Ministro da Saúde critica decisão de prefeitos de cortar todos os serviços de ônibus

Publicado em: 22 de março de 2020

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, fala sobre paralisação de ônibus

Luiz Henrique Mandetta diz que neste momento, é importante garantir o ir e vir de profissionais de áreas essenciais

ADAMO BAZANI

Em entrevista coletiva na tarde deste domingo, 22 de março de 2020, o ministro da Saúde criticou decisão dos prefeitos em parar completamente todos os serviços de ônibus.

Luiz Henrique Mandetta disse que fez uma reunião neste domingo por meio de videoconferência com prefeitos de capitais e explicou que um mínimo de circulação tem de ser garantida para os profissionais de serviços essenciais para o combate do coronavírus, não só enfermeiros, médicos, técnicos de exames ou fisioterapeutas, mas também para os operários que trabalham em fábricas de componentes que podem ser essenciais para a fabricação de produtos como álcool em gel, máscaras, termômetros e respiradores.

“O que a gente tem notado nas tomadas de decisões? Muitas tomadas de decisões nos âmbitos municipais que não guardam nenhuma correlação com o momento que as cidades estão passando. Então, são atitudes intempestivas. Nós vimos, por exemplo, prefeitos que falaram: ‘- Vou interromper o sistema de ônibus!’ Abruptamente. Aí os profissionais de saúde que trabalham nos hospitais não conseguem chegar. Nós vimos lugares que fizeram quarentena, mas a fábrica que produz o ventilador (de respiração para os doentes) e que está trabalhando sob encomenda do próprio ministério 24 horas por dia, sete dias por semana, não conseguem que os trabalhadores cheguem ou que a peça chegue para poder produzir o ventilador. Nós vimos que em alguns lugares não definiram o que é essencial e tudo é essencial, um pouco de tudo. Pode ser que num determinado momento o essencial seja um essencial um eletricista, um mecânico que conserta uma ambulância que parou. É preciso saber o que é essencialidade” – disse

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Segundo dados divulgados por volta das 17h deste domingo, 22, pelo Ministério da Saúde, o coronavírus já matou ao menos 25 pessoas, além de 1546 casos confirmados.

Mandetta ainda comentou que tem prefeitos que tomam as decisões pensando nas eleições, tanto decisões radicais como as mais brandas.

“Não se deve pensar nas próximas eleições, mas nas próximas gerações … É muito fácil dar a ordem de parar, difícil é fazer reativar”

Diversas cidades, como no Estado de Santa Catariana, decretaram a paralisação total dos ônibus.

No ABC Paulista, os sete prefeitos da região, por meio do Consórcio Intermunicipal, reafirmaram neste sábado a pretensão de parar todos os ônibus municipais de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra a partir de 29 de março de 2020.

Nesta semana, o Governo do Estado de São Paulo vai tentar mais uma vez demover a ideia dos prefeitos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Marcos disse:

    Critica porque não depende de ônibus porco desgraçado.

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