Empresas de fretamento querem usar mais faixas de ônibus urbanos em São Paulo

Publicado em: 13 de novembro de 2019

Micro-ônibus fretado. Empresas dizem que transportam 600 mil pessoas por dia. Foto: Adamo Bazani/Arquivo – Imagem Meramente Ilustrativa

Para o diretor-executivo do Transfretur, Jorge Miguel dos Santos, liberação seria nas periferias, onde as pessoas precisam embarcar nos fretados.

ADAMO BAZANI

As empresas de fretamento da capital paulista e da região metropolitana querem ampliar a utilização das faixas de ônibus urbanos na cidade de São Paulo e esperam uma sinalização do poder público.

De acordo com o diretor-executivo do Transfretur, entidade que reúne as empresas do setor, Jorge Miguel dos Santos, desde a gestão do prefeito Fernando Haddad (2013/2016), quando em torno de 10% das faixas existentes na cidade, o que totaliza cerca de 50 km, foram liberados para este tipo de serviço, não houve avanços.

“É muito pouco para uma atividade que transporta cerca de 600 mil pessoas por dia. A gente precisa de um acesso maior a estas faixas para atender ao público. O táxi é liberado em todas as faixas e cada veículo transporta até quatro passageiros. Num ônibus fretado são mais de 40 pessoas. Hoje o Uber e os automóveis atrapalham muito mais as faixas” – disse.

Jorge Miguel disse ainda que o objetivo não é utilizar todas as faixas e nem o dia inteiro. Para o executivo, uma das propostas é liberar os espaços nas periferias onde há menor concentração de linhas urbanas em uma única aérea. É nas regiões mais afastadas que os passageiros de fretados têm mais dificuldade para embarcar, segundo o dirigente.

A gente entende que a faixa é para dinamizar o transporte urbano, mas ela afeta a gente nas periferias, onde temos de parar o ônibus para pegar passageiro. Isso atrapalha muito nossa operação. Seria de bom tom a gente fazer uma reanálise do uso destas faixas e compartilhar um pouquinho mais com o fretamento. Temos horários específicos na manhã e na tarde. Quando o ônibus fretado enche na periferia, ele não precisa parar em mais lugar nenhum, então não faz sentido circular na faixa no centro da cidade. Na periferia é mais importante. No centro, a gente arranja um jeito de desembarcar” – explicou

PERDA DE PASSAGEIROS:

Segundo Jorge Miguel, nos últimos três anos a diminuição da quantidade de passageiros foi de 30%.

Para o executivo, os números são explicados pelo baixo crescimento da economia, já que o segmento é atrelado ao desempenho de indústrias e de grandes estabelecimentos de comércio e serviço, e pela falta de facilidade de circulação dos fretados.

“As viagens estão se tornando mais demoradas e isso gera um desinteresse. Ocorre que o passageiro de fretado não migra para o transporte público, a maioria volta para o carro e isso é muito ruim para a mobilidade.” – explicou.

As declarações foram feitas na 20ª edição do Encontro das Empresas de Transportes de Passageiros de Turismo e o Brasil Fret 2019, em que ocorreu entre os dias 08 e 10 de novembro, no Resort Tauá, em Atibaia, interior de São Paulo, com cobertura do Diário do Transporte.

Ouça a entrevista:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. vagligeiro disse:

    Aí é querer demais.

    Serviços de fretamento, apesar de ser parte do sistema de transporte público / coletivo, são geralmente SERVIÇOS “PARTICULARES”, não são serviços “SOCIAIS”.

    Transporte público regulamentado/concessionado tem função diferente do serviço de fretamento.

    O primeiro, ofertado a partir da gestão estatal, serve para a distribuição das pessoas nas metrópoles, e obviamente, tem suas funções sociais também (Gratuidades e descontos).

    O segundo é quase o mesmo que um táxi, mas não é um táxi (táxi tem gestão estatal, e hoje está em um dilema, mas não cabe discussão aqui). É apenas contratado para serviços entre a empresa / grupo contratante e o contratado (empresa / operador). Não tem uma função social plena, dado que diferente das empresas concessionadas, apesar das regulações, a mesma pode parar de operar se quiser ou se necessário.

    Entendo que em caso de necessidades (distribuição de demanda – situações emergenciais), é justo redistribuir ônibus de fretamento nas faixas exclusivas / corredores. Mas fora isso, é lembrar que o fretamento é quase um aluguel de ônibus “EXCLUSIVAMENTE” para aquela função. É diferente de um ônibus de rota regular com linha concessionada à prefeitura. Um ônibus fretado pode se necessário usar outras rotas ou a empresa de fretamento estudar formas de redistribuir os passageiros. Uma linha concessionada não.

    Corredores e faixas de ônibus tem funções de EQUILIBRAR A BALANÇA (por assim dizer, desculpe este clichê) no meio do trânsito, hoje com a triste constatação de que há excesso de veículos.

  2. Rodrigo Zika! disse:

    Avisa pras empresas que em periferias as ruas são estreitas onde possuem faixa, e já fica um trânsito caótico bastando chover ou ter algum acidente ou veículo quebrado, um exemplo da Av Itaquera, as faixas já são bem ocupadas por táxi por causa da troca de votos que o prefeitos querem quando entra algum, piada.

  3. Alfredo disse:

    Nem fretado nem táxi, o fretado tem que fazer caminhos alternativos, esse governo do PSDB nem fez corredor e nem fiscaliza os que já existem, e quanto ao táxi, só enche o saco com a sua arrogância característica, atrapalhando o embarque e desembarque, cadê a Sptrans e CET que sumiram da Avenida Aricanduva?

  4. Seria caotizar, o que está caótico…se implantaram corredores, é porque necessita de viabilidade e maior mobilidade, com menos tempos de viagem, Agora botam esses fretados, ferra a maioria…

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