Com telemetria, empresas de ônibus de Campinas querem reduzir emissão de poluentes em até 7 toneladas por dia

A partir desta terça, os motoristas precisam inserir uma senha para ligar o ônibus. Foto: Divulgação.

Tecnologia é utilizada em carros de Fórmula 1 e motocicletas do Moto GP

JESSICA MARQUES

As concessionárias de ônibus urbanos de Campinas, no interior de São Paulo, VB1 e VB3 estão utilizando a partir desta terça-feira, 13 de agosto de 2019, a telemetria. Com o recurso, as empresas estimam uma redução de até sete toneladas diárias na emissão de poluentes na atmosfera.

A telemetria permite controlar e medir qualquer coisa à distância. Com essa tecnologia, é possível ter acesso às informações relacionadas a máquinas em geral, automóveis, geradores, barcos, guindastes e ônibus, entre outros.

O sistema permite que os motoristas, as empresas e gestores obtenham os dados de forma automática, com o veículo parado ou em movimento. Independentemente da distância é possível coletar e acompanhar as informações em tempo real sobre como o motorista está dirigindo e o desempenho do veículo.

A tecnologia embarcada, segundo as empresas, é similar à utilizada nos carros de Fórmula 1 e motocicletas do Moto GP. A telemetria já está instalada nos 580 ônibus e nas vans do Programa de Acessibilidade Inclusiva (PAI) das operadoras.

“A telemetria, além de contribuir para reduzir a poluição, trará diversos outros benefícios para a comunidade, usuários e motoristas. A tendência, a partir de agora, é que as viagens fiquem mais confortáveis e seguras para todos”, afirmou Paulo Barddal, diretor de Comunicação da VB Transportes e Turismo.

As concessionárias foram as primeiras a realizarem a instalação da tecnologia na Região Metropolitana de Campinas. Os ônibus rodoviários e metropolitanos da região já contam com este recurso.

COMO FUNCIONA NOS ÔNIBUS

A partir desta terça, os motoristas precisam inserir senhas pessoais que receberam, durante um evento realizado na garagem da VB3 (linhas verdes). Apenas com estes códigos os condutores vão conseguir iniciar a jornada de trabalho.

“Se não digitarem as senhas recebidas no teclado instalado nos painéis dos ônibus, simplesmente o motor não será ligado. E, a partir do instante em que os motores forem ligados, informações como rotação do motor, consumo, temperatura do óleo, velocidade, frenagem, graus das curvas e aceleração, entre diversos outros itens, serão comunicados aos Centros de Controle Operacional (CCO) instalados nas garagens. A comunicação é automática e em tempo real”, explicou Barddal.

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Os motoristas também terão acesso às informações pois existe um painel com luzes nas cores verde, amarelo, laranja e vermelho que apontará instantaneamente se a condução está sendo feita de forma segura ou não.

“Eles saberão se a aceleração e a frenagem estão sendo feitas dentro dos parâmetros corretos, assim como as curvas. E se, por exemplo, a velocidade está excessiva. Com isso, haverá economia de combustível, menor número de acidentes e, em síntese, uma viagem muito mais segura e confortável tanto para os usuários quanto para os operadores”, afirmou.

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A telemetria também conta com uma função denominada shutdown, ou seja, se o motorista deixar o veículo ligado por um período superior a três minutos, seja na garagem, dentro dos terminais ou ainda nos pontos iniciais ou finais, em marcha-lenta, o motor será desligado automaticamente.

Conforme informado em nota pelas concessionárias, durante os últimos quatro meses, o sistema de telemetria foi testado em diversos ônibus das empresas. O projeto piloto apresentou números significativos, entre eles a redução em 50% no número de quebras nos ônibus, redução de 65% nas reclamações relacionadas à dirigibilidade e 60% a menos no número de acidentes.

“É possível saber se há superaquecimento no motor. Agora, com a telemetria, se o CCO perceber qualquer anomalia, imediatamente é emitido um aviso de alerta para que o motorista pare o ônibus imediatamente, evitando quebras ou minimizando riscos de acidentes”, explicou Barddal.

Além disso, o sistema permite a valorização dos melhores profissionais e alguns vícios, como acelerações e frenagens bruscas, ficarão mais perceptíveis para os próprios motoristas.

“Espera-se, inclusive, que haja uma mudança na maneira de condução dos veículos. E todo mundo ganha com isso: a cidade, o usuário e os profissionais do setor“, afirmou Barddal.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

1 comentário em Com telemetria, empresas de ônibus de Campinas querem reduzir emissão de poluentes em até 7 toneladas por dia

  1. Com acompanhamento operacional, realmente acontece a economia do combustível, e o mais importante á contribuição com o meio ambiente.

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