Área de Engenharia da empresa realiza pesquisas para possível utilização e introdução em veículos de motorização 100% elétrica ou híbrida, devido ao elevado peso das baterias
ALEXANDRE PELEGI
A Marcopolo, uma das maiores fabricantes de carrocerias de ônibus do mundo estima iniciar testes, até o final de 2020, com a aplicação do grafeno em novos componentes de ônibus.
O grafeno, uma das formas cristalinas do carbono, é considerado tão ou mais revolucionário que o plástico e o silício, e sua grande vantagem será reduzir o peso total do veículo e ampliar e garantir a resistência estrutural.
A Marcopolo estuda a possibilidade de utilizar e introduzir o material em veículos de motorização 100% elétrica ou híbrida, o que ocorre na indústria automobilística mundial.
Luciano Resner, diretor de Engenharia da Marcopolo, afirma que o programa está em fase de estudos de engenharia, com planos de se concluir o desenvolvimento e iniciar testes até o final deste ano.
“Firmamos, no ano passado, uma parceria com a UCS, Universidade de Caxias do Sul, para o desenvolvimento do material e produção local em escala industrial. Iniciamos os estudos de caracterização, uma das principais etapas, pois permitirá determinar qual a quantidade ideal de grafeno na composição do material que relaciona diretamente com a resistência mecânica desejada para cada subsistema do nosso produto. São testes de ensaios químicos, térmicos e mecânicos, além de testes acelerado de durabilidade em dispositivos que garantem a durabilidade e confiabilidade do produto, representando as condições de utilização de nossos clientes”, analisa Resner.
Resner explica que a fabricante vem realizando estudos e pesquisas com o grafeno, também associado ao aço e a diferentes polímeros que poderão resultar em grande ganho de peso. “Nossos trabalhos mostram que a liga com grafeno e aço proporciona redução de peso e melhoria das características mecânicas. Estamos desenvolvendo a sua aplicação na pintura, com a adição do grafeno em tintas para reduzir camadas, diminuindo custos e melhorando as características contra a corrosão”, destaca o executivo.
A Marcopolo está trabalhando também, entre os desenvolvimentos mais avançados, em peças poliméricas, avaliando a substituição de componentes metálicas por polímeros com a adição do grafeno. Isso inclui suportes, materiais de acabamento, como a estrutura do porta-pacotes e descansa-pernas, e em alguns componentes estruturais, como poltronas. “Deveremos iniciar testes no campo de provas ainda no segundo semestre deste ano, para apresentar novidades no mercado em 2021”, conclui Resner.
Em comunicado à imprensa especializada, a Marcopolo destaca que um dos grandes desafios da indústria automobilística mundial está na contínua redução de peso e elevação da resistência dos componentes e dos veículos como um todo. O outro é a redução no uso de combustíveis fósseis e nas emissões. “Com a crescente adoção da tecnologia de motorização elétrica e elevado peso das baterias, os fabricantes têm como meta desenvolver veículos mais leves e, ao mesmo tempo, robustos”, informa a fabricante.
O grafeno é o material mais leve e forte do mundo, sendo 200 vezes mais resistente do que o aço e superando até o diamante. Também é o material mais fino que existe, com espessura de um átomo, ou 1 milhão de vezes menor que um fio de cabelo. Maleável, resistente ao impacto e à flexão, é excelente condutor térmico e elétrico.
Isolado pela primeira vez em 2004, na Inglaterra, pelos cientistas Andre Geim e Konstantin Novoselov, em pesquisa que ganhou o Prêmio Nobel de Física em 2010, uma folha de grafeno de 1 metro quadrado pesa 0,0077 gramas e é capaz de suportar cargas de até quatro quilos.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
