Minas Gerais aposta em nova estrutura ferroviária para o Estado

Publicado em: 17 de agosto de 2019

Secretário de Infraestrutura e Mobilidade, Marco Aurélio Barcelos, no lançamento do plano na Assembleia de Minas. Foto: Willian Dias/ALMG

Governo do Estado lançou nesta semana o Plano Estratégico Ferroviário. Objetivo é atrair investimentos para o transporte ferroviário no estado

ALEXANDRE PELEGI

O Governo de Minas Gerais quer colocar o estado nos trilhos. A afirmação deve ser encarada literalmente: trata-se de atrair investimentos e estimular o transporte ferroviário no estado.

A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) lançou nesta semana na Assembleia Legislativa do estado o Plano Estratégico Ferroviário de Minas Gerais (PEF).

Como informa comunicado do governo estadual, é mais uma iniciativa para ampliar os investimentos em infraestrutura em Minas Gerais.

O Plano foi realizado em parceria com a Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras, e será composto por um portfólio de projetos para a implantação e operação de uma nova estrutura ferroviária, com priorização de projetos.

Como ponto de partida, será construído um diagnóstico do atual sistema ferroviário mineiro, de forma a serem definidas estratégias e construído um plano de investimentos que atenda à demanda do setor e da população mineira”, informa o Governo estadual em comunicado à imprensa.

Para o secretário de Infraestrutura e Mobilidade de Minas Gerais, Marco Aurélio Barcelos, trata-se de um conjunto de medidas estruturadas, racionalizadas, “para colocar Minas nos trilhos de uma vez por todas”.

É importante não só fazer este mapeamento da infraestrutura existente, mas também levantar como ela se desenvolveria, a partir da avaliação da demanda de carga e de passageiros. Estamos pedindo uma projeção até 2035”, explicou Marco Aurélio.

Os estudos serão coordenados pela Seinfra e contarão com a contribuição da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) – que vai patrociná-los e atuar como interlocutora junto às empresas do setor ferroviário e o Governo do Estado.

A expectativa é de até 15 meses para a consolidação do Plano.

PROJETOS

Como destaque dos temas que serão abordados pelo PEF estão a construção do Ferroanel de Belo Horizonte e dos contornos ferroviários em Montes Claros, Juiz de Fora, Divinópolis e Itaúna; a adequação de ligações ferroviárias em diversas regiões do estado, como na Serra do Tigre; conversão de linhas férreas desativadas para uso por transporte urbano de passageiros; e a implantação de serviços de transporte ferroviário regional de passageiros.

O presidente da Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras, deputado João Leite, destaca que o anel ferroviário da RMBH é um sonho antigo, “que liberaria 22 cidades que têm linhas hoje para termos transporte ferroviário de passageiros na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que é fundamental. É, sem dúvida, um momento histórico, é a possibilidade de termos a retomada ferroviária no Estado, que, sem dúvida nenhuma, melhoraria a economia de Minas”, afirmou.

O diretor-executivo da ANTF, Fernando Paes, aponta que o momento nunca foi tão favorável. Ao apresentar um balanço do setor, Fernando destacou a importância de Minas Gerais, que tem a segunda maior malha ferroviária do país, pouco atrás de São Paulo, mas responde por 53% do minério transportado no Brasil e 23% de toda a carga geral.

Esse Plano tem tudo para dar certo e permitir que os mineiros pleiteiem, com a prioridade adequada, os projetos que devem receber investimentos – sejam recursos do Estado, do Governo Federal ou mesmo privados”, disse concluiu.

O presidente da Assembleia Legislativa de Minas, deputado Agostinho Patrus, destacou a importância do estado entrar na disputa dos bilhões de reais em investimentos decorrentes do processo de renovação antecipada das concessões ferroviárias, processo que está em andamento, conduzido pelo Governo Federal. Patrus destacou que o plano ferroviário será importante para Minas Gerais ter acesso a esses recursos.

Vamos lutar para que os R$ 6 bilhões (recursos estimados decorrentes da antecipação das concessões ferroviárias) sejam investidos 100% em Minas. O Estado não quer o recurso de outras federações, mas a antecipação das concessões das ferrovias que passam no Estado. O Plano vai mostrar as potencialidades do nosso estado, e vamos poder levá-lo a todos aqueles que possam financiar investimentos nessa infraestrutura”, defendeu.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Rogerio Belda disse:

    O presidente do metrô de São Paulo em visita á empresa do metro de Londres, indagou qual era a avaliação da linha circular do metrô da cidade, A resposta em inglês foi: “Uma bosta”! A razão alegada para tal conclusão é ser a frota em operação definida pelo trecho mais carregado e na maior parte do trajeto vai meio vazio [ Lembrar que nas linhas do metrô de São Paulo a opção foi de dois arcos autônomos que, no entanto , formam um circulo.
    Rogerio Belda

  2. Luiz Carlos Direnzi disse:

    O problema é que tudo fica nos estudos. Depois cai no esquecimento e tudo fica como esta. Aqui no Estado de São Paulo até hoje os trens Intercidades não sairão do papel. E o suposto trem entre Luziania-GO e Brasília-DF também esquecido. O trecho da Norte e Sul que chegaria a Santa Fé do Sul-SP esquecido. Fazem muito estudo e nada é concluído.

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