Série sobre assassinato de Celso Daniel deve enfocar transportes na cidade de Santo André

Publicado em: 5 de outubro de 2019
Celso Daniel

Corpo de Celso Daniel foi encontrado em estrada em meio a matagal em Juquitiba. Foto: Folha de S. Paulo

Em fase de pré-produção, tom documental vai tentar abordar diversas versões sobre o caso que, segundo o MP, envolve empresários de ônibus, políticos e ex-servidores da cidade do ABC Paulista

ADAMO BAZANI

O assassinato do prefeito Celso Daniel e de outras oito pessoas que tiveram algum tipo de contato com os fatos, inclusive um garçom que serviu o prefeito e até o legista que constatou tortura ao chefe do executivo andreense em 2002, é considerado um dos fatos mais cheios de controvérsias da história recente da política brasileira.

De um lado, por duas vezes, a Polícia Civil de São Paulo concluiu ser um crime comum praticado por bandidos do chamado “baixo clero” da criminalidade.

Mas esta versão não convenceu o Ministério Público de São Paulo que sustenta que um esquema de corrupção envolvendo empresários de ônibus da cidade, políticos, servidores públicos e a coleta de lixo motivaram o crime, que, aliás teve cenas de filme, como o resgate por helicóptero em janeiro de 2002 do preso de Dionísio Aquino Severo, que segundo as investigações teve participação na arquitetura do sequestro do prefeito e está entre os oito mortos relacionados ao caso. O sequestro em si teve ares cinematográficos também. Na região do Ipiranga e Sacomã , na zona Sudeste da capital paulista, a Pajero blindada do prefeito foi cercada pelos carros dos criminosos. Ao volante, estava o empresário Sergio Gomes da Silva, o Sombra, que morreu de câncer em 2016. Sombra não foi levado pelos sequestradores e o carro, apesar de ser blindado, não estava com as portas travadas, o que facilitou a ação dos criminosos e gerou desconfiança dos promotores Amaro José Thomé Filho e Roberto Wider Filho.  Outra cena marcante foi a imagem do corpo do prefeito em meio a um caminho num matagal e Juquitiba.

E toda esta macabra história vai virar filme de fato, ou melhor, uma série.

Nesta sexta-feira, 04 de outubro de 2019, foi realizada uma apresentação, na Expocine, sobre a série que está ainda na fase de pré-produção.

O diretor Marcos Jorge disse na apresentação, segundo o jornalista especializado em cinema, Miguel Barbieri, da Veja, que a produção vai mesclar a atuação artística e a linguagem de documentário, já que será baseado em pesquisa documental.

Foram analisados 40 volumes dos processos e Marcos Jorge disse que como há diferentes versões, decidiu ouvir as fontes primárias do caso e tratar de todas estas interpretações e argumentos sobre a corrupção e a morte.

Inevitavelmente, os transportes coletivos na cidade de Santo André serão abordados.

Segundo concluiu o Ministério Público de São Paulo, o PT Nacional decidiu impor a prefeituras comandadas pelo partido uma espécie de “taxa” cobrada a concessionárias de serviços públicos, como ônibus e coleta de lixo, para financiar seus cofres em busca de maior projeção em cargos de abrangência federal. Santo André foi o principal laboratório e Celso Daniel teria sido intimidado pelos dirigentes do PT Nacional a criar o esquema, o que de fato ocorreu, segundo o MP, mas ele teria “delegado” funções a políticos e empresários de ônibus, que viram que os recursos movimentados eram muito grandes para a época.

Assim, estes empresários e políticos começaram a desviar para si parte do dinheiro ilícito, segundo as apurações.  Como a arrecadação estava ficando menor, Celso Daniel foi cobrado por isso, ainda de acordo com o MP. Para mostrar que não estava se beneficiando dos recursos, Celso Daniel começou a montar uma espécie de dossiê no qual demonstrava os possíveis donos de empresas de ônibus, servidores públicos e políticos que teriam ficado com parte do dinheiro.

O MP sustenta que a ideia deste dossiê revoltou os envolvidos, o que teria motivado o sequestro e morte de Celso Daniel.

