Londres lança plano para compensar queda de passageiros no metrô e nos ônibus após lockdown ampliando espaço de ruas e calçadas para pedestres e ciclistas

Publicado em: 6 de maio de 2020

Ruas de Londres estão vazias durante o lockdown. Prefeitura quer garantir espaço para as pessoas quando comércio e atividades forem retomadas. Foto: Verônica Kierme

Transformação será acelerada, e prefeitura estima que poderá aumentar em até 10 vezes os deslocamentos de bicicletas e em até cinco vezes as caminhadas após o bloqueio da Covid-19

ALEXANDRE PELEGI

Transformar as ruas de Londres abrindo espaço para novas ciclovias e calçadas mais amplas que permitam o distanciamento social.

Reduzir a pressão no metrô e nos ônibus criando locais de referência com rotas temporárias para bicicletas e mais espaço para caminhar.

Focar em viagens limpas, verdes e sustentáveis o processo de recuperação da capital após o bloqueio provocado pela Covid-19.

Meta: aumentar em até 10 vezes os deslocamentos de bicicletas e ampliar em cinco vezes as caminhadas após o lockdown.

Ambicioso? Ousado?

Sim, mas esse é o plano divulgado nesta quarta-feira, 07 de maio de 2020, pelo prefeito de Londres, Sadiq Khan e pela Transport for London (TfL), gerenciadora do transporte na capital do Reino Unido.

Denominado ‘London Streetspace‘, a ideia é transformar rapidamente as ruas de Londres visando acomodar um aumento de dez vezes no ciclismo e cinco vezes na caminhada quando as restrições de bloqueio social forem aliviadas.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, afirmou em comunicado nesta quarta, 06: “A capacidade de nosso transporte público será drasticamente reduzida após o coronavírus como resultado dos enormes desafios que enfrentamos em torno do distanciamento social. Todo mundo que pode trabalhar em casa deve continuar fazendo isso por algum tempo. As medidas de emergência incluídas em nosso principal programa estratégico da London Streetspace ajudarão aqueles que precisam viajar para o trabalho, acompanhando rapidamente a transformação das ruas em nossa cidade. Muitos londrinos redescobriram as alegrias de caminhar e andar de bicicleta durante o bloqueio e, ampliando as calçadas de maneira rápida e barata, criando ciclovias temporárias e fechando estradas para o tráfego, permitiremos que milhões de pessoas mudem a maneira como se locomovem em nossa cidade”.

Com a capacidade de transporte público de Londres potencialmente operando em torno de 20% dos níveis pré-crise, milhões de viagens por dia precisarão ser feitas por outros meios, assevera a TfL. “Se as pessoas mudarem apenas uma fração dessas viagens para carros, Londres corre o risco de parar, a qualidade do ar piorará e os acidentes nas ruas aumentarão”, afirma o comunicado do prefeito e da TfL.

Para evitar que isso aconteça, a TfL rapidamente adaptará as ruas de Londres para atender a essa demanda sem precedentes de caminhada e ciclismo em uma nova e importante mudança estratégica.

A modelagem inicial da TfL revelou que pode haver um aumento de mais de 10 vezes nos quilômetros percorridos e até cinco vezes na quantidade de caminhadas, em comparação com os níveis pré-COVID, se a demanda retornar.

Para isso, a TfL fará alterações nos bairros de Londres – algo sem paralelo para o tamanho de uma cidade como a capital -, se concentrando em três áreas principais:

– A construção rápida de uma rede estratégica de ciclismo, utilizando materiais temporários (arquitetura tática), incluindo novas rotas destinadas a reduzir o aglomerado de metrô e linhas de trem e corredores de ônibus movimentados;

– Uma transformação completa das centralidades locais para permitir que as viagens sejam percorridas e pedaladas com segurança, sempre que possível. Passagens mais largas nas ruas principais facilitarão a recuperação econômica local, com as pessoas tendo espaço para fazer fila para as lojas e espaço suficiente para que outras pessoas passem com segurança enquanto se distanciam socialmente; e

– Reduzir o tráfego nas ruas residenciais (traffic calming), criando bairros com pouco movimento de carros para permitir que mais pessoas caminhem e andem de bicicleta como parte de sua rotina diária, como aconteceu durante o lockdown.

Os esquemas temporários serão revisados ​​continuamente pela TfL – e poderão se tornar permanentes.

A Transport for London já começou a fazer melhorias para aumentar o distanciamento social usando medidas de arquitetura tática (infraestrutura temporária). As calçadas já tiveram seu espaço dobrado em Camden High Street e Stoke Newington High Street e ampliados em mais seis locais – com mais espaços a seguir nas próximas semanas.

Outras melhorias como parte do plano London Streetspace incluirão:

  • Criar novas rotas de caminhada e ciclismo ao longo dos principais corredores, incluindo ciclovias temporárias. Também serão feitas atualizações nas rotas existentes, incluindo a criação de seções de segregação temporária.
  • O estacionamento na rua e as faixas para carros e o tráfego geral serão reaproveitados para dar mais espaço às pessoas a pé e de bicicleta.
  • Ampliar mais calçadas nos centros das cidades para permitir que as pessoas acessem lojas e serviços essenciais locais com mais facilidade. Os pavimentos serão ampliados em mais de 20 locais nos próximos dias.
  • Trabalhar para tornar a caminhada e o ciclismo nos bairros locais mais seguros e atraentes, reduzindo a velocidade e o volume do tráfego motorizado. Um bairro de baixo tráfego será criado em Hounslow ao longo da futura rota Cycleway 9, fechando as estradas locais para o tráfego e outros locais em Londres se seguirão, com a TfL apoiando ativamente os bairros para reduzir o tráfego motorizado nas ruas residenciais e tornar mais seguro o caminhar e mais fácil andar de bicicleta.

Veja a publicação original no site da prefeitura de Londres clicando aqui.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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