Metrô de São Paulo testa sistema inédito para autonomia de pessoas com deficiência visual nas estações

Estação Vergueiro foi a primeira mapeada. Foto: Tatiana/Apontador

Tecnologia com base em infravermelho foi noticiada pelo Diário do Transporte em 01º de março de 2019

ADAMO BAZANI

O Metrô de São Paulo começa a testar a partir desta quinta-feira, 06 de fevereiro de 2020, uma tecnologia de orientação por áudio para pessoas cegas ou com baixa visão que utiliza infravermelho, câmeras e sensores.

O primeiro teste vai ocorrer na estação Vergueiro da Linha 1-Azul (Jabaquara/Tucuruvi).

O projeto é denominado “Siga Fácil” e, segundo o Metrô, a tecnologia visa “orientar esses passageiros nos deslocamentos em espaços públicos, através de um sistema automatizado com comando de voz e avisos sonoros que vão informando por qual caminho o usuário cego ou com baixa visão pode seguir.”

No dia 1º de março de 2019, ao conversar com um dos desenvolvedores do sistema com base em infravermelho, Jaldomir da Silva Filho, mestre em design, especializado em audionavegação, o Diário do Transporte mostrou o embrião do que vai começar a ser testado para que, futuramente, a pessoa com deficiência visual possa utilizar transporte público em geral, não apenas o metrô, sem qualquer receio.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/03/01/sistema-inedito-de-audionavegacao-com-infravermelho-promete-dar-autonomia-para-cegos-no-transporte-publico/

Por meio de nota, o Metrô explicou que pessoas cegas ajudaram a mapear a estação e que a orientação por áudio de barreiras, plataformas, escadas, degraus, paredes e outros obstáculos é ouvida por meio de um fone de ouvido.

Em pontos estratégicos, foram instalados equipamentos que emitem sinais captados por um aparelho receptor, desenvolvido pelo Metrô, que se conecta ao celular do passageiro, decodificando a mensagem, que pode ser ouvida através de fone de ouvido. Esse método foi pensado para permitir que o usuário consiga também manter suas mãos livres. Outro diferencial é o que os sinais são emitidos com o uso de frequência de infravermelho, em vez de ondas de rádio, eliminando os riscos de interferências, permitindo o direcionamento preciso da pessoa ao seu ponto de interesse. A luz é imperceptível no ambiente, não causando desconforto para as demais pessoas e nem interferências nos equipamentos do Metrô.

O projeto vem sendo desenvolvido desde 2018 pelos próprios funcionários da Companhia que também são pesquisadores da USP.

Na mesma nota, o Metrô explica que a meta é mapear todas as estações da rede para o sistema até 2021.

Com a evolução dos testes na estação Vergueiro, o Metrô pretende ampliar os estudos para outras estações, considerando o perfil dos passageiros atendidos. A meta é que até o final de 2021 todas as estações do Metrô estejam mapeadas. O equipamento receptor, batizado com o nome de “coração”, será fabricado pela própria Companhia e, inicialmente, deverá funcionar em esquema de empréstimo, sendo disponibilizado na entrada da estação e devolvido na saída do sistema. Esse projeto vem ao encontro das diversas ações inclusivas do Metrô, que atende diariamente a 1,8 mil passageiros com deficiência em suas 62 estações, que são totalmente acessíveis. A atenção prestada a esse público foi reconhecida com premiação da UITP (União dos Transportes Públicos) em 2015 e com a escolha da estação Tatuapé para receber o Centro de Informação a Pessoa com Deficiência, da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

ÔNIBUS:

Na entrevista ao Diário do Transporte, Jaldomir disse durante explicação do projeto que o sistema por não ser dependente de sinal de internet e não sofrer por “áreas” de sombra pode ser indicado também para ônibus.

Esta “independência” do Navigate (nome na ocasião) em relação à internet e a flexibilidade do infravermelho, segundo Jaldomir, permite que o sistema seja usado com segurança e exatidão maiores em ambientes em movimento, como em ônibus urbanos sem problemas como, por exemplo, as “áreas de sombra” que atualmente prejudicam o sinal do wi-fi dos coletivos.

“O Navigate pode ser instalado diretamente em veículos, como ônibus, ligado ao GP. Ele vai informando para a pessoa dentro do ônibus o próximo ponto que precisa sair, inclusive informando locais físicos fora desse ponto que sejam de seu interesse, um hospital, por exemplo, ou então uma lanchonete ou qualquer outro ponto que tenha próximo a essa parada de ônibus no momento em que ele está trafegando”. 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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