Nem todos os empresários de ônibus concordaram ou participaram do suposto esquema e, em CPIs – Comissões Parlamentares de Inquérito ou diante do MP, alguns deles denunciaram, como o empresário Luiz Alberto Ângelo Gabrilli Filho (Viação São José), já falecido e pai da senadora Mara Gabrilli, Sebastião Passarelli (já falecido) e João Antônio Setti Braga (Grupo ABC).

No âmbito do assassinato, foram geradas outras investigações que, já com condenações que comprovaram, na visão das justiças federal e estadual, que havia corrupção no sistema de ônibus e lixo de Santo André.

Em segunda instância, o TJ (Tribunal de Justiça de São Paulo), no dia 14 de novembro de 2017, ainda no processo de corrupção em Santo André, condenou o ex secretário de Celso Daniel, Klinger Luís de Oliveira, a 17 anos de prisão; o empresário de ônibus e dono do Diário do Grande ABC, Ronan Maria Pinto a 14 anos de prisão; o empresário Humberto Tarcísio de Castro, a 5 anos de prisão e um dos responsáveis pelo sindicato das empresas de ônibus de Santo André, Luís Marcondes de Freitas Júnior, a 8 anos.

Todos negam participação e a existência de esquemas de corrupção.

O caso Celso Daniel também resvalou na Operação Lava-Jato.

Ronan Maria Pinto, dono de empresas como Viação Guaianazes e ETURSA – Empresa de Transporte Urbano e Rodoviário de Santo André, foi condenado no âmbito da Lava-Jato a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro no caso que apura o empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões do Banco Schain para o pecuarista e amigo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, José Carlos Bumlai. As investigações apontam que o dinheiro foi para o PT. Em troca pelo suposto favor, ainda no governo petista frente à Presidência da República, a Petrobras de forma irregular assinou um contrato de US$ 1,6 bilhão com o Grupo Schain para a operação do navio-plataforma Vitória 10.000, segundo sustenta a força-tarefa da Lava-Jato.

Dos R$ 12 milhões, ainda segundo as investigações, quase R$ 6 milhões foram para Ronan que estaria achacando o PT para não envolver o nome de Lula e de outros líderes nacionais do PT no caso da morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel.

Parte deste dinheiro, ainda segundo a Procuradoria, foi usada por Ronan para concluir a compra do jornal Diário do Grande ABC e pagar dívidas com fábricas de ônibus.

Ronan nega todas as acusações. Desde 01º de março, o empresário que estava preso, cumpre pena em regime semiaberto com tornozeleira eletrônica em Curitiba.

Nos bastidores das câmaras e das prefeituras do ABC, a informação é de que Ronan e funcionários recebem em Curitiba ou por meios eletrônicos constantemente políticos, assessores e servidores da região e que, mesmo após duas prisões e a atual situação, o empresário possui forte influência no ABC, em especial nas decisões sobre transportes de Santo André e verbas de publicidade oficial com recursos de algumas prefeituras. Outras informações também de bastidores dão conta que o grupo supostamente tenta convencer patrocinadores a desistirem de cotas de publicidade em veículos de comunicação que cobrem o caso e transportes ou regionais que tentam veicular parte das verbas de comunicação oficial.

Oficialmente, os bastidores são negados.

O empresário não responde diretamente nos processos que apuram o assassinato de Celso Daniel, mas aos de supostos esquemas de corrupção que, na alegação do Ministério Público Estadual de São Paulo, motivaram o sequestro e a morte.

Na apresentação da pré-produção da série, o diretor Marcos Jorge disse que as filmagens começam no início de 2020, com conclusão até o primeiro semestre de 2021.

A intenção é que sejam produzidos dez capítulos com cerca de 60 minutos cada.

Segundo o jornalista Miguel Barbieri Jr, ainda não houve comercialização para canais de TV ou plataformas de internet.

