Cidades do ABC já têm protocolos em estudo para relaxamento da quarentena

Publicado em: 29 de maio de 2020

Ônibus em Santo André. Mobilidade é preocupação

Prefeitos querem que as sete cidades sejam classificadas na zona Laranja, com a possibilidade de alguma abertura. Transporte coletivo e comércio estão nas discussões

ADAMO BAZANI

Os prefeitos do ABC Paulista já têm em andamento a formalização de protocolos para o relaxamento da quarentena nas sete cidades que integram a região: Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

A informação é do presidente do Consórcio Intermunicipal Grande ABC e prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão, e do secretário executivo do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, Edgard Brandão.

Os prefeitos vão apresentar as propostas ao Governo do Estado. A gestão do governador João Doria deve dar uma resposta aos municípios na próxima quarta-feira, 03 de junho.

Os protocolos envolvem o atendimento no comércio e serviços como de transportes coletivos. Com o maior número de atividades em funcionamento, a quantidade de pessoas em circulação deve aumentar, o que vai exigir um reforço na frota dos ônibus municipais. Em comum acordo no Consórcio, após discussão com o secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, em março, os prefeitos decidiram que seriam colocados 50% da frota habitual dos ônibus municipais de segunda-feira a sábado e 30% aos domingos e feriados. No início de março, as cidades cogitaram até suspender os serviços de ônibus, mas voltaram atrás.

Na tarde desta sexta-feira, 29 de maio de 2020, os chefes dos executivos das sete cidades da região realizaram uma assembleia extraordinária e avaliaram a decisão do Governo do Estado de São Paulo de dividir a região metropolitana em cinco sub-regiões de Saúde.

A gestão do governador João Doria cedeu aos prefeitos de 38 cidades da Grande São Paulo que não aceitaram o fato de, na região Metropolitana, somente a capital paulista ter sido classificada na fase 2 (laranja) da quarentena, que permite alguma abertura com restrições, e todos os demais municípios estarem na fase 1 (vermelha) que não possibilita nenhum tipo de mudança em relação ao quadro atual.

Apesar de ser uma esperança para os prefeitos, a nova subdivisão da região metropolitana ainda gera dúvidas sobre qual será a resposta do Governo do Estado.

A postura inicial da gestão estadual em diferenciar capital e 38 cidades da região metropolitana gera uma desconfiança sobre o que pode vir pela frente.

“Foi só meia boa notícia essa divisão. Estamos aguardando uma reunião com o Marco Vinholi (secretário de Desenvolvimento Regional) para que o ABC seja colocado na zona Laranja. Mas a falta de sinergia na decisão do governo do Estado até agora gerou uma desconfiança” – disse o presidente do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, Gabriel Maranhão.

“Não é possível que uma região como a nossa, o quarto PIB [Produto Interno Bruto] nacional seja tratada dessa forma. Conversamos com os prefeitos de outros consórcios e foi a mesma coisa. Não vai dar certo se ocorrer de novo o que aconteceu, com as decisões sendo tomadas isoladamente pelo Estado”  – disse o secretário executivo do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, Edgard Brandão.

Brandão falou também que os secretários de diversas áreas do ABC já se reuniram 128 vezes e que os protocolos para a reabertura foram discutidos e, com o exemplo da capital paulista, que já está autorizada a permitir algumas atividades, será ainda mais fácil definir as medidas para a reabertura.

A “faixa laranja” ou fase 2 da quarentena, onde foi inserida a capital e onde os prefeitos do ABC querem que suas cidades sejam classificadas, possibilita a abertura com restrições em alguns serviços, como atividades imobiliárias, concessionárias de veículos, escritórios, comércio e shoppings centers.

Como mostrou o Diário do Transporte, no início da tarde desta sexta-feira, 29, o Governo do Estado de São Paulo anunciou a mudança na divisão das cidades da Grande São Paulo para classificação de fases para que a quarentena seja relaxada nos municípios que circundam a capital paulista.

A região metropolitana foi dividida em cinco sub-regiões.

Norte: Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha, Mairporã;

Leste: Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Salesópolis, Santa Isabel, Suzano

Sudeste: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul;

Sudoeste: Cotia, Embu,Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra, Vargem Grande Paulista;

Oeste: Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba

Será feira uma análise do desempenho de cada um destes grupos de cidades quanto a critérios, como transmissibilidade do vírus, evolução da doença e vagas em UTIs.

Na entrevista coletiva, Gabriel Maranhão, disse que a taxa de ocupação das UTIs na região é de 74%.

O secretário de Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo, Marco Vinholi, disse que até terça-feira serão analisados os dados de cada uma destas sub-regiões e na quarta-feira devem ser anunciadas quais cidades vão mudar de fase.

 o Governo do Estado de São Paulo criou cinco fases de flexibilização dividas por cores.

Fase 1 (Vermelha): Alerta Máximo – Fase de contaminação, com liberação apenas para serviços essenciais (como é agora)

Fase 2 (Laranja): Controle – Fase de atenção, com eventuais liberações.

Fase 3 (Amarela): Flexibilização – Fase controlada, com maior liberação de atividades

Fase 4 (Verde): Abertura Parcial – Fase decrescente, com menores restrições

Fase 5 (Azul): Normal controlado – Fase de controle da doença, liberação de todas as atividades com protocolos de segurança e higiene.

O Estado foi dividido em 17 regiões e, segundo o Governo do Estado de São Paulo, com exceção da capital, todos os municípios da Grande São Paulo e também da Baixada Santista e de Registro permanecem na fase vermelha e não terão nenhum tipo de mudança na quarentena em vigor desde o dia 24 de março. Nas três regiões, o sistema de saúde está pressionado por altas taxas de ocupação de UTI e avanço de casos confirmados de pacientes com o novo coronavírus.

Em nota, o Governo do Estado de São Paulo relacionou os critérios e as fases da retomada da economia:

  • A retomada consciente dos setores da economia começa a funcionar em 1º de junho. O Estado está dividido em 17 Departamentos Regionais de Saúde, que estão categorizados segundo uma escala de cinco níveis de abertura econômica.• Cada região poderá reabrir determinados setores de acordo com a fase em que se encontra. As regras são: média da taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivas para pacientes com coronavírus, número de novas internações no mesmo período e o número de óbitos.
  • A requalificação de fase para mais restritiva será feita semanalmente, caso a região tenha piora nos índices. Para que haja uma promoção a uma fase com menos restrições e mais aberturas, serão necessárias duas semanas.
  • O Plano São Paulo dá autonomia para que prefeitos diminuam ou aumentem as restrições de acordo com os limites estabelecidos pelo Estado, desde que apresentem os pré-requisitos embasados em definições técnicas e científicas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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