Prefeitura de Curitiba retoma obras de construção da Linha Verde

Publicado em: 4 de dezembro de 2019

Obra passou a ser executada pelo consórcio Estação Solar, formado pela TCE Engenharia Ltda. e a Construtora Triunfo S.A.

JESSICA MARQUES

A Prefeitura de Curitiba, no Paraná, retomou a construção do Lote 4.1 da Linha Verde nesta semana. A obra passou a ser executada pelo consórcio Estação Solar, formado pela TCE Engenharia Ltda. e a Construtora Triunfo S.A., segundo colocado no processo licitatório realizado para a eleger a empresa que executaria a obra.

A retomada ocorre após perícia feita pela comissão formada por engenheiros da Secretaria Municipal de Obras Públicas e do Instituto Falcão Bauer, além de análises de procedimentos e documentais.

O Lote 4.1 é o trecho final da Linha Verde e liga as estações Solar e Atuba, nos limites entre Curitiba e Colombo. O trecho tem 2,84 quilômetros e a previsão é de que as obras durem cerca de dois anos.

“O consórcio Estação Solar aceitou assumir a obra após o contrato com a primeira colocada na licitação ter sido rescindido, em agosto deste ano. A rescisão ocorreu por falhas no atendimento ao cronograma de execução da obra e a lentidão dos serviços. Somente neste Lote 4.1, a Secretaria Municipal de Obras Públicas aplicou 31 notificações na empresa que estava responsável pelo trecho”, explicou a Prefeitura, em nota.

No reinício das obras, o trabalho se concentrou na escavação da galeria celular que dará estrutura para as novas pistas do trecho norte da Linha Verde, conforme informado pela Prefeitura.

“Neste trecho serão investidos mais de R$ 70 milhões e trabalhamos muito para manter o financiamento federal e da Agência Francesa de Desenvolvimento nesta obra tão importante para Curitiba”, disse o prefeito Rafael Greca, por meio de nota.

HISTÓRICO

A Prefeitura informou que a construtora Terpasul foi a responsável pela implantação dos trechos em construção na Linha Verde Norte nos lotes 3.1, 3.2 e 4.1, sendo a maior parte há quase quatro anos.

As obras do lote 3.1, no trecho entre as estações Vila Olímpica e Fagundes Varela, tiveram início em novembro de 2015. Por sua vez, a implantação da trincheira da Rua Fúlvio José Alice (lote 3.2) começou em outubro de 2016.

As intervenções tinham previsão de entrega para o mês de julho de 2019, respectivamente, porém, o primeiro dos lotes chegou ao fim do prazo estimado com 83,5% das obras executadas e o segundo com 74,98% concluídos.

Em 2015, as empresas Terpasul e Empo (Empresa Curitibana de Saneamento e Construção Civil Ltda.) concorreram à licitação do lote 3.1 da Linha Verde Norte. O edital foi publicado em 8 de abril daquele ano, as propostas abertas em 6 de maio, a Terpasul homologada como vencedora em 24 de junho e a ordem de serviço para as obras assinada em 24 de novembro de 2015, com valor contratado de R$ 48.291.617,22.

No lote 3.2, para a construção da trincheira da Rua Fúlvio José Alice, a Terpasul concorreu com o consórcio Viaplan Geosonda à licitação que teve o edital publicado em 19 de abril de 2016, as propostas abertas em 13 de maio e a vencedora homologada em 19 de junho daquele ano. A ordem de serviço foi assinada com a Terpasul em 3 de outubro de 2016 de um contrato no valor de R$ 33.613.053,18.

O lote 4.1, entre as estações Solar e Atuba, foi licitado em 24 de julho de 2018. Além da Terpasul, concorreram no certame os consórcios Estação Solar (TCE Engenharia Ltda e Construtora Triunfo S.A) e JL/Basalto (JL Construções Civis S.A e Basalto Construção e Pavimento Ltda).

As propostas foram abertas em 16 de agosto de 2018, a Terpasul homologada como vencedora em 30 de outubro de 2018. A ordem de serviço para a execução dos trabalhos foi assinada em 7 de novembro para um valor contratado de R$ 69.424.662,46. A obra tinha entrega prevista para outubro de 2020, mas foi abandonada pela empresa, com 4,16% executados.

