BBF terá transportes limpos entre os destaques. Evento apresentará ainda veículos inéditos, clima de Natal, guinchos e surpresas

Publicado em: 30 de novembro de 2019

Ônibus da década dos anos 1990, vindos do Sul, serão exibidos pela primeira vez

Trólebus de diferentes gerações e ônibus elétricos estarão em exposição que ocorre neste domingo na Praça Charles Miller em frente ao Pacaembu

ADAMO BAZANI

A BBF – BusBrasil Fest, considerada a maior exposição de transporte público da América Latina, que ocorre neste domingo, 01º de dezembro de 2019, vai trazer, entre outras atrações, modelos de tração não poluente de diferentes épocas e veículos que nunca foram expostos.

O evento será na Praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, na zona Oeste de São Paulo.

NÃO POLUENTES:

Trólebus “filho único” é um dos destaques, segundo empresa Metra

– Trólebus ACF – American Car and Foundry (ACF Brill), ano 1947, que operou pela CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos e hoje pertence ao acervo do Museu do Transporte Público (Museu Gaetano Ferolla, conhecido como Museu da CMTC). Foi um dos primeiros modelos de ônibus não poluentes que circularam no Brasil. Os veículos pertenceram ao sistema de Denver, nos Estados Unidos, país onde foram fabricados. “Em 1957, nova expansão do sistema. A CMTC adquire 75 trolebus ACF-Brill, fabricados entre 1946 e 1948, que pertenceram ao sistema de Denver, Colorado, EUA. Nesse ano, a prefeitura local decidiu extinguir o seu sistema, recebendo em troca da General Motors 200 ônibus diesel de última geração modelo GM Coach”, diz artigo do Secretário executivo da ANTP e coordenador do programa ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) Cultural, Ayrton Camargo e Silva.

– Trólebus Marcopolo Tutto Powertronic articulado prefixo 8000, ano 1985, que inicialmente tinha carroceria Caio Amélia e conjunto Volvo/Villares. O veículo circulou pelo sistema da capital paulista, começando pela CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos e depois da privatização da empresa pública, pela TCI – Transporte Coletivo Imperial, Viação Soares Andrade, Viação Santo Amaro, em testes para ao “Fura-Fila” (corredor elevado de ônibus, hoje denominado Expresso Tiradentes), empresa Expandir,    Eletrosul, Himalaia Transportes e Ambiental Transportes Urbanos. A mudança da carroceria Caio para a Marcopolo ocorreu em 1997. Hoje o trólebus faz parte do acervo itinerante do Museu dos Transportes Públicos Gaetano Ferolla.

– Trólebus Metra 5500: O veículo com chassi Scania, de três eixos, é considerado “filho único”. Isso porque, no País, só existe esta unidade com carroceria Caio Millennium II. O veículo é visto como uma evolução do trólebus no Brasil, dotado de sistema renovado de captação de energia com baterias armazenadoras para autonomia sem estar conectado à rede área, ar-condicionado e monitores de TV a bordo. De ano/modelo 2011/2012, o trólebus pertence à Metra, concessionária do Corredor Metropolitano ABD, presta serviços nas linhas do corredor, sendo escalado com maior frequência na 287P (Terminal Santo André Oeste/Piraporinha), mas também circula em outros serviços.

– Elétricos BYD/Transwolff: Chamados pela SPTrans – São Paulo Transporte de Padron Power, os ônibus são 100% elétricos com bateria, produzidos pela BYD, em Campinas. Serão expostas duas unidades, uma com carroceria Caio modelo Millennium IV e outra com carroceria Marcopolo modelo Torino Low Entry. Os ônibus pertencem à empresa Transwolff, que atua no subsistema local, na zona Sul da capital paulista. Os veículos compõe a primeira frota de ônibus 100% elétricos com circulação comercial: 15 unidades começaram a operar em 19 de novembro de 2019. A energia é gerada por captação solar em uma fazenda. A tecnologia lança a energia no ONS – Operador Nacional do Sistema que reverte em créditos para o carregamento das baterias.

A BBF, que tem o Diário do Transporte como um dos divulgadores, ocorre oficialmente das 11h às 17h.

MAIS DE 150 ÔNIBUS:

Neste ano, a BBF que chega a 13ª edição, terá mais de 150 ônibus de diferentes épocas, estilos e modelos, desde jardineiras (veúculos rústicos que eram produzidos no Brasil até os anos 1950) até veículos zero quilômetro e lançamentos.

Alguns destes ônibus ainda não foram expostos nas edições anteriores, como destaca ao Diário do Transporte,  um dos organizadores, Juverci de Melo.

“Teremos ônibus de 1948 (trólebus da CMTC), jardineira da Viação ABC, Caio Gabriela da Viação Osasco e particulares. Ressalto também a vinda do Marcelo Klein, que restaurou um Viaggio 800 MB OF-1318 ano 1991 e está vindo de Estância Velha – RS (mais de 1000 km) para expor pela primeira vez o véiculo totalmente restaurado,. Ele se encontrou em Curitiba com o Marco Aurelio Paes, instrutor da empresa Planalto que comprou um Busscar Jum Buss 340 ano 1990. Ambos seguem juntos para a BBF” – explicou.

NATAL:

Ônibus Caio Millennium IV, Mercedes-Benz de 23 metros, da City, do Guarujá

O clima de Natal também estará presente na edição de 2019 da BBF, segundo os organizadores.

Haverá surpresas com ônibus enfeitados. Uma das novidades, que o Diário do Transporte antecipa, é o ônibus de 23 metros da City Transporte Urbano, que atua no Guarujá, litoral paulista, mas haverá outros veículos decoradados.

GUINCHOS:

Veículos da Viação Osasco

Outra novidade para este ano, segundo os organizadores, é que serão expostos guinchos e carros de apoio das empresas de ônibus.

Muitos passageiros podem não ter noção, mas a prestação de serviços de transporte coletivo é uma atividade complexa que necessita de grandes equipes além da operação em si com os ônibus nas ruas.

Além de profissionais que são anônimos para os passageiros, as viações precisam ter uma grande frota além dos ônibus. São guinhcos, carros comns, caminhões-tanque e, mais recentenente, motocicletas.

Estes veículos também terão espaço na BBF.

“Foi uma forma que encontramos de homenagear também os setore de manutenção e administrativo dos transportes” – disse Juverci de Melo.

Adamo Bazani, jornalista especializado de transportes

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