ENTREVISTA: Projeto do BRT ABC deve ser concluído e apresentado até junho, diz Baldy

Publicado em: 12 de maio de 2020

Sistema deve ser 100% elétrico como ocorre em outros países. Foto: Irizar

Segundo secretário dos Transportes Metropolitanos, restam pareceres finais da Procuradoria Geral do Estado que neste momento teve de focar na saúde

ADAMO BAZANI

Prometidas desde o ano passado pela gestão do Governador João Doria, a conclusão e a apresentação do projeto do BRT ABC deve ser concluído e apresentado até junho deste ano.

A informação é do secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Alexandre Baldy, na live “Desafios da Mobilidade frente à Pandemia”, transmitida pelo Diário do Transporte e Via Trólebus com a participação do diretor de mobilidade da organização internacional WRI Cidades Sustentáveis, Sergio Avelleda.

Já é a terceira data prometida para apresentação do projeto.

Em encontro com prefeitos do Consórcio Intermunicipal do ABC, em setembro de 2019, Baldy disse que o projeto deveria ser detalhado em dezembro. Na ocasião, o secretário disse que as obras começariam no primeiro semestre de 2020, com previsão de entrega em aproximadamente dois anos depois, ou seja, no primeiro semestre de 2022.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/09/12/entrevistas-brt-do-abc-nao-tera-interferencia-do-transito-diz-baldy-obras-comecam-no-1o-semestre-de-2020/

No início do ano, a promessa era de apresentação até março de 2020, mas, segundo o secretário, na live do Diário do Transporte e do Via Trólebus, desta segunda-feira, 11 de maio de 2020, por causa da pandemia do novo coronavírus, a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, que precisa concluir os pareceres jurídicos sobre o projeto, teve de focar nas compras, projetos e obras da área da Saúde. Ainda de acordo com o secretário Alexandre Baldy, o BRT ABC é uma das únicas obras de mobilidade que ainda não tiveram início e que serão mantidas nos planos de curto prazo do Governo do Estado de São Paulo.

“O BRT ABC, como foi compromisso do governador no ano passado, nós estamos evoluindo sim, mas dada a esta condição da pandemia, a Procuradoria do Estado teve de focar muito na Saúde. Nós continuamos a elaboração [do projeto], só aguardamos os pareceres finais da Procuradoria Geral do Estado para que a gente possa trazê-lo ao conhecimento do público para que possa ser definitivamente iniciado. Esse é um dos poucos projetos que neste momento, que não havia sido iniciado e nós mantemos em evolução. Nossa expectativa era colocar em março esse projeto para ser conhecido do público, mas infelizmente tivemos essa condição da pandemia, que nos impediu de colocar, mas agora acreditamos que vai ser possível concluí-lo até o mês do junho para que a gente possa colocar em conhecimento do público e aí sim, deslanchar com o projeto do BRT ABC” – disse Baldy aos portais de mobilidade.

Ouça:

O BRT foi escolhido pelo governo do Estado para substituir o projeto de monotrilho para a linha 18-Bronze, previsto para ligar a região de Ferrazópolis, em São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul até a estação Tamanduateí, na capital paulista. Já o BRT deve partir do centro de São Bernardo do Campo, mas ir além da estação Tamanduateí, parando no Terminal Sacomã.

O BRT é um sistema de ônibus, que consegue ter maiores velocidades e capacidade que os corredores comuns, disse Baldy na ocasião.

A principal razão da troca de modal foi o alto custo de implantação do monotrilho diante da capacidade limitada de transportes na visão do Governo: quase R$ 6 bilhões para uma demanda diária de 340 mil passageiros. Como o monotrilho do ABC teria uma extensão de 15,7 km entre São Bernardo do Campo e a estação Tamanduateí, na capital paulista, o quilômetro de monotrilho custaria em torno de R$ 380 milhões, praticamente a metade do custo por quilômetro de um metrô de alta capacidade, mas transportando uma demanda de três a quatro vezes menor.

Somente com desapropriações, o monotrilho necessitaria em torno de R$ 600 milhões dos cofres públicos e este foi o principal entrave ao longo da expectativa em relação ao modal de média capacidade, que consiste em trens leves com pneus que circulam em elevados de concreto. O monotrilho deveria ter sido concluído entre os anos de 2014 e 2015.

O Governo do Estado não conseguiu aval da Cofiex, do antigo Ministério da Fazenda (hoje Ministério da Economia), para captar no mercado recursos para o financiamento destas desapropriações necessárias para a colocação das vigas dos elevados do monotrilho e das estações.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Esse BRT do ABC, precisa só de uma coisa antes de tudo e do projeto.

    Será que seu trajeto será livre de enchentes (aéreo ou não)?

    Caso negativo será mais um desperdício do dinheiro do contribuinte e dos grandes; anotem ai mais uma continha para nós os contribuintes pagarmos.

    Sem contar o tempo que está sendo gasto neste assunto e eventuais prejuizos que será cobrados pela aquela empresa já contratada para o fazer o AEROTREM ABC ou o projeto; nem sei qual o objeto daquele contrato.

    NADA MUDA NO BARSILei.

    SAÚDE A TODOS!

    Att,

    Paulo Gil

  2. Paulo Gil, to contigo, mas a na minha visão isso não vai sair do Papel, por que ? Por que depois da Pandemia muitos do que estão estudando isso aí, estarão fora dos cargos, será época de eleição. Tudo muda, e evidente darão ênfase ao que foi perdido pela paralisação do CVID 19..Esse BRT se sair, será lá em 2030..atrasado e defasado..LEMBREM-SE DISTO,,após a pandemia darão importância aos prejuizos na economia, e não fazer obras…

  3. Paulo Gil disse:

    landauford1970, bom dia.

    Muito obrigado; mas pensa numa questão.

    Pós COVID-19, na minha modesta opinião, vai ter uma enxurrada de obras para impulsionar a economia, claro tudo pago pelos contribuintes.

    E obras significa comi$$õ$, portanto, será a farra do boi autorizada.

    Aguarde.

    Agora o que realmente vai sair desse projeto ai ninguém sabe.

    Mas o que mais preocupa é esse contrato que já foi assinado, isso dará tanto prejuízo como o AERO-BOMBA ou até maior pois assinaram um contrato nem sei do que, nada foi feito e mudaram o jogo no meio do contrato.

    É ação judicial de indenização na certa e mais um desperdício do dinheiro do contribuinte a ser pago pelo próprio contribuinte.

    SAÚDE A TODOS.

    Abçs,

    Paulo Gil

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