HISTÓRICO COM OS TRANSPORTES, DE ACORDO COM MPE E CPI:

EMPRESÁRIOS CONFIRMAM CORRUPÇÃO:

De acordo com as investigações dos promotores do MPE de São Paulo, foi justamente este esquema de corrupção envolvendo os transportes por ônibus na cidade de Santo André que motivou o assassinato de Celso Daniel em 2002. Segundo as apurações sobre o esquema de corrupção, os donos de empresa de ônibus que não pagassem a propina sofriam grandes retaliações pela prefeitura sob o comando do PT em Santo André.

Um dos casos mais emblemáticos foi da Viação São José de Transportes, à época da família Gabrilli.

O empresário Luiz Alberto Ângelo Gabrilli Filho, pai da senadora por São Paulo Mara Gabrilli, se negou a pagar as propinas que depois, segundo as investigações, eram encaminhadas para o PT nacional.

A Viação São José teve serviços sobrepostos por empresas que pagavam no esquema. Uma das linhas mais importantes da São José era a T 45 que foi sobreposta pela linha B 47 da Viação Padroeira do Brasil.

A Viação Padroeira do Brasil pertencia na época a Baltazar José de Souza, concunhado de Ronan Maria Pinto e parceiro de negócios do parente. Foi justamente na garagem da Viação Padroeira, localizada no Jardim Bom Pastor, que foi guardada Pajero onde estava Celso Daniel com Sombra no dia em que somente o prefeito foi levado pelos criminosos. As sobreposições de linhas constam na decisão da juíza que resultou na condenação à prisão de Ronan Maria Pinto, Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e Klinger Luiz de Oliveira.

OUTROS EMPRESÁRIOS DE ÔNIBUS CONFIRMARAM:

De acordo com as investigações dos promotores, foi justamente este esquema de corrupção envolvendo os transportes por ônibus na cidade de Santo André que motivou o assassinato de Celso Daniel em 2002. Segundo as apurações sobre o esquema de corrupção, os donos de empresa de ônibus que não pagassem a propina sofriam grandes retaliações pela prefeitura sob o comando do PT em Santo André.

Um dos casos mais emblemáticos foi da Viação São José de Transportes, à época da família Gabrilli.

O empresário Luiz Alberto Ângelo Gabrilli Filho, pai da senadora Mara Gabrilli, se negou a pagar as propinas que depois, segundo as investigações, eram encaminhadas para o PT nacional.

A Viação São José teve serviços sobrepostos por empresas que pagavam no esquema. Uma das linhas mais importantes da São José era a T 45 que foi sobreposta pela linha B 47 da Viação Padroeira do Brasil.

A Viação Padroeira do Brasil pertencia na época a Baltazar José de Souza, concunhado de Ronan Maria Pinto e parceiro de negócios do parente. Foi justamente na garagem da Viação Padroeira, localizada no Jardim Bom Pastor, que foi guardada Pajero onde estava Celso Daniel com Sombra no dia em que somente o prefeito foi levado pelos criminosos. As sobreposições de linhas constam na decisão da juíza que resultou na condenação à prisão de Ronan Maria Pinto, Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e Klinger Luiz de Oliveira.

O empresário de transporte, João Antônio Setti Braga, em depoimento à CPI criada em Santo André para apurar o esquema, na sessão do dia 10 de julho de 2002, confirmou que R$ 2,5 milhões foram retirados do caixa da empresa Expresso Nova Santo André, entre o final de 1997 e o início de 2000, para serem entregues a representante da prefeitura no esquema.

Setti Braga disse que a quantia em dinheiro vivo era entregue a Ronan Maria Pinto, um dos sócios da empresa Expresso Nova Santo André, que foi criada em 1997 para operar no lugar das linhas da EPT – Empresa Pública de Transportes, cujo braço operacional foi privatizado. A propina era cobrada para os donos de empresa de ônibus operarem com tranquilidade.

Eram donos da Expresso Nova Santo André, João Antônio Setti Braga, Ronan Maria Pinto, Luiz Alberto Gabrilli, Baltazar José de Sousa e Carlos Sófio.

“O dinheiro era para ser entregue a pessoas da prefeitura como um custo político para poder operar as linhas com tranquilidade na cidade” – disse na CPI.

