capacidade limitada a 20%, horário reduzido para quatro horas seguidas e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Fica proibida a abertura de bares e restaurantes para consumo local, salões de beleza e barbearias, academias de esportes em todas as modalidades e outras atividades que gerem aglomeração.

Fase 3 (Amarela): Flexibilização – Fase controlada, com maior liberação de atividades

Na fase amarela, shoppings centers (com proibição de abertura das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podem funcionar com capacidade a limitada 40%, horário reduzido para seis horas seguidas e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Adiciona-se à lista salões e barbearias, além de bares e restaurantes que estarão liberados apenas para atendimento ao ar livre. Academias e eventos que gerem aglomeração continuam com abertura suspensa.

Fase 4 (Verde): Abertura Parcial – Fase decrescente, com menores restrições

Na fase verde, fica liberado o funcionamento de todos os estabelecimentos comerciais e de serviços, incluindo academias e praças de alimentação dos shoppings, desde que com capacidade limitada a 60% e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Ficam proibidos eventos que gerem aglomeração.

Fase 5 (Azul): Normal controlado – Fase de controle da doença, liberação de todas as atividades com protocolos de segurança e higiene.

Retomada da economia dentro do chamado “novo normal”

COMO MUDAR DE FASE:

A publicação também detalha como será a medição dos resultados para que cada uma das regiões do Estado mude de fase, evoluindo ou regredindo.

São dois critérios: capacidade de resposta do sistema de saúde e evolução da epidemia.

Segundo nota do Governo do Estado de São Paulo, o critério “Capacidade de Resposta do Sistema de Saúde” é composto pelos seguintes indicadores:

(1) taxa de ocupação de leitos hospitalares destinados ao tratamento intensivo de pacientes com COVID-19; e

(2) quantidade de leitos hospitalares destinados ao tratamento intensivo de pacientes com COVID-19 por 100 mil habitantes.

Já o critério “Evolução da epidemia” é composto por três resultados:

(1) taxa de contaminação;

(2) taxa de internação;

(3) taxa de óbitos. Os cálculos para cada um dos indicadores são detalhados no decreto.

O número de novas internações (taxa de internação) terá maior peso, uma vez que reflete com maior precisão a incidência da doença na população avaliada.

Desta forma, diferentes regiões poderão, a depender dos critérios objetivos definidos pelos Anexos, atuarem em fases distintas. Uma região poderá ter maior celeridade na abertura, ao passo que outra demorará mais tempo para retomar alguns setores da atividade econômica.

Como se pode depreender, a evolução da retomada econômica no estado dependerá na prática do equilíbrio entre a forma como o sistema de saúde responderá à epidemia, e à velocidade como o vírus se propagará.

A análise vai ser feita de acordo com cada região. Após a movimentação de prefeitos da Grande São Paulo, o governo do Estado dividiu a região metropolitana em cinco sub-regiões. A capital paulista será analisada como uma região separada das outras cidades, segundo nota da gestão Doria, pelo fato de ser muito grande e comportar “capacidade estrutural e independente de saúde.”

As análises serão feitas pelo Centro de Contingência e ainda levarão em conta informações do SIMI-SP (Sistema de Informações e Monitoramento Inteligente) e orientações do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e das diretrizes emanadas da Secretaria de Estado da Saúde.

Como se pode ler no Decreto, dois temas serão utilizados concomitantemente na definição da retomada das atividades econômicas: a questão regional, e a fase que cada região poderá adotar para tal abertura e flexibilização.
Para definir essas variáveis, dois anexos acompanham o Decreto.
O primeiro deles é uma Nota Técnica do Centro de Contingência de SP e define que para a modulação da proposta de regionalização serão usados basicamente dos critérios: a capacidade hospitalar e a propagação da doença, visto com uma visão regionalizada e considerando as áreas de abrangência dos Departamentos Regionais de Saúde (DRS) e das Redes Regionais de Atenção à Saúde (RRAS)
Para a definição das fases foi publicado o Anexo 2. Para calcular a fase de risco de cada área, também serão utilizados dois critérios: a capacidade de resposta do sistema de saúde e a Evolução da Epidemia.
Em ambos os casos, foram definidos uma série de indicadores para se calcular a intensidade de cada critério, de onde decorrerá a definição da fase.

Veja o decreto na íntegra:


 

Adamo Bazani,  jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Juliana Alves disse:

    Estamos aguardando sobre as 3 linhas de ônibus EMTU que foram tiradas do bairro Parque Cecap, isso não pode continuar, tiraram linhas importante do bairro e o prefeito de Guarulhos precisa ver o que fazer, linha 016, 577 e575 peço que façam alguma coisa por favor necessito dessas linhas para ir trabalhar por enquanto tem muitas pessoas que estão em home office mas isso vai acabar. E precisamos desses coletivos é uma necessidade. Obrigada aguardo retorno.

  2. Maeta disse:

    Esta linha de ônibus 342 é uma vergonha. A linha que provavelmente a mais rentável da empresa. Quase Não tem ônibus. Nenhum aplicativo consegue acompanhar. Está com intervalo entre os carros indefinido. A cada 30 ou 40 minutos. Conclusão lotado. Tem que ser tomasa providências urgente.

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