O Lote 4.1 foi licitado em 24 de julho de 2018. As propostas foram abertas em 16 de agosto de 2018 e a homologação da vencedora ocorreu em 30 de outubro de 2018. A ordem de serviço para a execução dos trabalhos foi assinada em 7 de novembro.

As obras tiveram início em novembro de 2018 e a previsão era que fossem entregues até o final de 2020. Apenas 4,16% da obra foi feito pela empresa que iniciou o trabalho.

O município informou que, em agosto de 2019, iniciou os procedimentos legais para dar continuidade às obras – o que inclui prestar informações e obter novas autorizações do agente financiador (Caixa Econômica Federal), concluir perícias, entre outras ações.

A construtora Terpasul, responsável pelas obras, parou a execução em alguns trechos e foi notificada por abandono pela administração municipal.

Os lotes envolvidos são o 3.1, o 3.2 e o 4.1. Para este último, poderia ser chamada a segunda colocada na licitação, no caso, o consórcio Estação Solar, que está responsável pelas obras retomadas em dezembro de 2019.

CONTRATOS

O valor total previsto nos três contratos com a Terpasul era de R$ 151.329.333,00. A empresa recebeu por serviços executados R$ 76.444.582,70.

Durante a vigência dos contratos nunca houve atraso nos pagamentos. Em média, a empresa recebeu os repasses cinco dias após a medição do trabalho executado.

Em obras desde novembro de 2015, o lote 3.1 foi abandonado pela Terpasul com 83,5% das obras concluídas. O lote compreende o trecho que começa na altura da Avenida Victor Ferreira do Amaral e segue até o cruzamento com a Rua Fagundes Varela, segundo a Prefeitura.

“No período, a empresa foi notificada 92 vezes por diversos motivos, sendo a maioria deles por não cumprir o que estava previsto no contrato. As notificações, na maioria das vezes, foram motivadas por atrasos no cronograma, falhas de execução na obra, solicitações da fiscalização e supervisão para continuidade de diversos serviços.”

O lote 3.2 compreende a trincheira que ligará as ruas Fúlvio José Alice e Amazonas de Souza Azevedo sob a Linha Verde, melhorando o trânsito entre Bairro Alto e Bacacheri.

As obras começaram em outubro de 2016. A trincheira já deveria estar servindo aos motoristas que trafegam pela região desde setembro de 2017, de acordo com o pactuado em contrato.

Porém, apenas 74,98% das obras foram concluídas. Houve seis aditivos de prazo concedidos à Terpasul, com a finalização prevista para julho de 2019, segundo a Prefeitura. O trabalho não foi concluído mesmo com o prazo ampliado em cerca de 700 dias.

Durante os quase dois anos de obras no lote 3.2, a Secretaria Municipal de Obras Públicas emitiu 21 notificações contra a Terpasul. Os avisos legais foram motivados pela não execução de frentes de trabalho liberadas, atrasos no cronograma de execução e, por fim, pelo total abandono dos serviços, inclusive marcado pela ausência de funcionários e retirada de materiais e equipamentos do local.

O lote 4.1 é o trecho final da Linha Verde e liga as estações Solar e Atuba, nos limites entre Curitiba e Colombo. As obras tiveram início em novembro de 2018 e a previsão era que fossem entregues até o final do próximo ano.

Apenas 4,16% da obra foram feitos e, por falhas no atendimento ao cronograma de execução da obra e a lentidão dos serviços, a Terpasul foi notificada 31 vezes, segundo a Prefeitura.

Histórico da Linha Verde

A Linha Verde começou a ser feita em 2007. Pela via, trafegam diariamente cerca de 50 mil veículos.

O projeto foi concebido com o objetivo de melhorar a ligação entre as regiões Norte e Sul da capital, servida então por um precário trecho urbano da BR-116.

“Além de reestruturar as vias em 22 quilômetros, permitindo escala ao transporte coletivo, a obra é uma indutora do desenvolvimento numa área de abrangência de 23 bairros e 4 cidades da Região Metropolitana”, informou a Prefeitura, em nota.

Além dos investimentos via financiamentos da União, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), da Agência Francesa de Desenvolvimento, o município também busca recursos por meio dos Certificados de Potencial Ampliado de Construção, que fazem parte da Operação Urbana Consorciada da Linha Verde.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

 

Comentários

  1. Samuel Joselito disse:

    Curitiba cidade “Modelo” ! Acho que terão que construir uma fábrica de SINALEIRO também ! Planejamento de transito de 1986 !

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