História

Exponi 2020 supera todas edições e prova que transporte é paixão

Encontro em Curitiba reuniu mais de 80 veículos de épocas diferentes e foi oportunidade de conhecer histórias vivas da evolução da mobilidade

ADAMO BAZANI

Colaborou Alexandre Pelegi

A Exponi500, edição de 2020, conseguiu superar todas as expectativas.

A exposição que contou a evolução dos transportes neste ano foi realizada na garagem da empresa Transporte Coletivo Glória, em Curitiba.

Foram mais de 80 veículos de diferentes épocas e que revelavam não só uma fase do transporte, mas ajudavam a entender um pouco os contextos sociais, políticos e econômicos de suas épocas.

Um exemplo é o bonde do início dos anos 1940, que operou em Curitiba, e ostentava a frase Compre Bônus de Guerra, mostrando a campanha do governo federal que emitia títulos para a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

Os ônibus com pisos bem altos dos anos 1950 a 1990 mostraram que, apesar do intenso processo de urbanização que o Brasil começou a registrar a partir da metade do século XX, ainda as condições de tráfego eram bem desafiadoras, com vias e rodovias com baixa infraestrutura.

Revelam também que a partir do início dos anos 2000, a indústria brasileira de ônibus atingia um novo patamar de excelência e conforto.

Entre os veículos, um dos grandes destaques desta edição foi o raríssimo Eliziário Bicampeão Mercedes-Benz dos anos 1960 com a pintura da Penha. Cromado e com charme da época, o veículo pertence ao colecionador Miklos Stammer, que é capitão da marinha mercante.

O veículo foi comprado há cerca de um ano da empresa Unesul e restaurado. “Ele estava funcionando, a parte mecânica estava boa, mas a carroceria estava um pouco judiada. Eu andava muito de Penha nos anos 60, então decidi restaurá-lo com sua pintura“, disse o capitão, que confessou: “Minha paixão por ônibus e caminhões vem antes mesmo da paixão pelas águas do mar“.

Miklos ainda possui um Nielson Diplomata com mecânica FNM.

Outro personagem marcante que o Diário do Transporte encontrou na Exponi em 2020 foi Raul Hedeke, profissional de transportes atuou na implantação e modernização de sistemas de 62 cidades pelo mundo e teve o início de sua carreira em Curitiba.

Nos anos de 1980, logo depois de uma breve passagem em Vitória para a implementação da Rodoviária local, Hedeke voltou a Curitiba onde começou a atuar no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano da cidade (Ippuc). Ele conta  que a partir de 1982 participou ativamente  de mudanças significativas na implantação da RIT – Rede Integrada de Transporte.

Entre os destaques que Hedeke mencionou estão a criação do Interbairros, sistema de linhas que ligam bairros diferentes sem passar centro; a evolução da bilhetagem eletrônica; a implantação de ônibus articulados no sistema; a consolidação do Ligeirinho, ônibus expresso com poucas paradas, de alta demanda; e a tarifa social, o que ele considerou como um dos principais avanços seguido por diversas cidades do Brasil e do mundo. “Havia diferentes tarifas a cada linha.  Nós conseguimos fazer um equilíbrio em todo o sistema. Houve redução em 60% das tarifas, elevação em 30% e 20% foram mantidas”.

Outra história curiosa contada por Hedeke foi a evolução da integração do sistema que passou por fases diferentes para conectar linhas alimentadoras e troncais. “A gente trabalhava com orgulho, com amor e com muito gosto. Uma das fases que mais me marcou foram os 14 primeiros ônibus articulados em 1982. Eram 4 articulados de carroceria Caio no eixo Norte-Sul, e 10 articulados Marcopolo no eixo Boqueirão. Lembro-me também que a Mercedes-Benz mandou para a gente ônibus monoblocos O365 articulados para os testes de desenvolvimento”.

Outra fase marcante, segundo Hedeke, foi o que se chamava “chiqueirinhos”, que eram áreas isoladas dentro dos terminais destinadas aos passageiros dos alimentadores para embarcarem no troncal. A área era pequena e muitas vezes havia aglomeração, até que a fase definitiva foi a do fechamento de todos os terminais com o uso apenas por pessoas que pagassem a passagem. “Numa das fases iniciais da integração da RIT o passageiro que embarcava no alimentador recebia um bilhete de papel para embarcar no troncal, mas muita gente espertinha pegava e vendia esse bilhete“.

Um dos organizadores da Exponi 2020, Osvaldo Born, considerou o evento um grande sucesso. “Tivemos diferentes públicos que se mostraram muito satisfeitos. Estiveram busólogos, historiadores, admiradores, e profissionais de transporte que com certeza saíram com uma bagagem maior de conhecimento, saudade e satisfação”, disse Born, que ainda comemorou o fato de o evento este ano ser recorde de doação de alimentos. Para entrar na Garagem da Transporte Coletivo Glória era necessário, como ingresso, a entregar 2 quilos de alimentos não perecíveis. Segundo Born, até a metade do dia já tinha sido uma tonelada e meia de alimentos doados.

