Mercedes-Benz confirma nova linha para ônibus e lançamento de modelo em 2020

Montadora denominou o projeto de “Linha de ônibus 4.0”. Fabricante ainda comemora alta de 16% nas vendas em janeiro

JESSICA MARQUES

Colaboraram Adamo Bazani e Alexandre Pelegi

O ano de 2020 terá uma nova linha de ônibus da Mercedes-Benz no mercado nacional.

Chamada de linha de ônibus 4.0, segundo o presidente da Mercedes-Benz e CEO América Latina, Philipp Schiemer, o novo conceito também estará presente em Logística, Produção de Agregados e Concessionário.

“Vai ter uma mudança nas linhas, vai ser uma produção sem papel, bem mais rápida. Quando estiver tudo pronto vamos divulgar os detalhes”, disse.

Na apresentação, a Mercedes-Benz anunciou o lançamento de três novos produtos, dentre os quais, um modelo de ônibus e dois de caminhões, além de dois novos serviços e tecnologias inéditas.

A confirmação foi feita na manhã desta sexta-feira, 31 de janeiro de 2020, em encontro com a imprensa na sede da fabricante, em São Bernardo do Campo, do qual o Diário do Transporte participou.

Schiemer garantiu que apesar de mais moderna, a linha não vai representar desemprego na Mercedes-Benz.

“Não vai ter impactos nos empregos. Podemos fazer mais com menos, mas precisamos das pessoas em outros lugares”.

Sobre os novos modelos, a montadora alemã não deu mais detalhes, mas garantiu que já serão incorporados os conceitos da linha 4.0.

As novidades na linha de montagem fazem parte do plano de investimentos de R$ 2,4 bilhões no Brasil entre 2018-2022. Em caminhões, o montante já envolveu a implantação da Linha de Cabinas 4.0 em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e o desenvolvimento do Novo Actros.

EURO 6

Quando questionado sobre as novidades com relação ao Euro 6 e se a tecnologia menos poluente já vai estar nos novos modelos, Schiemer afirmou apenas que a Mercedes-Benz está trabalhando nesta novidade, que certamente estará pronta para 2023, quando haverá obrigatoriedade.

De acordo com o Proncove P8 (programa brasileiro de controle de emissões de poluentes para veículos comerciais pesados), os fabricantes de caminhões e ônibus do Brasil obrigatoriamente terão que adotar motorização com sistemas de pós-tratamento Euro 6 a partir de 2023.

A definição foi aprovada pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) em 2018.

AUMENTO DE VENDAS EM JANEIRO

A Mercedes-Benz também divulgou dados de vendas de janeiro, com resultados positivos. Os números, segundo a montadora, são inéditos.

No primeiro mês de 2020 foram 860 ônibus comercializados, comparados aos 740 no mesmo mês de 2019, o que representa um aumento de 16% e 58% de grau de participação no mercado.

As vendas de caminhões também subiram 16% na comparação entre janeiro de 2019 e janeiro de 2020, passando de 2.080 unidades para 2.400.

Entretanto, o mercado ainda está em recuperação, depois de fortes quedas durante a crise econômica.

Na apresentação, a Mercedes-Benz destacou que em 2019, foram comercializados 20.741 ônibus. Número 43,5% maior que os 14.452 de 2018, mas bem inferior às 32.996 unidades em 2011.

Vale lembrar, entretanto, que os empresários anteciparam renovações naquela época para aproveitarem as últimas unidades padrão Euro III, mais baratas, apesar de serem mais poluentes.

Para 2020, a previsão da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) é de que aproximadamente 23 mil ônibus sejam comercializados no mercado total.

“Temos um mercado em urbanos bastante ativo, mas isso vai ser mais no primeiro semestre por causa das eleições municipais, por isso achamos que no primeiro semestre vamos ter uma venda mais forte. Quanto aos ônibus rodoviários, a desregularização do setor vai provocar mudanças, por isso esperamos um investimento maior em rodoviários”, projetou Schiemer.

Na visão do vice-presidente de Vendas e Marketing Caminhões e Ônibus, Roberto Leoncini, aplicativos de transporte rodoviário que estão surgindo vêm para fazer uma disruptura no segmento, o que pode resultar em mais vendas.

“O que a gente vê são todos os operadores tradicionais rodoviários com uma certa preocupação por causa da desregulamentação. Aconteceu algo efetivo até agora? Ainda não, mas tende a acontecer. Eu não acho que alguém que tenha milhões vai acordar de manhã e falar ‘vou comprar ônibus porque agora posso transportar gente de um lado pro outro’. Acho difícil que isso aconteça, mas a gente já vê aplicativos e uma série de coisas que vão fazer uma disruptura no segmento, então tem que prestar atenção. De efetivo nada, mas de ruído já há bastante coisa”, considerou.

VENDAS EM 2019

No setor de ônibus, como mostrou o Diário do Transporte, a Mercedes-Benz liderou a venda de ônibus em 2019, alcançando a marca de 11.150 veículos comercializados, maior volume de vendas desde 2014, quando atingiu o recorde 13.006 veículos.

No comparativo com 2018, quando comercializou 7.458 ônibus, a empresa comemorou sua participação no mercado de 54%.
A fabricante segue líder em quase todos os segmentos no setor ônibus.

Naqueles em que lidera, a empresa viu a participação de suas vendas em Urbanos passarem de 79% para 76%. Em Fretamento, de 55% para 58%, e no segmento Rodoviário, de 55% para 52%.

Nos demais setores, a participação de suas vendas todas cresceram: no de Micro-ônibus, passaram de 23,5% para 30,5%, e no de Escolar saltaram de 12% para 28%.

Dentre as vendas do ano passado, foram comercializados 590 ônibus urbanos para Brasília, 170 para Salvador e 1.021 micro-ônibus para o Caminho da Escola em 2019.

CONSÓRCIO MERCEDES-BENZ

A fabricante informou ainda que prevê um crescimento de 20% em vendas feitas por meio do Consórcio Mercedes-Benz, que tem como objetivo facilitar a compra de veículos comerciais da marca.

Ao todo, a empresa alcançou R$ 550 milhões em cotas de consórcio em 2019, com crescimento de 11% sobre os R$ 490 milhões do ano anterior. Foram 2.105 cotas no ano passado, 2% a mais que as 2.061 de 2018.

Em 2019, foram entregues 750 veículos comerciais a clientes do Consórcio Mercedes-Benz. Para os próximos cinco anos, a previsão é entregar cerca de 8 mil veículos da marca via consórcio.

Jessica Marques, Adamo Bazani e Alexandre Pelegi, jornalistas especializados em transportes

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Comentários

Comentários

  1. MARCELO PEREIRA BALES disse:

    O mais surpreendente aí, e a reportagem sequer citou, é o lançamento da linha Euro 6 (está na foto). Supõe-se que sejam os novos limites de emissões equivalente ao Euro VI, previsto para entrar no Brasil obrigatoriamente em 2023. A Mercedes estaria adiantando?

  2. Rodrigo Zika! disse:

    Fiquei curioso com o euro 6, seria interessante incluírem já esse ano no urbanos.

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