Decisão ocorreu por causa do avanço do novo coronavírus e sinais de esgotamento do sistema de saúde
ADAMO BAZANI
O governador de São Paulo, João Doria, anunciou o prolongamento da quarentena para o isolamento até o dia 10 de maio.
O motivo é o aumento de casos e número de mortes pelo novo coronavírus, que teve origem na China, país que, segundo a comunidade científica internacional, demorou a alertar ao mundo sobre a gravidade do problema e, de acordo com relatos de agências de inteligência, chegou a perseguir médicos e cientistas que detectaram a existência de uma mutação mais forte de coronavírus.
Segundo o Governo do Estado de São Paulo, o motivo da prorrogação é evitar um estrangulamento dos sistemas de saúde público e privado com um número de pessoas sendo infectadas ao mesmo tempo acima da capacidade de atendimento dos hospitais.
Já existem hospitais na cidade de São Paulo com todos os leitos de UTI – Unidade de Terapia Intensiva ocupados ou muito próximos do limite.
O Estado de São Paulo concentra o maior número de casos e mortes em todo o Brasil.
Quinta-feira, 16 de abril de 2020, o índice de isolamento foi de 49%.
Segundo o coordenador do comitê de crise, o infectologista David Uip, que também foi acometido pela doença de origem chinesa e se recuperou, sustenta que estudos comprovam que para o quadro de São Paulo, o nível ideal de isolamento é entre 60% e 70% ou mais e que entre 50% e 60% é aceitável com maior risco.
Pelo sistema de monitoramento por celulares, os índices têm ficado até 50% , o que preocupado as autoridades de Saúde de São Paulo.
Como não há vacina para evitar a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, o isolamento social é considerado o melhor caminho para evitar o alto contágio.
Já é o segundo prolongamento da quarentena, que começou em 24 de março de deveria ir até 07 de abril, mas foi estendida até 22 de abril e, agora, até 10 de maio.
Na entrevista coletiva, Doria falou que não há planos de fechamento de rodovias, mas respeita prefeitos de cidades turísticas que estão restringindo acessos de quem não mora nestes locais.
“Nem, nem o prefeito Bruno Covas temos prazer em prorrogar a quarentena, mas é uma decisão baseada na ciência, mas vai passar. Poderemos recuperar a economia e empregos, como fizemos em 2019” – disse Doria.
“O vírus é invisível, as pessoas têm uma falsa sensação de que as cidades co menos casos estão com menor risco. Mas o exemplo do que ocorreu em todos os países mostra que essa segurança é falsa” – disse David Uip dizendo que o objetivo é achatar a curva e que as mudanças das previsões de pico são na verdade uma boa notícia, porque mostra o achatamento da curva de contágios.
O secretário de saúde do Estado, José Henrique Germann Ferreira, mostrou gráficos indicando que apesar de São Paulo registrar o maior número de casos de contágios e de mortes, a curva de crescimento da doença é menor que do Brasil e atribuiu este fato às medidas de isolamento.
O governador descartou neste momento mudar o modelo da quarentena com medidas mais rígidas, mas se o isolamento ficar abaixo de 50% pode endurecer as ações, o que, segundo Doria, será analisado dia a dia.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
