OPINIÃO: Transporte Público a.C. e d.C.

Publicado em: 14 de maio de 2020

Foto: Diário do Transporte

MILTON SILVA

O transporte público a.C. (pré-Covid-19) já sabemos que não existe mais. Vivemos um momento sem precedentes, que não está sendo nada fácil, muito menos indolor. Ainda assim, precisamos pensar no amanhã, no d.C. (pós-Covid-19).

Essa abordagem da linha divisória entre o antes e o depois (a.C. e d.C.) que reutilizo neste texto é uma visão da releitura cunhada pelo CEO da Suzano Papel e Celulose, Walter Schalka.

Não é uma opção deixar para amanhã o planejamento do d.C. Pelo contrário, devemos refletir e nos preparar já para o que nos espera no novo normal d.C., pois na prática já não há nenhum planejamento estratégico vigente. Todos os planejamentos desmoronaram. No mundo a.C., as empresas se atinham ao custo de fazer algo, quando deviam preocupar-se mais com os custos de não fazer nada.

Vivendo o atual ponto de inflexão, que tirou do eixo a sociedade, governantes e empresários se veem na condição de uma startup, onde são obrigados a trabalhar com cenários de curto prazo, tendo que construir uma hipótese, implementar e testar o serviço ou produto, observar e aprender, tudo com muita agilidade, pois o preço de não fazer nada é muito maior do que o custo de agir.

Com tudo que já vivemos nessa pandemia do Coronavírus, podemos afirmar que o desemprego gerado deverá criar dificuldade para a recuperação das empresas de transporte público, pois praticamente 50% da receita a.C. dessas empresas era oriunda do vale-transporte. Também é consenso que acelerar a retomada exigirá políticas públicas de ajuda que precisarão ser cirúrgicas, sem jogar o Brasil em um novo abismo tributário e de endividamento geral.

E um ponto será decisivo: respeitar os novos hábitos dos clientes e as novas formas de se relacionar. SEU NOVO ANTIGO REI: O CLIENTE. É passada a hora de tratar o principal ator do ecossistema de transporte público como protagonista. Temos que estar mais presentes. Temos que servir sempre para servir melhor.

Está mais do que comprovado o poder da tecnologia. Gravações de DVD musicais a.C. contavam com equipes de mais de 90 pessoas e agora assistimos Lives Musicais, dignas de serem eternizadas em DVD, que foram produzidas por apenas 9 pessoas. Vimos o quanto podemos ser produtivos, mesmo estando em casa, nos reunindo com parceiros, clientes e colegas virtualmente. O varejo já mostra sua transformação, onde o atendimento está sendo full para ser bom: todos os formatos de entrega, diversas formas de atendimento, várias opções de pagamento e, acima de tudo, o virtual é tão, ou mais, relevante que o físico.

Estes exemplos comprovam que apesar da perda de empregos, que já é fato, a eficiência dos novos modelos, pautados em tecnologia, é espantosa. Mais do que nunca precisamos nos reinventar. Buscar olhar as coisas por outro ângulo.

Vale lembrar que somos brasileiros e não desistimos nunca. Somos um povo aguerrido e resiliente, que já passou por poucas e boas sem desistir.

Milton Silva – Co-founder & Head Business Development da Axis MobFintech

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Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa tarde.

    O problema é que o buzão e o poder público SÃO JURÁSSICOS e mesmo após COVID-19 continuarão a ser JURÁSSICOS e continuaram DEITADOS EM BERÇO ESPLENDIDO.

    Principalmente por que ambos não sabem e nunca viveram sem RECEITAS.

    Condição esta que o povo e os demais empresários conhecem há séculos.

    Quero ver fazer cortesia com o chapéu do contribuinte SEM DINHEIRO.

    É muito blá blá bla e FAZEDORIA que é bom NADA.

    Só conjecturas.

    NÃO HÁ UMA PROPOSTA CONCRETA NEM ACOVID-19, NEM NO COVID-19 E MUiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiTO MENOS PRA DEPOIS DO COIVD-19.

    Parece qeu o BARSILei está embriagado, com patins de faca, numa pista dura de gelo, sem nunca ter patinado nem com patins de rodas.

    Este é o real cenário que todos nós vivenciamos diariamente no “GOVERNO CONTIGO” …

    SÓ SE PREOCUPAM COM AS FOFOCAS DO DISSE QUE DISSE.

    NADA MUDA NO BARSILei.

    SAÚDE A TODOS!

    Att,

    Paulo Gil

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