São Paulo tem energia para que todos os ônibus sejam elétricos, mas infraestrutura precisa ser preparada, diz diretor do Ministério de Minas e Energia

Publicado em: 1 de outubro de 2019

De acordo com Antonio Celso, que já foi subsecretário de Energias Renováveis do Estado de São Paulo, alguns pontos de fornecimento para regiões das garagens. Foto: Adamo Bazani.

De acordo com Antônio Celso de Abreu Júnior, redes de abastecimento de veículos elétricos precisam ganhar escala, mas podem ser novas oportunidades de negócios

ADAMO BAZANI
Colaborou Jessica Marques

Se todos os 14 mil ônibus da cidade de São Paulo fossem elétricos atualmente, haveria energia suficiente e ninguém ficaria sem abastecimento.

A informação é do diretor do departamento de universalização da energia elétrica e políticas sociais do Ministério de Minas e Energia, Antonio Celso de Abreu Júnior, que esteve na manhã desta terça-feira, 01º de outubro de 2019, na 15ª edição do salão do Veículo Elétrico, que ocorre até quinta-feira, 03, no Expo Transasmerica, na zona Sul de São Paulo.

De acordo com Antonio Celso, que já foi subsecretário de Energias Renováveis do Estado de São Paulo e conhece a realidade do abastecimento na cidade, o que precisa ser equacionada é a questão da infraestrutura, o que para ele, é possível fazer.

“Em São Paulo, nós temos energia para atendimento suficiente. Há fornecimento para todo o sistema. Os pontos de conexão é que deveriam ser estudados por causa dos novos acessantes (garagens dos ônibus) para abastecimento inclusive nos horários noturnos. Exigiria uns reforços de rede e isso é atendido pela concessionária local” – disse.

Para Antonio Celso a adequação para as frotas se daria como a criação de um acesso a mais.

“É como um novo acesso normal. Como se construísse uma edificação que tem uma carga prevista. Essa carga prevista então é pedida à concessionária que faz os devidos ajustes para aquele atendimento” – prosseguiu.

Antonio Celso destacou ainda que já existe regulamentação para abastecimento para serviços de veículos elétricos, seja frotista ou para consumidores individuais. A regulamentação foi pela Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica.

Entretanto, segundo o diretor no Ministério de Minas e Energia, a ausência de uma rede maior de abastecimento para a recarga dos carros, caminhões e ônibus é um desafio.

“O que nós precisamos agora é que a malha se amplie, que comece a ganhar escala e que possa ser transformada em um atendimento simples, que tenha acesso de todos os consumidores de energia elétrica”.

Antonio Celso falou ainda que a modernização do sistema elétrico buscada pelo Governo Federal pode gerar novas oportunidades de negócios para as distribuidoras, inclusive voltadas para os veículos elétricos.

O carro elétrico pode ser um aliado no barateamento do consumo de energia, explicou.
Isso porque, a energia que está em sua bateria, pode ser “devolvida” para a casa e para a rede nos horários de pico, quando a energia é mais cara. Assim, o consumidor pouparia este gasto. Na madrugada, quando a energia é mais barata, seria utilizada para repor a bateria.

Confira a entrevista, na íntegra:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    Que tem essa disponibilidade isso e um fato, e só leigo não percebeu ate hoje, o que falta e vontade da própria prefeitura que não incentiva as empresas a adquirirem frotas menos poluentes, e as empresas querem mais e diesel, pois e uma doença que foi implantada na cabeça dos empresários há décadas, e dificilmente pelos mesmos essa iniciativa virá, pois usam a desculpa do tipo de veículo ser mais caro, porém a longo prazo beneficiará a cidade toda em vários aspectos pra população em geral, e eu não acho que isso vai mudar infelizmente, ainda mais pela inércia dos prefeitos e do atual ex vice poste.

  2. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Dos males o menor; mas infraestrutura não é uma questão simples em nenhuma área.

    Quanto tempo ainda precisa para essa infraestrutura se tornar realidade ?

    É patente um descompasso, tem os buzões elétricos mas não tem infraestrutura.

    É a famosa teoria do cobertor curto; amplamente utilizada no Barsil.

    Att,

    Paulo Gil

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