Mais de 60% dos usuários dos aplicativos vieram do transporte público e preço está entre os principais motivos da troca

Publicado em: 30 de janeiro de 2020

Carros de aplicativo pioram ou melhoram o trânsito? Complementam ou atrapalham o transporte público? O assunto rende muito debate.

Levantamento da associação nacional que reúne as empresas de ônibus realizou 1.410 questionários eletrônicos em dez capitais

ADAMO BAZANI

Sem prioridade nos investimentos e no espaço urbano, o transporte público, seja por ônibus e trilhos, não têm a velocidade e a abrangência necessárias. Além disso, como há poucas fontes de financiamentos dos serviços, como ocorre em outros países, as tarifas estão cada vez mais altas.

Tudo isso leva a um desinteresse da população pelos meios de transportes de média, alta e altíssima capacidade, que procura outras formas de deslocamentos que, apesar de atenderem anseios individuais ou de pequenos grupos, coletivamente podem trazer em curto e médio prazos prejuízos como aumento de congestionamentos e poluição nas cidades.

Um levantamento da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, que reúne mais de 500 companhias de ônibus urbanos e metropolitanos em todo o Brasil, mostra que os aplicativos estão atraindo mais as pessoas que usavam habitualmente somente o transporte público do que as pessoas que faziam uso frequente de carros próprios.

Assim, de acordo com os dados, em tese, os aplicativos não estariam sendo capazes de tirar carros e motos das ruas, mas estão reduzindo a principal fonte de financiamento do transporte coletivo no Brasil: o passageiro pagante.

O levantamento mostra que entre os passageiros que fazem uso diário e semanal dos aplicativos, mais de 60% andavam apenas de transporte público: 61% entre o que todos os dias pegam carros de aplicativo usavam apenas ônibus, metrô e trem. Entre os que usam toda a semana os aplicativos, o índice é de 65%. Já dos que usam aplicativos todo o mês, o total é um pouco menor: 55% vieram do transporte público

Menos de 20% dos usuários de aplicativos andavam apenas de transporte individual motorizado: 19% entre os diários, 16% entre os usuários semanais dos aplicativos e 19% entre os “mensais”.

O levantamento, entretanto, é prelininar e pode haver algumas alterações nos resultados, já que se tratou de uma sondagem a um grupo considaerado pequeno de pessoas. Mas pode já mostrar algumas tendências globais que coinciedem com o dia a dia de muitos passageiros no País.

“A maioria dos entrevistados (52%) utiliza o serviço apenas algumas vezes por semana (entre 2 e 4 viagens). Apenas 10% das viagens são realizadas diariamente, seja por motivo de trabalho, estudo, saúde ou lazer. O segundo grupo mais representativo é formado por clientes esporádicos, que utilizam o serviço para atividades pontuais ao longo do mês.” – diz a apresentação.

O trabalho é o principal motivo dos passageiros que utilizam o serviço todo dia. Os usuários esporádicos ou semanais utilizam o serviço, principalmente, para lazer.

Foram realizadas entrevistas eletrônicas por questionários em redes sociais. Foram avaliados 1.410 questionários no período de 16 de outubro a 22 de novembro de 2019. Desses, 1.321 são referentes a usuários do serviço de transporte por aplicativo. Os demais 89 participaram da pesquisa como não-cliente e sim,usuários de outros modos.

O levantamento focou dez capitais brasileiras:

Belo Horizonte-MG (72 respostas), Brasília-DF (250 respostas), Curitiba-PR (51 respostas), Fortaleza-CE (67 respostas), Goiânia-GO (40 respostas), Porto Alegre-RS (64 respostas), Recife-PE (56 respostas), Rio de Janeiro-RJ (209 respostas), Salvador-BA (85 respostas) e São Paulo-SP (369 respostas). Ainda houve 147 respostas em cidades próximas destas capitais.

Em todos os casos, tanto para usuários diários, semanais como mensais dos aplicativos que deixaram outros meios de transporte, os principais motivos da mudança são: rapidez, preço, conforto, e praticidade.

