HISTÓRIA: A gripe e o transporte

Publicado em: 5 de abril de 2020

Ônibus dos anos 1940 em São Paulo

Crônica de jornal de 1945 mostra que as condições do transporte coletivo lotado proporcionavam o avanço de uma epidemia

ADAMO BAZANI

“Evitar filas, cinemas … tudo quanto seja reunião”.

“No transporte coletivo, o que se verifica em terminais de linha é assustador ….E o acúmulo de passageiros (…) em certas linhas? Os passageiros têm pressa e se sujeitam a viajar como sardinhas, esbarrados, comprimidos, sofrendo toda a sorte de incômodos …. não há meios de obedecer às prescrições da Saúde Pública. Como é que pode a gente fugir à aglomeração, se não há saída diferente?”

As frases parecem ser do atual contexto da pandemia do coronavírus, que teve origem na China, e assola o mundo.

Recomendações para evitar as aglomerações e a queixa de quem depende de transporte, a lotação em época de epidemia, também são retratadas.

Mas as frases pertencem a uma crônica de 04 de agosto de 1945, assinada por Antonio Constantino, no jornal A Gazeta.

O relato era a respeito de uma epidemia de gripe, que, segundo o texto, teve origem na Itália , com consequências bem mais brandas que o atual coronavírus, responsável pela Covid-19 e que surgiu na China.

Mas as semelhanças do texto de 1945 com o momento atual revelam problemas antigos da vida urbana que contribuem para a queda na qualidade de vida e disseminação de doenças. Um destes problemas é a condição dos transportes públicos.

O excesso de lotação é um dos principais propagadores de doenças e desconforto, apontam autoridades de saúde de todo o mundo.

Não se fala em lotação, pessoas sentadas e em pé, mas com o mínimo de dignidade. Demanda de passageiros dá a sustentabilidade financeira dos sistemas.

O problema que se vive nos principais sistemas de transportes é a superlotação e falta de higienização adequada dos ônibus, trens e metrôs.

Na época atual, de coronavírus, o que se vê na maioria das vezes são ônibus e trens vazios, muito embora haja lotação em horários de pico com a redução da frota pela queda de demanda, contrariando as recomendações da OMS – Organização Mundial da Saúde.

Os ônibus e trens estão sendo higienizados mais vezes, não somente em pátios e garagens, mas durante a operação.

Mas e quando a pandemia do coronavírus passar (esperamos que os governantes tenham cérebro para que isso seja o mais breve possível)?

Os ônibus e trens continuarão abarrotados e sujos?

Não aprendemos com as epidemias anteriores. Aprenderemos com esta?

O Diário do Transporte agradece ao colaborador e pesquisador Mário dos Santos Custódio que nos enviou o material originalmente publicado no site São Paulo Antiga. O acervo é da Fundação Energia e Saneamento.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Parabéns ao DT por publicar esta matéria e ao Sr. Mario dos Santos Custódio em compartilhar com todos a crônica do jornal A GAZETA, tão bem escrita pelo Sr.Antonio Constantino.

    Quero destacar 3 trechos do texto os quais me identifiquei muito.

    “Estou vendo que, além das aflições indicadas, o ordinaríssimo serviço do transporte urbano sotopões os passageiros à ameaça da tal epidemiazinha camarada”

    “Não adianta o esperneio dos lesados.”

    “Não esta ai, o exemplo do “circular” que, como demonstrou a GAZETA, é o martírio deste ultra resignado paulistano que os maus psicólogos consideram espinhado e rebelde?”

    Soma-se a esta crônica todo o patrimônio jornalístico que detêm o DT.

    Recebi via zapzap, dois vídeos (o que me confirmaram que são verídicos) da construção de um hospital em um estádio de futebol no nordeste, aplicando-se concreto no gramado tendo já pronto um hospital com 200 leitos novinhos e sem uso.

    Bom é patente que independente de cor e nome do partido ou dos políticos NADA MUDA E NADA MUDOU mesmo em 2020, ou seja:

    “Tudo dantes como no quartem de Abrantes”

    Será que não há solução ? Ou será que só os lesados e os espinhados rebeldes (parafraseando o Sr, Antonio Cnstantino) é que enxergam isto?

    Pra mim é simples, basta acabar com o desperdício do dinheiro do contribuinte (como atual e bem demonstrado no vídeo que joga o concreto no gramado) e eliminar um zilhão de Leis; caso contrário, com essa estruturo burrocrática e política que temos, NADA VAI MUDAR.

    Assim ouso a sugerir que o DT e seus os comentaristas proponha uma solução PILOTO de forma on line em uma linha da fiscalizadora e vamos ver se não conseguimos arrumo o buzão de Sampa.

    Estatizado não deu certo; concessão também não deu certo; portanto temos de achar uma outra alternativa.

    Quem sabe o modus TRANSWOLFF?

    Deu certo não deu?

    Enta, DT e amigos, vamos parar de comentar e PROPOR UM PROJETO PILOTO.

    Em tempo:

    Respondendo a pergunta do DT.

    “Os ônibus e trens continuarão abarrotados e sujos?”

    Sim sem dúvida, mesmo sendo uma Cláusula contratual.

    Além de tudo, o que mais falta no BarsilLei é VERGONHA NA CARA e isso nenhuma Lei ou Contrato impõe ou faz acontecer.

    Só uma coisa dá VERGONHA NA CARA DE UM SER HUMANO; “O BERÇO”.

    Só o BERÇO confere certas características BOAS ao ser humano; estas nenhuma escola ou Universidade dá.

    Eu já tive chefe que ia no banheiro e não lava a mão; é mole? Quando eu vi o cara sair do banheiro sem lavar a mão fiquei estarecido.

    Ele estudou, mas o berço não lhe deu noção de higiene.

    É isso.

    SAÚDE A TODOS!

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

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