O evento também teve a visita do prefeito de Curitiba Rafael Greca, que se entusiasmou   ao ver alguns modelos, como o primeiro ônibus expresso do sistema BRT – Bus Rapid Transit, o Marcopolo Veneza Expresso 1974 de motor e mecânica Cummings. “Eu embarquei nessa viagem no tempo, que mostra como nossa cidade de Curitiba ensinou o Brasil e o mundo a ter um bom transporte e respeitando o seu povo”, disse Rafael Greca que ainda admirou a réplica do primeiro ônibus a combustão do mundo de 1895, construído por Karl Benz.

O diretor-presidente da Transporte Coletivo Glória que abriu a garagem para o evento, Gelson Forlin, disse que foi uma experiência inédita para a empresa que ainda não tem nenhum veículo histórico em seu acervo, mas depois do evento deste sábado, 14 de março de 2020, considera um dia ter um ônibus histórico de sua propriedade.

Gelson também destacou que, além da exposição em si, houve atrativos e serviços para o público. “Tivemos o espaço Glória, que mostra a filosofia da nossa empresa, a história, um torneio de quebra-cabeça e temática relacionada a ônibus, e também oferecemos  prestação de serviços em parceria com a prefeitura, como equipes da saúde explicando sobre a dengue, sobre a gripe, além de emissão de Vale-Transporte e bilhetes do sistema de ônibus”.

Confira agora vídeos e fotos especiais que o Diário do Transporte produziu para seus leitores.

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Caio Gabriela Mercedes-Benz, ano 1977, com pintura tradicional da Viação Castelo Branco

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Nielson Diplomata Mercedes-Benz 1970

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Traseira do Nielson Diplomata Mercedes-Benz 1970

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Nielson Diplomata JO – Mercedes-Benz 1976

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Nielson Diplomata FNM 1970

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Um dos grandes destaques: Carroceria Eliziário Bicampeão Mercedes-Benz 1961 com pintura da Penha

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Traseira da Carroceria Eliziário Bicampeão Mercedes-Benz 1961 com pintura da Penha

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Marcopolo Torino ano 2000 Volvo para trabalho de apresentações teatrais e evangelização

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Réplica do primeiro ônibus a combustão do mundo de 1895, idealizado por Karl Benz

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Marcopolo Veneza Expresso motor Cummins, o primeiro modelo de ônibus BRT para o Brasil que circulou em Curitiba a partir de 1974

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Nimbus Furcare TR 1975 Mercedes Benz da Viação Colombo

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Ciferal Paulista 1980 com pintura da Joaçaba

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Marcopolo Torino 1988 Mercedes-Benz da Viação Nossa Senhora do Carmo

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Prefeito Rafael Greca ao lado do primeiro BRT do País

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Nielson Diplomata 1976 da Transiaak

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Nielson Diplomata 310 Mercedes Benz OF 1115 – 1989

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Primeiro biarticulado de Curitiba Volvo B58E – Ciferal GLS MegaBus

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Primeiro bonde genuinamente que operou em Curitiba nos anos 1940 que ainda será restaurado

Monobloco Mercedes-Benz O362 1979

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Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Renato Carlos Pavanelli disse:

    Parabéns a Todos, Especialmente ao Diário Do Transporte por Retratar a História de Transporte por ônibus.

  2. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Obrigado DT, por esta matéria que me permitiu ver a Exponi sem ter ido lá fisicamente.

    Meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu Deus!

    To loko, quanta jóia rara.

    Estou em extase, neste momento sei sei falar qual que eu mais gostei.

    Adorei a quantidade dos legítimos Nilson’s preservados, parabéns aos proprietários, os Nielsons são e sempre serão os Nielsons (em expecial o modelo cabinado).

    Adorei rever o Veneza expresso que tive o prazer de andar aqui em Sampa quando colocaram um pra teste na Viação Santa Cecília.

    O Trinox é uma das minhas paixões.

    O “Penhazinho” está espetacular, pena que não é o dos grandes e Scania vabis, como eu os via sempre na rodoviária de São Paulo na Juslio Prestes.

    O O 362, impecável, outro modelo que eu adoro.

    Independente dos modelos que destaquei, se eu esqueci de algum, voltarei a comentar, e aos que eu não comentei, sintam-se comentados todos lindos com suas particularidades e belezas específicas.

    Bom ainda vou assistir os filmes com toda calma e tranquilidade hoje a noite.

    Parabéns aos organizadores da Exponi, SENSACIONAL.

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

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