A maior parte dos usuários de aplicativos gasta, em média, até R$ 20 por viagem, sendo R$ 12,00 entre os passageiros diários, R$ 15,00 entre os semanais, e R$ 20 entre os mensais.

Já entre os que não utilizam o transporte por aplicativos, o custo médio por viagem é de R$ 8,60.

Segundo o levantamento, quando é analisado apenas o transporte individual (carros e motos), o custo médio é de R$ 8,50, enquanto o transporte público (ônibus, metrô, barca, etc.) permanece em R$ 8,40. Em ambos os casos, o preço é aproximadamente a 30% a menos que os clientes do transporte por aplicativo pagam.

OS QUE REJEITAM APLICATIVOS:

O levantamento identificou que há um grupo de pessoas que não querem saber de usar aplicativos.

O principal motivo é o desinteresse, principalmente entre os que andam de carro próprio (24% deste grupo que rejeita os aplicativos). Já 20% proferem o transporte público e 16% têm dificuldades de acesso, em especial pela internet.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Claro que a pesquisa tem seu valor.

    Mas dados são dados nada mais do que dados.

    Vivemos na era dos dados das informações.

    Mas também vivemos um grande problema.

    O que fazer com as informações e para que servem as informações.

    Ai é que está o X da questão.

    O maior problema do buzão é que ele não funciona, pelos problemas que todos em especial os leitores do DT conhecem de cor e salteado igual tabuada.

    Vou dar a primeira sugestão a lá Paulo Gil de 2020.

    A NTU emvés de ficar gastando dinheiro com pesquisa para levantar mais um montão de dados e continuar chorando, faça o seguinte:

    Pega um bairro de Sampa, uma Vila, uma linha e faça o seguinte.

    Projeto uma linha de buzão que funcione e em linha reta.

    Lembrando que a menor distância entre dois pontos é uma reta.

    Contratem um matemático, um engenheiro e e um especialista em TI e pronto

    SÓ ISSO.

    E façam o teste.

    Quero ver se não terá sucesso.

    Saiam da caixinha, pare com o 20/20, o carro bota, a sobreposição, a linha em zigue zague caranguejado, o buzão pesado em linha de Vila.

    Criem uma rede, passe a usar micro buzinho, rápido, ágil.

    FAÇAM O BUZÃO FUNCIONAR SÓ ISSO.

    Será que só eu enxergo isso?

    CLARO O NOVO MODELO TEM DE DAR LUCRO E DARÁ.

    Não sou contra lucro; quem trabalha tem de lucrar.

    Mas tem de trabalhar mesmo de verdade.

    Agora, NTU, faça isso sozinha.

    Se a fiscalizadora entrar no meio nada dará certo.

    Antes de tudo peçam uma ordem judicial para fazer este teste sem a interferência da fiscalizadora.

    Lembrem-se a fiscalizadora tem o mesmo CNPJ da CMTC ela está na década de 40.

    É isso, parem de chorar, de fazer levantamento de dados.

    Só FAÇAM UMA COISA.

    UMA LINHA DE BUZÃO QUE ATENDA AOS PASSAGEIROS E QUE FUNCIONEM.

    O RESTO É BALELA, NEM AR CONDICIONADO, NEM USB, NEM WIFI, NEM ARTICULADINHO TRUCADINHO NEM PINTURA NOVA ATRAI PASSAGEIRO,

    O PASSAGEIRO SÓ IR DO PONTO “A” AO PONTO “B” NO MENOR TEMPO POSSÍVEL E EM LINHA RETA

    SÓ ISSO!

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

  2. vagligeiro disse:

    “Mas dados são dados nada mais do que dados.
    Vivemos na era dos dados das informações.”

    Ow apaixonado, ponha um pouco de razão na vida, pois DADOS SÃO INFORMAÇÕES.

    Cê tentou falar bonito, mas só falou um monte de besteira, por isso que 90% das vezes tu é ignorado nestes comentários.

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