Exposição ‘Traços de Paranapiacaba’ segue para a Estação Tamanduateí da CPTM

Mostra é de autoria da artista plástica Teresa Saraiva e reúne imagens que mostram a histórica Vila Ferroviária de Paranapiacaba. Foto meramente ilustrativa / Angelo Baima / PSA.

Mostra ficará em cartaz de até 10 de outubro

JESSICA MARQUES

A exposição itinerante “Traços de Paranapiacaba” seguirá da Estação Santo André, no ABC Paulista, para a Estação Tamanduateí da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que atende a Linha 10-Turquesa, a partir desta terça-feira, 10 de setembro de 2019.

A mostra é de autoria da artista plástica Teresa Saraiva e reúne imagens que mostram a histórica Vila Ferroviária de Paranapiacaba.

“A exposição traz cenários e paisagens significativos da cidade, como a torre do relógio, que pode ser vista na chegada à vila, a Igreja Bom Jesus e o grupo escolar Senador Lacerda Franco, que data de 1919 e atualmente é a sede administrativa da Prefeitura de Santo André, entre outros pontos”, informou a CPTM, em nota.

Ainda segundo a companhia, a mostra é composta por 13 desenhos, dos quais sete compõem uma grande imagem de 3,5 metros.

As outras obras formam trípticos, que são desenhos constituídos por três partes, de 1,5 metro. As figuras são em P&B, feitas com grafite sobre o papel Ingres Fabriano, e trazem os traços típicos da artista, que são marca de sua obra e expressam sua sensibilidade.

A exposição foi exibida pela primeira vez em 2017 por Teresa Saraiva e acompanhou o lançamento do livro Traços de Paranapiacaba, que tem prefácio do professor Dr. Benedito Lima de Toledo.

A mostra itinerante ficará em cartaz até o dia 10 de outubro, quando seguirá para a Estação da Luz. Por último, a próxima parada será na Estação Jundiaí, percorrendo os trilhos que um dia foram conhecidos como Estrada de Ferro Santos-Jundiaí.

A linha foi construída pela companhia inglesa SPR (São Paulo Railway) para transportar o café produzido pelos fazendeiros paulistas até o Porto de Santos. Em 1992, a linha foi dividida e coube a CPTM administrar os trechos Luz – Jundiaí, pela Linha 7-Rubi (antiga Linha A), e Brás – Rio Grande da Serra, pela Linha 10-Turquesa (antiga Linha D).

SOBRE A ARTISTA

A arquiteta e artista plástica Teresa Saraiva também leciona como professora doutora na FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo). A artista produziu o “Painel Estação da Luz”, composto por 14 módulos em ferro fundido, de 1,20m x 0,85m cada.

A obra, que pesa cerca de 2,5 toneladas e levou mais de dois anos para ser finalizado, está instalada na Estação da Luz, no saguão subterrâneo que dá acesso à rua José Paulino. Teresa também assina os trabalhos “Um século de Luz” e “Traços Urbanos”, em que retrata com lápis grafite vários pontos e bens culturais da capital paulista, incluindo a região da Luz.

Serviço

Exposição “Traços de Paranapiacaba”

Local: Estação Tamanduateí (Linha 10-Turquesa)

Data: 10/9 a 10/10

 

Local: Estação Luz (Linhas 7-Rubi e 11-Coral)

Data: 10/10 a 10/11

 

Local: Estação Jundiaí (Linha 7-Rubi)

Data: 10/11 a 10/12

HISTÓRIA DE PARANAPIACABA

Lugar de onde se avista o mar: Este é o significado da palavra Paranapiacaba, em tupi-guarani. A vila foi criada pelos ingleses entre 1865 e 1867 para moradia dos ferroviários da linha Santos – Jundiaí, uma das ligações ferroviárias pioneiras do Brasil.

Pertencente a Santo André, no ABC Paulista, a vila é cercada por belezas naturais, sendo possível do “planalto” ver mesmo o mar no litoral sul, desde que a característica neblina da Serra do Mar não baixe e deixe o clima com um ar tipicamente londrino.

A vila também é marcada por diversas histórias que envolvem de grandes empreendedores a ferroviários.

Leia a história de Romão Justo Filho:

HISTÓRIA: Paranapiacaba e um modesto herói da ferrovia

Confira a história de Paranapiacaba, conforme divulgado pela Prefeitura de Santo André:

Em 1850 Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, empenhou-se na construção de uma Estrada de Ferro e, em 1856, um Decreto Imperial concedeu a ele o privilégio da construção e o prazo de 90 anos para sua exploração. Em 1860 conseguiu reunir capital suficiente e formou a empresa The São Paulo Railway Company Ltd. – SPR para construí-la. Paranapiacaba surge como acampamento para os trabalhadores que construíram o trecho da Serra do Mar. Com a inauguração da ferrovia, em 1867, a empresa viu-se obrigada a manter operários no local para a operação dos serviços e manutenção das obras. Posteriormente à duplicação da ferrovia edificou-se uma nova vila no Alto da Serra, a Martin Smith, de ruas arborizadas com alinhamentos regulares e sistemas de água e esgoto.

