“Setor Rodoviário será a mola mestra da retomada do turismo no país”

Publicado em: 20 de maio de 2020

Moderada por Letícia Pineschi, webinar da ABRATI contou com Rodrigo de Sá, da CVC CORP, e Manoel Linhares, presidente nacional da ABIH

Em videoconferência promovida pela ABRATI, representantes do turismo e da hotelaria descreveram qual seve ser novo cenário pós-pandemia

ALEXANDRE PELEGI

Em videoconferência promovida pela ABRATI – Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros nesta quarta-feira, 20 de maio de 2020, representantes do turismo e da hotelaria debateram qual seve ser o novo cenário pós-pandemia de Covid-19.

Com a moderação de Letícia Pineschi, Coordenadora do grupo de Marketing da Associação, o encontro contou ainda com a participação dos sócios-diretores da FSB Comunicação, empresa que tem atuação reconhecida no segmento de turismo junto a organismos públicos.

Com o tema “Perspectivas para o Turismo: o que vem por aí?”, os debatedores se concentraram em definir quais suas expectativas para o mercado turístico e para o transporte rodoviário pós-período de isolamento social.

Participaram Manoel Cardoso Linhares, presidente nacional da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis; Rodrigo Firmino de Sá, coordenador de Produto Rodoviário da CVC CORP; e Priscila Lambert e Darse Júnior, pela FSB Comunicação.

Alguns consensos persistiram durante todo o encontro, que durou cerca de 1h15m.

Partindo da máxima de que em períodos de crises graves o turismo é o primeiro setor a sofrer, e o último a se recuperar, a retomada que todos descreveram como a mais realista será o que foi descrito como “turismo regional”.

As pessoas que ficaram muito tempo em isolamento querem sair, mas o ‘próximo’ nessas condições terá para elas o mesmo significado de ‘longe’”, disse Priscila Lambert, da FSB. Para ela, o turismo mais intimista, voltado a locais próximos e com base em segurança, cercado de protocolos de saúde, tende a ser o início da retomada.

Nesse sentido, a meta será de viagens mais curtas, com distâncias menores, descrevendo aí a aposta no turismo de proximidade.

Além de mais baratas – afinal, as pessoas de maneira geral perderam renda com a crise –, as viagens tenderão a ser intimistas, com base em destinos seguros.

Nesse sentido, o turismo internacional, que demorará muito mais tempo para se recuperar, acabará sendo substituído pelos destinos brasileiros, que têm a oferecer uma perspectiva de Ecoturismo rica e diversificada.

Priscila descreveu alguns pontos que julgou centrais nesse turismo de proximidade: a questão da saúde (com cuidados sanitários); a perspectiva de família (as pessoas querem rever os seus, depois de tanto isolamento); a humanização (com momentos agradáveis); a sustentabilidade, baseada na confiança de que é seguro o destino e os deslocamentos; e a hiperconexão (inserção em meios digitais).

As empresas que conseguirem demonstrar todas essas características, e que estiverem o mais próximo de seus clientes potenciais através das redes sociais, terão condições de sair na frente na retomada que todos definiram como o “novo normal”, termo que vem sendo a cada dia mais usado para descrever o futuro próximo.

Em suma, quem souber comunicar tudo isso, terá muito mais condições, atratividade e, portanto, dianteira no oferecimento dos produtos.

Darse Júnior, também da FSB, citou especificamente o Ecoturismo, algo que o país é reconhecido internacionalmente, mas que é pouco explorado internamente.

Ele citou a MP 963 do governo federal, que abriu crédito extraordinário para o financiamento da Infraestrutura Turística Nacional no valor de R$ 5 bilhões. Segundo ele, o foco para estimular as atividades está no transporte rodoviário, segundo afirmou o ministro do Turismo.

Letícia Pineschi, pela ABRATI, fez questão de ressaltar que o transporte por ônibus permite que a pessoa aproveite a própria viagem. Ao contrário de longas viagens de avião, roteiros menores feitos pelo setor rodoviário dão a chance para várias alternativas de locais próximos e intercalados.

Nesse sentido, ela fez questão de ressaltar que o setor de ônibus no país sempre teve uma forte necessidade de ser visto como uma alternativa, e é chegado o momento. “Várias empresas estão envolvidas com as comunidades que servem. E neste momento de pandemia, muitas delas mostraram isso, ajudando a diminuir as dificuldades de muitas famílias com ações sociais”, lembrou.

Letícia destacou que o setor hoje tem várias alternativas de veículos para atender a várias necessidades, desde ônibus executivos, leito e semileito, além de características especiais que estão sendo incorporadas, como cabines individuais. “Mas o mais importante, e esse é o grande desafio, será garantir às pessoas a confiança necessária para voltarem a viajar, aliada a um custo que seja razoável”, afirmou.

Nesse ponto, Rodrigo Firmino de Sá, da CVC CORP, afirmou que o turismo é um dos poucos setores que permite unir forças diferentes do mercado.

Ele citou uma experiência já em curso, e que será ampliada a partir de agora, que é o casamento da oferta de linhas regulares do transporte rodoviário com pacotes de hotelaria. “Essa venda casada é possível, e terá de ser praticada agora que as pessoas querem voltar a viajar a destinos próximos, e precisam se sentir seguras e confiantes”, disse Rodrigo.

Letícia Pineschi destacou que toda a cadeia ligada ao transporte rodoviário já vem buscando definir protocolos de segurança e saúde, realizando ações como a compra de termômetros para aferir a temperatura dos passageiros, a instalação de túneis de desinfecção em terminais rodoviários (como já feito no Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo), até medidas simples como a garantia do distanciamento nas filas.

Esse “pacote de segurança”, que deverá garantir a viagem toda, deve incluir desde o deslocamento até a rodoviária, a viagem no interior dos ônibus, os locais de parada e todas as garantias na hospedagem, e é o desafio que deverá ser enfrentado e resolvido pelos diferentes setores.

Manoel Cardoso Linhares, que preside a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, afirmou que “o turismo pode ser a grande surpresa para sairmos da crise”. E nessa equação, ele enxerga o setor rodoviário como a mola mestra para essa retomada.

Letícia Pineschi, pela ABRATI, lembrou que o setor rodoviário regular tem uma capilaridade que, nesse novo cenário, terá de ser muito bem aproveitada, somada às várias opções de conforto que oferece.

As empresas de transporte contam ainda, segundo ela, com uma infraestrutura de apoio a cada 400 km em média.

Tudo isso, e o uso das mídias sociais para a venda de passagens em operações casadas a opções turísticas envolvendo a hotelaria, será a grande novidade a ser construída a partir de agora.

Como afirmou o presidente da ABIH, caberá ao setor rodoviário impulsionar esse novo modelo.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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