Estudo nos EUA aponta que Uber e Lyft geram 70% mais poluição do que as viagens que substituem

Publicado em: 26 de fevereiro de 2020

Organização de cientistas recomenda mais carros elétricos e mais viagens coletivas

ALEXANDRE PELEGI

Apesar de venderem um discurso que auxiliam no combate à poluição e na redução do congestionamento de tráfego, as plataformas de transporte individual de passageiros, como Uber e Lyft, não têm conseguido comprovar de que forma isso se dá na redução das emissões diárias de poluentes.

Um novo estudo divulgado nesta terça-feira, 25 de fevereiro de 2020, pela Union of Concerned Scientists, traz uma resposta preocupante e na contramão do afirmado pelas empresas de carona.

A Union of Concerned Scientists (UCS) é uma organização sem fins lucrativos que reúne cientistas em prol da proteção ambiental com sede no Estados Unidos.

No relatório divulgado ontem, a organização de cientistas afirma que uma plataforma como o Uber “é uma opção atraente para muitos viajantes e pode aumentar a mobilidade de famílias que não possuem veículo particular. No entanto, nas comunidades de todo o país, o número de deslocamentos está aumentando as viagens de veículos, a poluição climática e o congestionamento”.

Ainda segundo o relatório, o crescimento explosivo dos serviços de carona, incluindo Uber e Lyft, está aumentando a poluição climática e o congestionamento urbano. “À medida que a crise climática se torna ainda mais urgente, é mais importante do que nunca que a indústria de carona contribua para um sistema de transporte mais baixo em carbono e mais sustentável”, alerta o relatório.

Ao invés de substituírem viagens por carros particulares, o relatório afirma que o que fazem as empresas de aplicativos é justamente o oposto: “Nossa análise mostra que as viagens de carona hoje resultam em uma estimativa de 69% a mais de poluição climática, em média, do que as viagens que realizam”.


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Desde a introdução de Uber e Lyft, os aplicativos de transporte individual rapidamente deslocaram os táxis e levaram a um aumento geral no número de passageiros contratados.


Apesar disso, a Union of Concerned Scientists vê saídas para minimizar esse efeito danoso ao meio ambiente, mas que passa necessariamente por um transporte mais limpo e com investimentos públicos no transporte de massa:

Felizmente, o setor pode implementar várias estratégias para lidar com os impactos negativos da carona e contribuir para um futuro de transporte de baixo carbono. Ele deve se mover rapidamente para eletrificar veículos, aumentar viagens combinadas e complementar o transporte de massa. Os governos podem apoiar esses esforços com políticas inteligentes que reduzam a poluição e apoiem sistemas de transporte eficientes e equitativos. E os indivíduos podem fazer escolhas informadas entre as opções de transporte para reduzir o congestionamento e a poluição e incentivar as empresas a oferecer opções mais limpas”.

Segundo o relatório, os aplicativos de transporte individual são um problema climático por duas razões principais. Primeiro, uma viagem contratada é mais poluente do que uma viagem em um carro pessoal, principalmente como resultado das distâncias que o veículo percorre sem passageiros, entre uma corrida e outra. A isso o estudo chama de “deadheading”.

A segunda razão é que o aplicativo não está apenas substituindo viagens pessoais de carro; ao contrário, ele está aumentando o número total dessas viagens. Na ausência do aplicativo, muitos passageiros optariam por transporte público, caminhar, andar de bicicleta ou até mesmo desistir de sair.

Baseado em informações publicamente disponíveis, e de dados de viagem para sete grandes áreas metropolitanas dos EUA, além de dados de várias outras fontes, a UCS estima que uma viagem de aplicativo sem compartilhamento (o passageiro viaja sozinho) gera cerca de 47% mais emissões do que uma viagem de carro particular em um veículo de eficiência média de combustível.


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Uma viagem por aplicativo sem compartilhamento é 47% mais poluente do que um passeio de carro particular.


OUTROS MODOS

O relatório da UCS aponta que o transporte por aplicativo é especialmente popular em áreas urbanas densas, onde eles representam uma parcela geral maior do que em subúrbios menos densos. No entanto, pondera o documento, “as áreas urbanas também são onde o transporte coletivo, as caminhadas e o ciclismo são geralmente mais usados para o transporte, e esses três modos de viagem produzem menos ou até mesmo zero emissões de carbono em comparação com os carros” (Figura 3).

Por esse motivo, defende o estudo, viagens por aplicativo nessas áreas geralmente substituem os modos menos poluentes. O uso desse modo individual no lugar dos modos de baixo carbono resultará em um aumento maior nas emissões do que na substituição de uma viagem de carro particular. No entanto, o uso de carona para se conectar ao transporte de massa pode resultar em uma viagem geral menos poluente, se a viagem combinada substituir uma viagem de carro.