Setti Braga disse à CPI que deixou a Nova Santo André no início de 2000 por não concordar com os métodos da administração da empresa -à época, a cargo de Ronan e Gabrilli.

Setti Braga foi o quarto empresário de ônibus a confirmar na CPI, na ocasião, que havia pagamento de propina. Os outros empresários foram Rosângela Gabrilli, Luiz Alberto Gabrilli Neto e Sebastião Passarelli.

“O custo de R$ 100 mil por mês foi trazido a nós (sócios da empresa Nova santo André) pelo Ronan, que foi nomeado pelo Klinger como uma espécie de interlocutor entre a empresa e a prefeitura. Como a maioria concordou, eu tive de acatar (o pagamento de propina).” – disse Setti Braga na ocasião.

BALTAZAR TAMBÉM CONFIRMOU SAÍDA DE RECURSOS:

Não se referindo diretamente a propina ou a possibilidade de pagar para operar com tranquilidade, outros empresários de ônibus confirmaram na ocasião que o dinheiro saía de forma misteriosa, sem destino claro.

Foi o caso do próprio Baltazar José de Sousa, parente de Ronan Maria Pinto e parceiro nos negócios. O dono da TCPN – Transportes Coletivos Parque das Nações, Carlos Sófio, também confirmou a saída de recursos do sistema de ônibus sem fins conhecidos.

Acompanhe matéria da Folha de São Paulo daquela época:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1107200202.htm

MORTES QUE TERIAM RELAÇÃO COM O ASSASSINATO DE CELSO DANIEL:

Antonio Palacio de Oliveira : garçom. Assassinado em fevereiro de 2003. Serviu Sombra e Celso Daniel no restaurante Rubaiyat em 18 de janeiro de 2002, noite do sequestro. Foi assassinado em fevereiro de 2003. Trazia consigo documentos falsos, com um novo nome. Membros da família disseram que ele havia recebido R$ 60 mil, de fonte desconhecida, em sua conta bancária. O garçom ganhava R$ 400 por mês. De acordo com seus colegas de trabalho, na noite do sequestro do prefeito, ele teria ouvido uma conversa sobre qual teria sido orientado a silenciar.

Quando foi convocado a depor, disse à Polícia que tanto Celso quanto Sombra pareciam tranquilos e que não tinha ouvido nada de estranho. O garçom chegou a ser assunto de um telefonema gravado pela Polícia Federal entre Sombra e o então vereador de Santo André Klinger Luiz de Oliveira Souza (PT), oito dias depois de o corpo de Celso ter sido encontrado. “Você se lembra se o garçom que te serviu lá no dia do jantar é o que sempre te servia ou era um cara diferente?”, indagou Klinger. “Era o cara de costume”, respondeu Sombra.

Paulo Henrique Brito : testemunha da morte do garçom. Foi morto no mesmo lugar com um tiro nas costas. Assassinado em março de 2003

Iran Moraes Rédua: reconheceu o corpo de Daniel. Assassinado – dezembro de 2003. O agente funerário foi a primeira pessoa que reconheceu o corpo de Daniel na estrada em Juquitiba e chamou a polícia.

Dionizio Severo: suposto elo entre quadrilha e Sombra. Assassinado – abril de 2002.Detento apontado pelo Ministério Público como o elo entre Sérgio Sombra, acusado de ser o mandante do crime, e a quadrilha que matou o prefeito, foi assassinado na cadeia, na frente de seu advogado. Abriu a fila. Sua morte se deu três meses depois da de Celso e dois dias depois de ter dito que teria informações sobre o episódio. Ele havia sido resgatado do presídio dois dias antes do sequestro. Foi recapturado.

Sérgio Orelha: Amigo de Severo. Assassinado em 2002. O homem que o abrigou no período em que a operação teria sido organizada, Sérgio Orelha, também foi assassinado. Outro preso, Airton Feitosa, disse que Severo lhe relatou ter conhecimento do esquema para matar Celso e que um “amigo” (de Celso) seria o responsável por atrair o prefeito para uma armadilha.

Otávio Mercier: investigador que ligou para Severo. Morto em julho de 2003. O investigador do Denarc Otávio Mercier, que ligou para Severo na véspera do sequestro, morreu em troca de tiros com homens que tinham invadido seu apartamento.

