Relaxamento de quarentena previsto para 1º de junho será desafio para operação de transportes no Estado de São Paulo

Publicado em: 26 de maio de 2020

Ônibus urbano em São Sebastião, no Litoral Paulista, cidade que tem atingido as maiores taxas de isolamento

Nesta terça-feira, gestão estadual se reúne com prefeitos novamente. Abertura será em etapas, por regiões, vai seguir critérios e deve ser anunciada nesta quarta-feira

ADAMO BAZANI

Nesta terça-feira, 26 de maio de 2020, mais uma vez o Governo do Estado de São Paulo deve se reunir de forma virtual com prefeitos para discutir o relaxamento da quarentena, que teve início em 24 de março e, por causa do avanço dos casos e mortes pela Covid-19 teve de ser prorrogada três vezes. Não será o fim da quarentena.

Os transportes coletivos devem ser tema da reunião, uma vez que pode ser um dos ambientes mais propícios para disseminação do vírus por causa da aproximação de pessoas.

Cada cidade terá autonomia para determinar as regras dos ônibus municipais, mas a recomendação é de que a frota seja dimensionada para evitar superlotação, a principal preocupação das autoridades de saúde.

O uso de máscaras em ambientes de uso comum, inclusive no transporte coletivo, é obrigatório no Estado de São Paulo desde 07 de maio.

A preocupação com o anúncio do afrouxamento de regras é a criação de um efeito psicológico nas pessoas de que a Covid-19 está controlada, estimulando deslocamentos sem necessidade, o que impactaria nos transportes coletivos.

Quando iniciou em 24 de março, a quarentena deveria ir até 07 de abril, mas foi estendida até 22 de abril, depois até 10 de maio e, em seguida, até 31 de maio.

Segundo o governador João Doria, será “uma quarentena inteligente” a partir de 01º de junho, com a liberação gradual de algumas atividades e em quatro fases.

Não haverá um relaxamento uniforme em todo o Estado e ao menos três critérios precisam ser observados para determinar quais cidades vão poder relaxar mais ou menos as restrições:

– Taxa de isolamento superior a 55%

– Redução por 14 dias seguidos dos números de novos casos e novos registros de óbitos

– Lotação das UTIs Públicas abaixo de 60%

A primeira fase deve começar em 01º de junho, com a liberação de estabelecimentos comerciais de até 400 metros e limitação de lotação. A segunda fase pode vir a começar em 20 junho permitindo a abertura de estabelecimentos maiores. O funcionamento de hotéis deve vir a partir de 01º de julho para atividades de turismo.  A quarta etapa está prevista para a partir de 20 de julho, permitindo o funcionamento de estabelecimentos como cinemas, teatros e igrejas, desde que com limitação de lotação e distanciamento entre os frequentadores.

Todas as fases podem ser retrocedidas e a quarentena endurecida de novo caso haja crescimento do número de casos, contágio e/ou esgotamento dos sistemas de saúde.

As informações sobre a abertura foram divulgadas pela Rede Globo, mas em nota, o Governo do Estado de São Paulo diz que o detalhamento só será informado nesta quarta-feira.

As informações divulgadas nesta terça (26) pelo Grupo Globo sobre o cronograma do Plano São Paulo de flexibilização da quarentena estadual estão equivocadas. Para tanto, basta observar que um dos itens citados na reportagem são hotéis, que nunca tiveram fechamento decretado.

O detalhamento correto do Plano São Paulo será divulgado em entrevista coletiva às 12h desta quarta (27), no Palácio dos Bandeirantes.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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