Coronavírus: Redução do número de passageiros vai aumentar tarifas de ônibus em todo o país, segundo presidente da NTU

Publicado em: 14 de maio de 2020

De forma simplificada, tarifa é a soma dos custos da empresa dividido pelo número de pessoas transportadas, segundo Cunha. Foto: Diário dos Trilhos.

De acordo com Otávio Vieira da Cunha Filho, poder público deve intervir para evitar reajustes no valor das passagens e manter operações

JESSICA MARQUES

Por conta da pandemia de Covid-19, a orientação das prefeituras e governos dos estados brasileiros está sendo a redução do número de passageiros nos ônibus, para evitar aglomeração. Contudo, esta tendência vai causar um aumento nas tarifas em todo o país.

A informação foi divulgada pelo presidente da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), Otávio Vieira da Cunha Filho, em entrevista exclusiva ao Diário do Transporte.

“Hoje, são seis passageiros por metro quadrado por determinação do poder público. Se ele colocar uma taxa de ocupação muito baixa, a tarifa fica muito alta e o passageiro não consegue pagar”, disse Cunha.

Recentemente, houve uma queda na demanda das empresas de ônibus de todo o país, por conta das medidas de isolamento social. Alguns municípios relatam diminuição de mais de 70%.

Além disso, os governantes estão orientando que as viações não transportem passageiros em pé e determinando ocupação máxima por veículo para evitar a proliferação do novo coronavírus.

“A taxa de ocupação, que vai ser reduzida, vai implicar em aumento de custo do serviço, pois será preciso mais ônibus para menor ocupação interna. Essa adaptação vai exigir outra estruturação dessa atividade. A tarifa vai aumentar porque se pega o custo do ônibus, do serviço, da garagem, soma tudo e divide pelo número de pessoas transportadas. Quando se tem menos gente dentro do ônibus e o custo fica mantido, a tarifa aumenta”, explicou.

Entretanto, o presidente da NTU explicou que as tarifas só vão subir se o poder público manter as mesmas normas para as empresas de ônibus. A solução para manter o distanciamento social dentro dos veículos sem elevação do preço das passagens, segundo o executivo, é a implantação de medidas que financiem o sistema de transporte.

“Uma parte tem que ser a tarifa e a outra um complemento pago por uma fonte extra tarifária, como subsídio, criação de uma fonte pelo poder público, imposto pela gasolina que o transporte individual pode pagar para manter a qualidade do coletivo, cobrança de pedágio, taxas sobre estacionamentos, são várias soluções que países desenvolvidos fazem hoje que permitem que a tarifa caiba no bolso do usuário e que haja um serviço de altíssima qualidade, porque a outra parte do custo está sendo paga pelo governo”, avaliou o executivo.

De acordo com o presidente da NTU, se o governo deixar do jeito que está, em que só a tarifa financia o serviço de transporte, quando se reduz a ocupação do ônibus o preço da passagem subirá na proporção direta.

Em março deste ano, a NTU, junto ao Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana e à ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos, divulgou um conjunto de medidas emergenciais concebido entre as principais instituições que atuam no transporte coletivo urbano.

Sob o nome de Transporte Social, as entidades propõem que o Governo Federal destine R$ 2,5 bilhões por mês para aquisição dos créditos eletrônicos de passagens, enquanto perdurar a crise do Covid-19.

Relembre: NTU, Fórum de Secretários e ANTP propõem ao Governo Federal compra imediata de passes de ônibus na ordem de R$ 2,5 bilhões/mês

Para ler a proposta na íntegra, acesse: Programa Transporte Social.

Entretanto, a solução não foi aceita pelo governo até o momento. Contudo, Cunha firmou que a NTU não desistiu desta proposta. O projeto está sendo encaminhado pelo Legislativo de duas maneiras diferentes:

  • Por meio de um projeto de lei apresentado pelo Senador Marcos Rogério (DEM/RO), que propõe a criação do “Projeto Emergencial Transporte Social”.

Relembre: Projeto de Lei no Senado reforça pedido de criação do Programa Emergencial de ajuda ao transporte público

  • Proposta já foi apresentada na Câmara dos Deputados pelo deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS), que entrou com uma Emenda Aditiva à Medida Provisória º 936 instituindo o mesmo programa.

Relembre: Congresso Nacional discutirá emenda que cria o Programa Emergencial Transporte Social do Governo Federal

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

  1. JOAO LUIS GARCIA disse:

    Os órgãos gestores ( prefeituras ) deverão criar formas de subsidiar o transporte dos municípios, caso contrario veremos empresas entregarem seus contratos devido a impossibilidade de operar com a demanda atual dos sistemas.

  2. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia

    Lógica pura, a questão que a tarifa deve aumentar.

    Porém, também lógica pura que quem trabalha não tem poder aquisitivo para pagar uma tarifa mais alta muito menos mais impostos.

    Muito menos quem está desempregado seja pelo COVID-19 ou não.

    “De acordo com o presidente da NTU, se o governo deixar do jeito que está, em que só a tarifa financia o serviço de transporte,”

    Isto não é regra, Sampa paga um subsídio lascado para bancar articuladinho trucadinho bater lata bem como o carro bora, as sobreposições e todo o resto.

    O que mais me intriga é que nenhuma outra atividade econômica tem subsídios seja lá de que forma for.

    O buzão é um muro de lamentações e choradadeira.

    Como o buzão está em crise, se as empresas têe renovado as frotas? (basta ler as matérias aqui no DT)

    Como uma empresa rescindi um contrato e depois de 5 dias aproximadamente aparece uma empresa do nada e assume o serviço?

    O buzão do BarsiLei em mais mistérios do que o COVID-19 e o LOCKDOW juntos.

    Fica aí para reflexão de todos.

    Sinceramente, tenho pensado que se é para ter tanta dor de cabeça com concessão do buzão é melhor estatizar tudo e colocar tarifa zero.

    Impossível?

    Creio que não mais.

    Quem quer ganhar dinheiro que trabalhe.

    Se for para os contribuintes pagarem, melhor ser estatizado mesmo.

    Ou que voltem os perueiros que tudo funcionava bem e com Sprinter´s macias, limpas e tudo Ligeirinho.

    “PENSO, LOGO MUDO DE IDEIA”.

    Tenho observado que concessão do buzão tem dado muito trabalho ao poder público e pouco resultado.

    SAÚDE A TODOS!

    Att,

    Paulo Gil

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