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Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Dênis disse:

    Culpa do transporte público que trata gente como gado

  2. Mas é verdade, aqui em SP também. Um carro com 1 passageiro, apenas, por uma corrida curta, numa cidade que tem 8 linhas de Metrôs de qualidade, uma linha de trem atualizada e moderna, com estações limpas, que em dias de sol se mobiliza 99%, (eu mesmo usei de Santo André à Taboão- EMTU-CPTM- Metrô, ônibus articulado na Consolação Terminal Campo Limpo) além de sair barato a viagem vale à pena pelo circuíto da Rebouças-Francisco Morato, com pessoas que não reconhecem as transformações, ou então sem sentem mais metidas e esnobe(diria),,, Agora não me venha dizer que o carro chega primeiro, se de qualquer forma vai mesmo enfrentar o trânsito caótico, e com mais veiculos dos aplicativos, justamente numa cidade que aplica rodízio, não tem nexo e está fora de cogitação…E, quem trabalha com isso não tem nenhuma garantia de estabilidade, ou beneficios trabalhista, é apenas dinheiro, ganho imediato, sem NF e nada.

  3. João Luís Garcia disse:

    Não precisava um estudo feito nos EUA para atestar que o número excessivo de veículos que passaram a circular nos grandes centros a serviço das empresas de aplicativos só contribuem para o aumento da poluição Climática e Atmosférica, isso sem falarmos na poluição Sonora.
    Mas como em nosso País o que vem de fora parece ter mais credibilidade, agora será que os organismos de controle irão concordar com o que já é conhecido por todos nós, mas infelizmente fingem não conhecer, ou melhor não querem reconhecer.
    Pois o que se vê no País são as Prefeituras legalizando e concedendo permissões para que as empresas de aplicativos possam operar livremente nas cidades, sejam elas pequenas, médias ou grandes.
    Os governantes esquecem que ao liberar mais veículos nas cidades o trânsito será impactado de forma direta e os transportes públicos realizado por ônibus se torna a cada dia mais inviável, pois temos menos passageiros pagantes e os custos operacionais subindo.

  4. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa tarde;

    Como eu aprendi aqui no DT, existe o Princípio do Poluidor Pagador; portanto pagou pode poluir a vontade.

    Esta questão está, mais mais batida do bife de pobre, mas mesmo assim vamos lá.

    O problema do buzão é um só ele não funciona, afinal ele trabalha a lá CMTC, 20 em 20, linhas penha Lapa e zigzague caranguejado, fora o carro bota.

    Os aplicativos resolvem os problemas a curta distância e não tem como competir com o buzão.

    Outro dia passeei de CPTM e metro vermelho;

    Cheguei em Osasco e precisava ir par casa.

    Tive de subir da estação de Osasco até a Autonomista para pegar um EMTOSA (Buta ou Lapa).

    Pra variar não passou nem um nem outro.

    Conclusão chamei o aplicativo paguei R$ 11,00 e desci na porta de casa.

    Eu quis usar o buzão; mas o buzão não quis me transporta, portanto …

    Ai não adianta a Tubaranzada chorar.

    se fosse em Sampa ai esqueci porque buzão da fiscalizadora não tem.

    Portanto em Sampa o uso dos aplicativos já é direto, pois nem adianta contar com o buzão;

    Agora aqui cabe um elogio a Linha 4 Amarela, com uma operação impecável, exceto o projeto da linha e das estações.

    Se a Linha 4 Amarela fosse em linha reta e não tivesse um fluxo cruzado de passageiros nas estações, bem como escadas nas plataformas , seria um metro 101%.

    Uma solução para o buzão e extinguir a fiscalizadora e deixar a gestão da operação do buzão de Sampa com uma empresa internacional moderna.

    Att,

    Paulo Gil

  5. César Lima disse:

    Pois sim,as vezes n dá pra entender p que não há mais linhas de Ônibus elétrico e carros Híbridos,caminhoes GNV biflex !? Mas quando vou a SP fico agradecido pelo serviço Uber 99 pois chega a ser impossível ir da Rodo c malas no CPTM ou Metrô, andar quadras de ônibus c sacolas de compras!? Porque BNDES financia Vnzl e Angola e não há crédito p táxis e Uber Híbridos? Porque Aneel cobra caro Conta Elétrica mas não quer Cogeração e carros eletricos na sua Garagem ????? Problema tanto aqui quanto nos EUA são Políticos Picaretas e Congresso Corrupto ( Obama fingiu q fez nada e Congresso lá t igual ao daqui).

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