Motoristas da Rápido Luxo bloqueiam terminal rodoviário em protesto contra ameaça de demissões em Campo Limpo Paulista

Ônibus fecha o acesso ao Terminal Rodoviário. Foto: Guga Arruda

Em nota, a viação afirma que a redução drástica na demanda requer apoio do poder público, sem o que não poderá honrar seus compromissos

ALEXANDRE PELEGI / WILLIAN MOREIRA

Os motoristas da Rápido Luxo, que opera na cidade de Campo Limpo Paulista, fecharam na tarde desta quinta-feira, 02 de abril de 2020, o acesso ao terminal rodoviário.

Após não chegar a entendimento com a empresa, os trabalhadores bloquearam o acesso ao terminal.

Os ônibus não conseguem entrar nem sair, e a proximidade do horário de pico leva apreensão. Isso porque a manifestação deverá impactar os trabalhadores que precisam voltar de Jundiaí à Campo Limpo Paulista.

Na terça-feira, 31 de março, a categoria já havia feito protesto em frente à empresa de ônibus.

A manifestação é contra a decisão da Rápido Luxo Campinas que teria suspendido provisoriamente o contrato de 180 trabalhadores por seis meses, em férias coletivas e sem remuneração, segundo o sindicato que representa a categoria. A Rápido Luxo afirma que essa proposta, de “até 180 dias”, envolvia uma alternância de trabalhadores de 15 em 15 dias, enquanto durasse a situação de emergência. E que a proposta, após não entendimento por parte do Sindicato, foi retirada.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Jundiaí e Região, Paulo Ataíde, confirmou à reportagem do Diário do Transporte que desde o dia 23 de março a empresa afastou, até ontem (1), 180 trabalhadores, tomando como base a Medida Provisória (MP) publicada por Jair Bolsonaro que autorizava as empresas a sustarem os contratos. A Rápido Luxo afirma que isso não é verdade, e que a decisão sequer chegou a ser implementada, e segue negociando  com os trabalhadores (leia a nota da empresa abaixo).

Aí ela afastou os 180 funcionários por seis meses se comprometendo a pagar a cesta básica e o plano de saúde neste período, e após 180 dias os chamava de volta, abatendo estes benefícios pagos, porém nestes seis meses sem remuneração salarial”, contou o dirigente sindical.

Todos os trabalhadores solidários paralisaram as atividades do transporte público na cidade”, afirmou Paulo Ataíde. O presidente do Sindicato disse que caso a empresa não reveja a ação tomada, os ônibus fretados podem aderir à paralisação também.

O dirigente estava saindo para a garagem da Rápido Luxo na companhia de um advogado e mais dois diretores do sindicato para negociar com a empresa.

Ele disse que agora com a nova MP divulgada ontem, 01, que permite o afastamento do trabalhador com o governo pagando parte do salário, tentará pressionar a empresa a rever a decisão tomada.

Por volta das 17 horas o Terminal foi totalmente fechado:

Foto de Guga Arruda, especial para o Diário do Transporte.


A Rápido Luxo admite crise, mas diz que ninguém foi demitido e que mantém cesta básica e Plano de Saúde aos funcionários.

O contrato de concessão da prefeitura com a empresa Rápido Luxo Campinas é originário da administração de 1999 e tem validade até 2029, ou seja, vigora por 30 anos.

Desde 1978 a empresa foi comprada e incorporada ao Grupo Belarmino.

A empresa opera atualmente nas regiões de Campinas, Jundiaí, Jaboticabal, Sorocaba, Campo Limpo Paulista, Cabreúva, São João da Boa Vista, Santa Cruz das Palmeiras, Tatuí, Iperó, Indaiatuba, Itu, Valinhos e Vinhedo.

Assista ao vídeo feito por Guga Arruda, direto do terminal:


NOTA DA RÁPIDO LUXO CAMPINAS

Em nota emitida hoje e enviada ao Diário do Transporte, a Rápido Luxo Campinas ressalta que trabalha para manter todos os funcionários de seu quadro, mas deixou claro ao Sindicato da categoria que se não houver ajuda urgente por parte das autoridades, “terá sérias dificuldades para honrar seus compromissos“.

Leia a nota na íntegra:

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Willian Moreira, colaboração especial para o Diário do Transporte

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