Carlos Delmonte Printes: legista encontrado morto em 12 de outubro de 2005. Constatou que Celso Daniel foi torturado antes de ser assassinado.

CONDENADOS NO CASO:

Apesar de o Ministério Público ter relacionado fatos e dados que considera como provas para determinar que o assassinato de Celso Daniel foi um crime político, envolvendo as empresas de ônibus de Santo André e o PT Nacional, apenas os chamados os “operadores” do sequestro e do assassinato foram condenados.

Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, também foi relacionado para o julgamento, no entanto, seus advogados conseguiram que ele fosse excluído, não comprovando inocência propriamente dito, mas por um detalhe técnico. Segundo a argumentação, os advogados de Sérgio Gomes da Silva não tiveram acesso aos outros depoimentos, o que prejudicaria a defesa, havendo anulação do processo.

Confira os interrogados e julgados:

Marcos Roberto Bispo dos Santos – Marquinhos: Foi apontado pela Promotoria como sendo o motorista de um dos três carros que participaram do sequestro do ex-prefeito de Santo André. Após a prisão em 2002, ele confessou à polícia participação no crime.A confissão aconteceu na sede do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), em São Paulo, e foi contestada pela defesa que alega que o cliente foi vítima de tortura. Bispo dos Santos foi condenado a 18 anos de prisão pela morte de Celso Daniel.

Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira – Bozinho:

Rodolfo também confessou à Polícia Civil ser um dos executores de Celso Daniel. Em juízo, porém, Bozinho mudou a versão e disse que foi torturado pelos policiais e obrigado a confessar um crime que não cometeu. Em 2006, contudo, Oliveira fugiu da penitenciária de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, e só foi recapturado no ano seguinte. Na versão do Ministério Público, ele também é apontado como a pessoa que cercou o carro de Celso Daniel e retirou o ex-prefeito do veículo onde estava. Ao fugir da penitenciária em 2006, Bozinho também foi acusado de envolvimento na morte do agente de escolta e vigilância penitenciária Genivaldo Lourenço da Silva, baleado durante a ação. Oliveira foi apontado também pelo irmão de ser o autor dos disparos. Rodolfo foi condenado a 18 anos de reclusão e já estava preso. Por ser menor de 21 anos na época do crime, teve um atenuante na pena.

José Edison da Silva – Zé Edison: Apontado por dois acusados como o mandante dos disparos contra Celso Daniel, também foi arrolado no inquérito da morte do ex-prefeito de Santo André. O juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov, da 1º Vara Criminal de Itapecerica da Serra, decidiu condená-lo a 20 anos de prisão.

Ivan Rodrigues da Silva – “Monstro”: Apontado pela Polícia Civil como o chefe da quadrilha que atuava na favela Pantanal e sequestrou e matou Celso Daniel. Na versão da polícia, a quadrilha era comandada por Ivan Rodrigues da Silva e Itamar Messias dos Santos. A hipótese levantada é que o crime foi cometido por conta de uma suposta tentativa de seqüestro frustrada. Após descobrirem a identidade real do ex-prefeito, os criminosos teriam assassinado o ex-prefeito. Em depoimento À CPI dos Bingos, em 2005, “Monstro” afirmou que o ex-prefeito foi sequestrado por ocupar um carro importado depois da frustrada perseguição a uma Dakota, na mesma noite de 18 de janeiro. A versão da polícia contradiz a do Ministério Público, que concluiu que o crime foi político. Diz a Promotoria que Celso Daniel foi morto porque discordava do esquema de corrupção instalado na Prefeitura de Santo André. Os desvios estariam servindo não para abastecer o caixa do PT, mas para enriquecer os envolvidos. Ivan Rodrigues foi condenado a 24 anos de reclusão e já estava preso antes do julgamento.