Na década de 1940 a Vila sofreu duas marcantes intervenções: em 1945 passou a chamar-se Paranapiacaba e, no ano seguinte, a São Paulo Railway Co. foi incorporada ao Patrimônio da União e passou a ser administrada pela Estrada de Ferro Santos a Jundiaí – EFSJ, terminando assim a presença dos ingleses na região. Ao receber o patrimônio, em 1946, o governo federal esforçou-se em manter a qualidade no transporte de carga e de passageiros que os ingleses tinham até então.

No tempo dos ingleses a Vila de Paranapiacaba apresentava certo ar europeu, romântico, com casas de madeira, quintais separados por cercas vivas e ruas calmas, ladeadas de pinheiros, em contraste com a Parte Alta, que recebeu uma ocupação urbana marcada pela herança portuguesa, com ruas estreitas e casas de pequenas frentes edificadas junto ao alinhamento. Unindo a Parte Alta à Parte Baixa há uma ponte metálica destinada exclusivamente aos pedestres e bicicletas, que se mantém até hoje após algumas reformas.

Em 1982 o Sistema Funicular construído pelos ingleses deixou de funcionar. Foi o fim de uma era de glamour e o começo de uma luta pela preservação do que ainda restava da História da ferrovia inglesa. Iniciava-se um movimento para a redestinação de Paranapiacaba a fim de transformá-la num polo turístico que mostrasse a beleza de seu casario, matas, águas e trilhas, que envolvesse as pessoas em seu clima mágico, histórico e cultural. Em 1987 foi elaborado pela Emplasa, empresa estadual de planejamento metropolitano, o Plano Integrado de Preservação e Revitalização de Paranapiacaba e, nesse mesmo ano, o Condephaat, órgão estadual de preservação do patrimônio, publica seu tombamento histórico, abrangendo a área do núcleo urbano, os equipamentos ferroviários e a área natural ao seu redor, selando legalmente o local como de interesse público. Em abril de 2000 Paranapiacaba tornou-se oficialmente um dos núcleos do programa da Reserva da Biosfera da UNESCO, que engloba a proteção de 329 áreas de floresta em 83 países.

Em 2001 a Prefeitura de Santo André deu o primeiro passo para assumir definitivamente a administração da Vila ao criar a Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense e, em 2002, foi formalizada a compra da Vila de Paranapiacaba da Rede Ferroviária Federal S.A. – RFFSA. O contrato de compra e venda foi assinado no interior do Castelinho, testemunha inglesa do negócio, que mudaria o destino de Paranapiacaba.

Em 05 de junho de 2003, Dia Mundial do Meio Ambiente, foi criado o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, área verde com cerca de 4,2 km² de Mata Atlântica no entorno da Vila.

Hoje Paranapiacaba conta com dois museus: o Castelinho, construção vitoriana que serviu de residência para o Engenheiro Superintendente, autoridade máxima da ferrovia inglesa, que guarda a memória dos tempos de funcionamento da São Paulo Railway Co., e o Funicular, que consiste em três galpões situados no pátio ferroviário, onde é possível ver as locomotivas, o carro fúnebre, as máquinas fixas e peças menores, como a azeitadeira, utilizada para lubrificar as máquinas. Ao ar livre podem ser vistos o trem ambulância, já bem enferrujado e o trem guindaste a vapor.

Paranapiacaba é cercada por três importantes Unidades de Conservação: o Parque Nascentes, citado acima, a Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba e o Parque Estadual da Serra do Mar. As matas, Parques e quedas d’água existentes no entorno da Vila compõem um cenário natural fantástico, que pode ser percorrido por trilhas de trajetos fáceis ou difíceis e requerem acompanhamento de guia habilitado e cadastrado pela Prefeitura. Dentre elas as mais conhecidas são as trilhas da Pontinha, do Mirante e da Água Fria.

Em 2001 realizou-se na Vila o 1º Festival de Inverno de Paranapiacaba, com muita expectativa. Os visitantes chegavam pela passarela metálica, que liga a Parte Alta à Vila Nova; os espetáculos se concentravam no Clube União Lyra-Serrano, outrora palco de grandes bailes e espetáculos. O Festival continua ocorrendo anualmente, se expandiu, com vários artistas se apresentando em palcos espalhados pela Vila e atualmente é um dos eventos mais conhecidos do Município. Durante o Festival vários atrativos, além dos artísticos e culturais, são oferecidos ao visitante.

Em abril acontece o Festival do Cambuci, fruta nativa da Mata Atlântica que é marca registrada da região e patrimônio imaterial de Santo André desde 2013, onde são oferecidos diversos pratos, doces e bebidas que utilizam o fruto como principal elemento.

Outros eventos, como a Convenção de Bruxas e Magos, a Festa do Padroeiro e a Feira de Artes e Antiguidades acontecem no decorrer do ano.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Deixe uma resposta