Secretaria de Mobilidade autoriza R$ 2,25 bilhões para subsídios a ônibus de São Paulo em 2020

Publicado em: 24 de dezembro de 2019

Por ano, sistema tem custado R$ 8 bilhões. Prefeitutra deve reduzir linhas.

Atende vai receber R$ 100 milhões. Há receio sobre se o dinheiro vai ser suficiente

ADAMO BAZANI

A SMT – Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo publicou nesta terça-feira, 24 de dezembro de 2019, autorização e nota de empenho de R$ 2,25 bilhões para subsidiar o sistema de ônibus em 2020.

O valor foi aprovado pela Câmara Municipal dentro do orçamento da cidade de São Paulo para os próximos 12 meses e revela uma redução no total previsto para complementar os custos de operação por ônibus da capital. Para 2019, a câmara aprovou R$ 2,69 bilhões, mas desde outubro, a prefeitura tem remanejado dinheiro de outras áreas. As necessidades de complementações devem fechar 2019 em R$ 3,1 bilhões, segundo estimativa da Secretaria de Mobilidade.

Os subsídios são necessários, segundo a prefeitura e as empresas de ônibus, porque a arrecadação das catracas não é suficiente para cobrir os custos de operação dos serviços. As complementações são destinadas principalmente para as integrações pelo Bilhete Único e gratuidades como para idosos, estudantes e pessoas com deficiência.

Nos últimos dois anos, os custos operacionais têm sido de aproximadamente R$ 8 bilhões por ano, mas as catracas arrecadam em torno de R$ 5 bilhões.

Após o aumento do número das gratuidades, a partir de 2014, o total de subsídios aumentou e, ao menos, desde 2016, o dinheiro separado no orçamento para este fim não tem sido suficiente, o que obriga a prefeitura a realizar remanejamentos de outras áreas. Além disso, em 2016 e 2018, a prefeitura fechou os anos devendo dinheiro para as viações.

Em 01º de janeiro de 2020, a tarifa básica dos ônibus em São Paulo, juntamente com Metrô e CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, vai subir para R$ 4,40, alta de 2,33%, segundo a prefeitura, índice inferior à inflação desde 13 de janeiro de 2019, quando ocorreu o mais recente aumento.

Com os novos contratos em vigor, as empresas são obrigadas a colocar mais ônibus novos em circulação seguindo exigências como ar-condicionado, wi-fi, USB, vidros colados e, dependendo do porte, suspensão pneumática e transmissão automática. Todos estes itens deixam os ônibus mais caros. Além disso, para cumprirem as exigências anuais de redução de poluição que estão nos contratos, as viações terão de comprar ônibus menos poluentes, que também são mais caros.

Durante a apresentação da proposta de nova tarifa, no dia 19 de dezembro de 2019, o secretário de mobilidade e transportes, Edson Caram, disse que o equilíbrio econômico, com redução de custos, virá da reformulação das linhas de ônibus pelos novos contratos assinados em 06 de setembro de 2019 depois de uma licitação que se arrastava desde 2013. Assim, deve haver cortes de itinerários e eliminação de linhas sobrepostas, quando duas ligações fazem o mesmo trajeto em boa parte do itinerário de cada. Também deve ser reduzida a oferta de ônibus em regiões que recentemente passaram a ser atendidas por metrô e monotrilho.

A secretaria, entretanto, promete que as mudanças não serão abruptas, havendo um período de um a três anos após a assinatura dos contratos para as alterações.

Já para o Atende, que é o serviço de vans e carros especiais para o transporte de pessoas com grau severo de deficiência, serão destinados R$ 100 milhões.

Subsídios aos transportes na cidade de São Paulo:

– 2012: R$ 1,41 bilhão

– 2013: R$ 1,64 bilhão

– 2014: R$ 2,15 bilhões

– 2015: R$ 2,13 bilhões

– 2016: R$ 2,62 bilhões

– 2017: R$ 2,92 bilhões

– 2018: R$ 3,3 bilhões

– 2019: R$ 3,1 bilhões (estimativa)

– 2020: R$ 2,25 bilhões (orçamento)

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Bruno Quintiliano disse:

    Agora começa de novo a choradeira do custo de comprar ônibus. Quando deixaram ônibus por até 2 anos a mais que o permitido, houve economia. Esta foi levada em conta nos cálculos? E os ônibus reservados que constam nas linhas, no olho vivo? Fora os filtros de ar não trocados ou eles desligados

  2. Rodrigo Zika! disse:

    Aposto que nada ira pra corredores, vergonha.

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