Elcyd Oliveira Brito – John: Foi condenado a 22 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado, mediante promessa de recompensa, e pela utilização de recurso que tornou difícil a defesa da vítima. Segundo o Ministério Público, Elcyd seria o autor de uma carta endereçada ao empresário Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, para cobrar o pagamento de R$ 1 milhão pela morte do prefeito. Preso em 2002 pelo crime, Elcyd fugiu do Centro de Progressão Penitenciária de Pacaembu no dia 4 de agosto de 2010 escalando e pulando os dois alambrados que circundavam a penitenciária, junto com outros dois presos. Elcyd foi preso novamente em seguida.

Itamar Messias Silva dos Santos – Olho de Gato: foi condenado a 20 anos de prisão – em regime inicial fechado – por participação na morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel. Considerado braço-direito de Monstro, Itamar trabalhava como office-boy antes de cumprir pena na Cadeia Pública de Diadema até o ano 2000, por furto e porte de drogas. Durante a CPI dos Bingos ele confirmou a tese de crime comum e disse que teria libertado o prefeito de Santo André se soubesse quem ele era.

Laércio dos Santos Nunes – Lalo: Era “menor” na época do crime – 16 anos de idade: Foi apontado pela Polícia Civil como um dos autores dos disparos que mataram Celso Daniel. Preso na antiga Febem (hoje Fundação Casa) do Tatuapé na época do crime, ele fugiu da unidade prisional em 2005 e só foi recapturado no ano seguinte, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Após ser preso pela primeira vez, o jovem conhecido como “Lalo” confessou o crime e disse que praticou o ato a mando de José Edson da Silva, um dos líderes do sequestro, por coação.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Pergunto: essa produção terá uma parcela paga à que tem todo direito de receber, o irmão do Celso?? Ele está na pindaíba, sem lenço nem documento, vivendo à pão e água, escondido para não ser a próxima vítima. Se veste com roupas que uma amiga sua lhe compra e manda, compradas no Brás…Os andreenses foram muito omissos,,,isso tinha de ter um levante, já que Celso teve votação expressiva na cidade, era querido pela maioria,,,,,todos se calaram..

  2. Rodrigo Zika! disse:

    Esse sim foi morto pela facção criminosa chamada PT, e a justiça nada fez, ai nesse caso o STF fica caladinho, mas pra soltar bandido age rapidinho, vergonha.

    1. Caminhoneiro 81 disse:

      Chamem a turma da Vaza Jato, Moro mentira e Dallagnol, com certeza irão elucidar o crime.
      Irão prender e coagir pessoas para depor e falar o que for mais conveniente ,com certeza conseguem um culpado rapidinho.
      Só bolsominions pra achar que a polícia do PSDB,caso houvesse um mínimo de evidência contra o PT, não teria divulgado isso.

      1. MARCIO B disse:

        Você conhece mesmo o PT?
        Certeza absoluta que não, ou então faz parte dessa máfia poderosa que mata para chegar ao seu propósito.

      2. Rodrigo Zika! disse:

        Se o problema fosse um seria bom, o MPF tem um monte de procurador que age de acordo com sua ideologia pra investigar e prender, mas o caso e bem antigo do assassinato brutal do prefeito antes de entrar os atuais no ministério da justiça, não tem como comparar isso.

  3. MARCIO PEREIRA disse:

    Vai falar que o mandante do assassinato tem nove dedos?

    1. Rodrigo Zika! disse:

      Não sabia que o PT se resume ao Lula somente.

  4. RILVA LOPES DE SOUSA MUNOZ disse:

    Não perca esta série!

  5. Sílvia disse:

    Porque não fazem tbm uma série sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes, onde há suspeita do envolvimento da família do presidente Jair Bolsonaro do PSL.

    1. Rodrigo Zika! disse:

      Acho que você anda vendo muito jornal de TV aberta acusa sem provas e depois da a noticia, uma pena que ainda muitos brasileiros são assim.

  6. Celso Ramos disse:

    Representantes do PT estão, dizendo que o delegado na época era do Governo PSDB, ora bolas ! sabemos hoje que é tudo farinha do mesmo saco, com essa roubalheira, levantada na LAVAJATO, então essa argumentação cai por terra, afinal em politica, são cumpadres. Esse crime é Politico, ninguém é inocente nessa estória.

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