Retomada de atividades da cidade de São Paulo terá dois mil ônibus a mais para demanda maior

Publicado em: 28 de maio de 2020

Atualmente, 65,5% da frota estão à disposição em comparação com as escalas de dia útil de antes da pandemia

Bruno Covas também diz que vai dialogar com STM para adequação da EMTU, CPTM e Metrô

ADAMO BAZANI

As empresas de ônibus na capital paulista terão de colocar à disposição da cidade mais dois mil coletivos para atender à demanda maior de passageiros que pode ser gerada com a flexibilização da quarentena.

A informação é do prefeito Bruno Covas na tarde desta quinta-feira, 28 de maio de 2020, em resposta ao Diário do Transporte, na entrevista coletiva sobre a apresentação dos planos do município para a retomada com restrições de algumas atividades autorizadas pelo governo do Estado de São Paulo.

Apesar de a autorização estadual valer para a partir de 01º de junho de 2020, Bruno Covas disse que não haverá a abertura já nesta segunda-feira e que vai receber dos setores contemplados nesta fase as sugestões para protocolos de segurança, higiene e distanciamento (veja mais abaixo).

O prefeito ainda disse que, uma vez definidos estes protocolos, vai encaminhar as estimativas de circulação de pessoas no transporte público para a STM – Secretaria dos Transportes Metropolitanos para que também sejam adequadas as frotas dos ônibus gerenciados pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos que chegam de cidades vizinhas, do Metrô e da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos que têm como origem municípios da Grande São Paulo.

“Em relação ao transporte público municipal já determinei às empresas concessionárias que deixem reservados mais dois mil ônibus para poder aumentar a frota neste período, elas [empresas de ônibus] serão avisadas assim que o protocolos (com o setor privado) forem assinados, porque só com a assinatura do protocolo pode reabrir na cidade de São Paulo e, da mesma forma, assim que os protocolos forem assinados, nós vamos avisar à Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos para que também providencia em relação a trem, metrô e ônibus da EMTU”

Ouça:

Atualmente, estão em circulação 65,5% da frota de ônibus municipais da capital paulista de um dia útil de antes da pandemia, permanecendo o reforço dos 1.600 ônibus que foram incluídos na frota operacional desde 11 de maio, totalizando, portanto, os 8.394 veículos.

SETORES PERMITIDOS E PROCEDIMENTOS:

A cidade de São Paulo foi inserida na classificação da “fase laranja”, que permite, por exemplo, abertura com restrições em alguns serviços, como atividades imobiliárias, concessionárias, escritórios, comércio e shoppings centers.

Bruno Covas disse que serão dez pré-requisitos que devem ser seguidos pelos setores, entre os quais apresentação de protocolos de saúde, higiene, testagem, fiscalização, comunicação de regras e proteção a clientes e funcionários.

Outra preocupação é em relação às mães que precisam deixar os filhos e que vão trabalhar, isso porque as creches públicas estarão fechadas. É o setor provado que deve apresentar essas propostas.

Os protocolos devem ser aceitos pela Vigilância Sanitária.

Os setores terão de enviar as propostas à prefeitura a partir de 1º  de junho pelo site

https://www.prefeitura.sp.gov.br/retomada

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfZ3VthqTa-QPVj26BDpoqnb7bL23gSV3V2CAyDG-iZl27a_w/viewform

UTIS, NOVOS LEITOS E TESTES:

Bruno Covas ainda anunciou os números atuais da Covid-19 na cidade.

A ocupação total das UTIs nos hospitais municipais até o início da tarde desta quinta-feira, 28, era de 92%.

A cidade tinha até então 180.720 casos suspeitos, 54.948 confirmados, 53.959 pessoas recuperadas na rede municipal, 3.619 óbitos confirmados e 77 suspeitos.

Além de sete hospitais já inaugurados na cidade, Bruno Covas anunciou a abertura de mais três hospitais: Hospital Guarapiranga com 80 leitos de UTI e 60 de enfermaria; Hospital Brigadeiro com 2o leitos de UTI e 120 de enfermaria e Hospital Sorocabana com 60 leitos de enfermaria.

Até domingo, segundo Bruno Covas, serão instalados maios 300 novos respiradores repassados do Governo do Estado. Em junho, serão distribuídos à população em torno de três milhões de máscaras.

O prefeito anunciou  ainda a realização de mais 115 mil testes rápidos em 96 distritos da capital.

REGIÃO METROPOLITANA AINDA SEM FLEXIBILIZAÇÃO:

Já os 38 municípios da região metropolitana foram inseridos na classificação da “fase vermelha”, que não permite nenhuma flexibilização da atual quarentena até, pelo menos, o dia 15 de junho.

A diferenciação entre capital e cidades da Grande São Paulo revoltou prefeitos, como do ABC Paulista, região de Osasco e região de Guarulhos, muitos dos quais sustentam que as cidades que administram apresentam índices de isolamento, de contágio e ofertas de leitos de UTI mais favoráveis que a capital paulista.

ENTREVISTA DE BRUNO COVAS NA ÍNTEGRA:

 

 

FASES:

O Governo do Estado de São Paulo criou cinco fases de flexibilização dividas por cores.

Fase 1 (Vermelha): Alerta Máximo – Fase de contaminação, com liberação apenas para serviços essenciais (como é agora)

Fase 2 (Laranja): Controle – Fase de atenção, com eventuais liberações.

Fase 3 (Amarela): Flexibilização –  Fase controlada, com maior liberação de atividades

Fase 4 (Verde): Abertura Parcial – Fase decrescente, com menores restrições

Fase 5 (Azul): Normal controlado – Fase de controle da doença, liberação de todas as atividades com protocolos de segurança e higiene.

O Estado foi dividido em 17 regiões e, segundo o Governo do Estado de São Paulo, com exceção da capital, todos os municípios da Grande São Paulo e também da Baixada Santista e de Registro permanecem na fase vermelha e não terão nenhum tipo de mudança na quarentena em vigor desde o dia 24 de março. Nas três regiões, o sistema de saúde está pressionado por altas taxas de ocupação de UTI e avanço de casos confirmados de pacientes com o novo coronavírus.

Em nota, o Governo do Estado de São Paulo relacionou os critérios e as fases da retomada da economia:

  • A retomada consciente dos setores da economia começa a funcionar em 1º de junho. O Estado está dividido em 17 Departamentos Regionais de Saúde, que estão categorizados segundo uma escala de cinco níveis de abertura econômica.
  • Cada região poderá reabrir determinados setores de acordo com a fase em que se encontra. As regras são: média da taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivas para pacientes com coronavírus, número de novas internações no mesmo período e o número de óbitos.
  • A requalificação de fase para mais restritiva será feita semanalmente, caso a região tenha piora nos índices. Para que haja uma promoção a uma fase com menos restrições e mais aberturas, serão necessárias duas semanas.
  • O Plano São Paulo dá autonomia para que prefeitos diminuam ou aumentem as restrições de acordo com os limites estabelecidos pelo Estado, desde que apresentem os pré-requisitos embasados em definições técnicas e científicas.

 

Adamo Bazani  jornalista especializado em transportes

Willian Moreira, em colaboração especial para o Diário do Transporte
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