Além disso, confusão na hora do embarque e atrasos na saída marcaram viagem de quem escolheu a companhia na manhã deste sábado, 28
ADAMO BAZANI
A Viação Piracicabana, do Grupo Comporte, da família Constantino, foi motivo de dor de cabeça e transtorno para quem precisou viajar nos ônibus da companhia na manhã deste sábado, 28 de dezembro de 2019, a partir do Tietê para a região de Piracicaba, no interior paulista.
Overbooking (venda de passagens acima da capacidade do veículo), confusão no embarque, inclusive com gritaria na plataforma, atraso de 24 minutos em relação ao programado para as partidas e entrega de um ônibus diferente do prometido pela empresa foram alguns dos problemas presenciados no horário das 09h30 no Terminal Rodoviário do Tietê.
O Diário do Transporte foi acompanhar uma das viagens prometidas com ônibus de dois andares de São Paulo (Terminal Rodoviário do Tietê) para Piracicaba. A primeira decepção foi ao encostar o veículo: um ônibus convencional, de um pavimento, dois eixos, bem diferente do prometido por telefone.
Na quinta-feira, a reportagem ligou para o 0800 da Piracicabana e foi informada que um dos horários com um dos Double Decker (DD) era às 9h30.
A compra foi pela internet com orientação ainda na ligação. O horário especificava os dois tipos de serviço do DD. Foi escolhido o andar superior.
Na hora do embarque, o motorista confirmou que deveria ser o ônibus de dois andares, mas não explicou o motivo de ter vindo o simples.
Mas os problemas não pararam por aí.
Na fila para embarcar no veículo comum, na plataforma 40, foi possível perceber uma gritaria na fila ao lado, também da Piracicabana.
Era overbooking, que é a venda de mais passagens que a capacidade do ônibus.
O veículo marcava no itinerário as cidades de Americana e Santa Bárbara D’Oeste.
Um dos funcionários da empresa disse que o problema estava sendo comum na manhã deste sábado.
As dificuldades só continuavam.
Como a compra foi pela internet, foi impresso uma espécie de cartão de embarque com um código QRCode.
No atendimento da empresa, a informação era de que com este impresso não seria necessário passar pelos guichês, bastando a apresentação do cartão ao motorista na hora do embarque.
Ocorre que o motorista não mostrou familiaridade com o cartão de embarque. O passageiro teve de informá-lo sobre a funcionalidade.
Mesmo assim, o condutor pediu ajuda de um colega.
Para o passageiro, outra tensão: segundo o motorista, não era apontado que a poltrona correspondia ao usuário. A orientação não poderia ser mais simplória: “Senta lá, se ninguém aparecer, você viaja”.
O condutor disse ainda que parte do problema de overbooking era justamente pelo fato de a Viação Piracicabana não ter colocado ônibus de dois andares no horário.
“Era para ser o de dois andares. Nem se tivesse três agora. Só cabem 46” – disse.
Em meio a tanta confusão, o ônibus que, pelo o que a empresa vendeu, deveria sair às 09h30, só deixou o Terminal Tietê às 9h54.
Os passageiros que entraram no horário no ônibus tiveram de ficar “assando” por mais de 20 minutos num veículo todo lacrado. Nas plataformas os ônibus devem ficar com motor desligado e, com isso, empresas não deixam os aparelhos de refrigeração ligados.
Mais um entre tantos outros desconfortos para o passageiro da Piracicabana na manhã deste sábado, 28.
Ônibus com um pavimento foi lotado
A VOLTA
No retorno, a reportagem encontrou a mesma situação.
No guichê da empresa Piracicabana, na rodoviária de Piracicaba, os funcionários informaram que o ônibus Double Decker iria sair às 15h30 sentido São Paulo.
Foram oferecidas até opções de escolha de poltronas.
No entanto, novamente apareceu um ônibus com um pavimento apenas. A justificativa dada pelos funcionários é que como não havia sido vendida passagem leito para a parte de baixo do ônibus, foi mandado um comum.
No retorno, funcionários da Piracicabana, na rodoviária de Piracicaba, informaram que o ônibus Double Decker iria sair às 15h30… e novamente apareceu um ônibus com um pavimento apenas.
O QUE DIZ A PIRACICABANA
O gerente operacional da Viação Piracicabana, Jabes Domingues de Goes, explicou por telefone ao Diário do Transporte que realmente para o horário das 09h30 era previsto um ônibus de dois andares, mas que o veículo teve problemas no ar-condicionado.
Como só tinham dois passageiros na classe leito, Jabes disse que a empresa entrou em contato e que ofereceu o horário de cortesia no convencional, mas os dois usuários optaram pela viagem das 10h30.
Segundo o gerente, nunca havia ocorrido este problema antes.
A empresa circula com quatro ônibus de dois andares na rota São Paulo/Piracicaba. Cada veículo tem duas categorias, leito no piso inferior e executivo no segundo andar.
Sobre a leitura do QRCode que não apontou o assento do passageiro, Jabes informou que na faixa horária foram criados horários extras, passando assim a grade para partidas às 9h00, 9h01, 9h10, 09h30, 09h45 e 10h00.
Por causa da colocação dos ônibus extras, o gerente acredita que possa ter ocorrido um erro de sistema na leitura pelo celular do motorista. Jabes disse que a empresa vai colocar wi-fi próprio na área de plataforma para evitar este problema.
O gerente informou ainda que para dar conta da demanda, a Piracicabana colocou, somente neste sábado, 15 ônibus extras no Terminal Tietê.
O gerente ainda pediu desculpas em nome da empresa pelos inconvenientes.
Já na resposta ao problema ocorrido na volta de Piracicaba a São Paulo, o gerente operacional da Piracicabana disse que houve um equívoco de informação na agência da rodoviária, já que o ônibus anunciado era de fato o de piso comum.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Alexandre Pelegi
