Fábrica de ônibus Volkswagen: um por todos e todos por um

Uma das primeiras fases de produção de chassis de ônibuis e caminhões

Diário do Transporte visitou planta de Resende, no Rio de Janeiro, e verificou como funciona o consórcio modular que reúne diferentes marcas para a produção de ônibus e caminhões

ADAMO BAZANI

Quem vê um ônibus na rua, talvez não tenha ideia da complexidade e tecnologia necessárias para a produção deste veículo tão importante para a mobilidade urbana.

No Brasil, desde o início dos anos 2000, com o fim da produção dos monoblocos, a fabricação dos ônibus se divide, em linhas gerais, em duas partes: chassi (a base do veículo onde ficam, por exemplo, rodas, eixos, motor e suspensão) e a carroceria, que é a parte mais visível para o público em geral e abriga a estrutura, a lataria, as janelas, bancos entre outras partes.

Normalmente, a empresa de ônibus primeiro compra o chassi para depois encarroçar.

Cada fabricante de chassi tem suas características de produção e modelos, apesar de haver também semelhanças entre as marcas.

O Diário do Transporte esteve na última semana na planta da Volkswagen Caminhões e Ônibus que fica em Resende, no Rio de Janeiro.

A montadora adota um sistema de produção que chama “consórcio modular” . Empresas parceiras da Volkswagen em vez de apenas produzirem as peças e enviarem para a planta, atuam em módulos dentro da montadora.

A linha de produção é uma só, mas há sete empresas que possuem escritórios e equipes de operários trabalhando na montagem dos ônibus e caminhões.  A impressão é que existem sete fábricas dentro de uma fábrica maior.

Integram o consórcio modular as empresas Maxion, Meritor, Remon, Powetrain, Kroschu, Aethra e Carese.

Cada uma dessas empresas têm funções específicas e o funcionamento de uma implica na atuação da outra. A sinergia tem de ser grande entre elas.

Não há uma linha para cada modelo e nem uma linha só para ônibus e outra somente para caminhão.

A Volkswagen entendeu ser mais eficiente que todos os veículos compartilhem a mesma linha.

Mas como identificar se o veículo será um ônibus ou um caminhão e qual o modelo?

É uma tarefa que necessita da ajuda da tecnologia. Para se ter uma ideia, somente em relação a ônibus, são 17 modelos-base, que podem receber dezenas de versões diferentes.

Uma das primeiras fases da produção é receber do setor administrativo o pedido do comprador do ônibus ou caminhão e, com a montagem básica das longarinas realizada, o chassi passa pela marcação. É neste momento que o chassi ganha uma identidade.

A partir da definição do modelo de ônibus ou caminhão, eletronicamente já são definidas as peças e os procedimentos necessários para cada veículo.

Cada vez mais caminhões e ônibus se diferenciam, inclusive os coletivos de motor dianteiro, em especial configurações como com suspensão pneumática, mais comuns no transporte urbano.

Até mesmo, já nas últimas etapas de produção, o abastecimento dos chassis se dá de forma eletrônica, com a seleção da quantidade de diesel e de fluidos para cada modelo. Afinal, os tanques e reservatórios de micro-ônibus são diferentes dos ônibus padrons e rodoviários, por exemplo.

Tudo tem de funcionar de forma alinhada. Um chassi fica apenas de três a quatro minutos em cada posto de trabalho, sendo movimentado na maior parte do tempo.

Um ônibus (chassi) fica pronto em três horas e meia aproximadamente.

A logística no interior da fábrica, contanto com pesados caminhões e carrinhos para transporte interno de peças, é de responsabilidade da JSL – Júlio Simões Logística, que também tem escritório na planta.

Cada uma das empresas que compõem o consórcio modular tem seu próprio controle de qualidade. Ao final de tudo, o ônibus e caminhão são submetidos a testes para a certificação de final de qualidade pela própria Volkswagen.

Entre as verificações estão, por exemplo, o teste de rolo. O chassi é colocado numa câmara sob uma espécie de esteira mecânica com rolamentos que fazem as rodas dos veículos girarem. Sensores captam dados como velocidade e quilometragem. Há também os testes de frenagem com equipamentos que calculam o torque e o tempo para a parada total de cada veículo. No caso dos caminhões, que recebem a cabine lá mesmo na linha de produção, há também um teste de água para que haja a certificação de que veículo não vai sofrer com infiltrações. Quanto aos ônibus, este tipo de teste é feito pelas fábricas de carroceiras.

A marca Volksbus foi criada em 1993 e o primeiro modelo foi um 16.180 CO, chassi de ônibus fabricado ainda no Ipiranga, em São Paulo.

Durante a visita, a montadora exibiu uma unidade do modelo, devidamente mantida pela empresa Auto Ônibus Nardelli, de Salto, no interior paulista, com carroceria Caio Vitória.

O ônibus mantém suas características originais e operou de 1993 a 2016 em linhas fixas.

Segundo a Volkswagen, foram produzidos desde o início da marca até 2019, aproximadamente 155 mil Volksbus. Do total, já foram vendidos 30 mil unidades apenas no mercado externo.

A marca Volksbus completou 27 anos em Resende e o consórcio modular já tem 25 anos,

A planta tem 1,5 milhão de metros quadrados, sendo 170,5 mil de área construída. O local conta também com pistas de testes que simulam as diferentes condições de tráfego, inclusive as mais severas. Há áreas nas pistas que testam suspensão, frenagem, torção, inclinação e desgastes.

Atuam na fábrica em torno de quatro mil funcionários. Além de abrir a linha de produção, a planta de Resende também é centro de desenvolvimento de novas peças e modelos.

Confira imagens de algumas etapas da produção e também do Volkswagen 16.180 CO/ Caio Vitória da Nardelli.

Ônibus mantém características originais e virou um marco para a Volks

LINHA DE PRODUÇÃO:

Montagem inicial do chassi (Maxion)

Marcação do chassi

Checagem final Maxion

Área inicial da Meritor, colocação de eixos e tambores

Encaixe de peças

Colocação de estepe na Meritor

Etapa de implementação de rodas com pneus

Torque de rodas

Montagem de motor pela Powertrain

Fixação de motor

Checagem final pela Powertrain

Instalação de painel e câmbio (Cockpit)

Primeiro abastecimento de fluidos e diesel da “vida” do ônibus ou caminhão

Posto 6: o ponto final da montagem, onde o ônibus ou caminhão é ligado pela primeira vez

Chassi seguindo para bateria de testes

Testes de freios

Testes de água em cabines de caminhão

Área onde caminhões e ônibus recebem selo de qualidade.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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